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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

{4ª Poética} Lá Luna - Mariane Helena



#Pratodosverem Foto colorida do céu noturno com algumas nuvens, a lua cheia brilha, se refletindo na  água abaixo.


Na imensidão do céu,
Não sou ar, nem sol.
Também não sou breu!
Apenas faço versos às estrelas
Para alumiar-me minha vastidão só.
Enamorada pelas luzes dalém...
Me transformo em luar!
Para transmutar;
As tristezas em estrelas,
Nem que seja apenas
No azul do teu mar.


(Mariane Helena)

terça-feira, 29 de setembro de 2020

{Versos de vida} #OMarEmMim - Mariane Helena

#PraTodosVerem Sobre o fundo amarelo, um livro aberto de paginas brancas. Sobre a pagina da esquerda, em letras pretas:"Versos de vida, #OmarEmMim, Mariane Helena", e em baixo, uma mão com uma caneta. (Descrição: Raquel Carissimi Consultoria: Juliana Santos)




"Coragem às vezes é desapego!
É parar de se esticar em vão, para trazer a linha de volta.
É permitir que o outro voe sem que nos leve junto.
É aceitar que a esperança há muito se 
desprendeu do sonho.
É aceitar doer inteiro!"

   
Mariane Helena




sábado, 26 de setembro de 2020

{Versos de vida} Parafraseando Cora Coralina ao meu modo! Rsrsrs - Mariane Helena


#PraTodosVerem Sobre o fundo amarelo, um livro aberto de paginas brancas. Sobre a pagina da esquerda, em letras pretas:"Versos de vida, Parafraseando Cora Coralina ao meu modo! Rsrsrs,  Mariane Helena", e em baixo, uma mão com uma caneta.(Descrição: Raquel Carissimi Consultoria: Juliana Santos)



 Pois a mais borboletas bailando em mim

Do que (h)á dor nos meus olhos.

Há mais cores permiando-me

Do que há (e sempre haverá) o peso

Dos pingos de chuva.

Portanto decido:

Florescer e escrever

Florir e produzir

Pois nada é maior que meu desejo

De voar liberdade de versos primaveris.


(Mariane Helena) 

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

{Poetizando estações} - Para vida me florI - Mariane Helena

#Pratodosverem Em um muro branco a ilustração  de uma garota com o rosto apoiado sobre a mão direita, ela tem olhos verdes, usa batom rosa e camiseta amarela. Seu cabelo é feito com uma árvore cheia de flores Rosas. Na camiseta, na parte inferior, a assinatura escrito em preto "Melancia", "Feliz primavera".





{4ª Poética} -

#Pratodosverem. Uma colcha de retalhos remendados com fio amarelo e botões grandes e pequenos. Cada pano com uma estampa diferente, coloridas e com formas, e com flores ou linhas.




Nessa colcha de retalhos
Emendo laço a laço
As pontas soltas do acaso.
E que por um acaso
Esse tal destino trama, 
(Nem sempre contra)
Mas sempre trama!
E de alinhavo, em alinhavo
Aponta novos caminhos pra mim...
Talvez mais coloridos e múltiplos.
A parte boa desse remendar-me
É que sempre nasce uma coisa nova:
Hora poema, hora canção!
E nas batidas desse coração, que
Insisti em bater... 
As vezes vem de surra,
Outras, vem como o bater de asas.
Enflorando o verso de uma alma cansada...
Quem sabe seja apenas cansada de coser.

(Mariane Helena)

{Versos de vida} Coragem corajosamente Constante - Camila Prado e Mariane Helena

 

#PraTodosVerem Sobre o fundo amarelo, um livro aberto de paginas
brancas. Sobre a pagina da esquerda, em letras pretas:"Versos de vida, Coragem corajosamente constante, Camila Prado e Mariane Helena", e em baixo, uma mão com uma caneta.

(Descrição: Raquel Carissimi Consultoria: Juliana Santos)


Quando tudo escurece,
E resta apenas as batidas de um coração Silene,
É preciso CORAGEM!
Coragem para ascender sua própria luz.

Ah! Quão desejoso é o sonhador,
romper o próprio medo,
Vislumbrar sua bravura,
Renascendo aos poucos,
depois da noite turva!

 Para enxergar o sol por detrás das nuvens,
É preciso CORAGEM!
Para descortinar os embaraços da vida,
E adejar sobre o mar da esperança.

Coragem, pra descalçar os pés os pés trôpegos e caminhar.
Coragem, pra dizer ao silêncio de dentro
que a fumaça vai dissipar, e depois da ventania, haverá sabor no sonhar.

Sim, é preciso coragem para se amar, 
Para ver no amanhã,
E achar um caminho novo.
... Coragem corajosamente constante.

(Camila Prado e Mariane Helena)

terça-feira, 22 de setembro de 2020

{Das Ruas solitárias} - Deixe-me ir - Val saab



#Pratodosverem. Imagem em preto e branco de uma estrada de terra reta e com colunas de árvores. No centro escrito em Cinza: "Deixe-me ir".



 


Você sabia quantas coisas eu tinha para lhe contar? Eu corri estradas e avancei rios para lhe dizer o quanto a vida nos abençoa e o quanto as voltas da vida vão te jogar no chão e vão te fazer duvidar dos seus amores; mas, também sabe que lá dentro do coração, você acredita em seu caminho onde você vem andando e deixando sementes e deixando pegadas 👣 de amor e carinho. Então, não me digas agora, que nessa hora você não vem comigo sambar. Não me digas agora, que no meio da rua e comigo, tu não vais estar, que tanto faz tantas descobertas e tantas incertezas e que todas as trocas de olhares foram em vão. Não me digas que amanheceste sem sede e sem paixão. Não me diga que morreu a procura ou a febre de amor ou a embriaguez das paixões. Não me diga que calou seus sonhos apenas porque lá fora tudo parece tão incoerente. Não me diga mais nada. Se não vieres comigo quando eu abrir a porta, não me digas mais nada.


Se não tiveres na mão essas chaves, não me diga mais nada. Não me diga mais nada se seu amor não me enxerga mais.

domingo, 20 de setembro de 2020

{Versos de vida} NAYscendo - Mariane Helena

 



#PraTodosVerem Sobre o fundo aarelo, um livro aberto de paginas
brancas. Sobre a pagina da esquerda, em letras pretas:"Versos de vida, NAYscendo, Mariane Helena", e em baixo, uma mão com uma caneta.
(Descrição: Raquel Carissimi Consultoria: Juliana Santos)



*Homenagem a uma linda menina que todos os dias venci a depressão, o desesperos e tristes desejos



Doce e delicada luz 
Menina-mulher que
De tanto chorar
Desabrochou-se flor
Dorme menina!
Pois a noite ninará suas dores,
E junto com o sol
Um novo dia nascerá
Para tu renascer
Bravia
Resiliente
Persistente
E em busca do seu lugar 
No mundo.

(Mariane Helena)







segunda-feira, 14 de setembro de 2020

{Versos de Vida} No caos nascem as estrelas - Jeff Tron

#PraTodosVerem Sobre o fundo amarelo, um livro aberto de paginas brancas. Sobre a pagina da esquerda, em letras pretas:"Versos de vida, No caos nascem as estrelas, Jeff Tron", e em baixo, uma mão com uma caneta.
(Descrição: Raquel Carissimi Consultoria: Juliana Santos)




 Um Sorriso forçado, uma lágrima seca no rosto

Nadando contra a corrente num mar de egoísmo

Se escondendo em um mundo irrelevante

Sentindo tão impotente

Cansado de ser o que não sou

Eu sei que nem sempre podemos ter o que queremos

Mas sei que ganhamos o que precisamos

E se eu lutar me levantarei

Um Dia Lindo, a chuva que caí, e o luar bonito a se desgastar

Observando minha vida de perto sempre esperei sair da escuridão

Mas não a luz sem escuridão então me afoguei e renasci

As máscaras caem pois mentir pode ser fácil, mas a verdade dura é mais bela

Destravei meu coração e puis em suas mãos

Agora respiro o ar e vivo a vida

Príncipe encantado é pra fracos

Guerreiros são mais Belos

A vida grita, mais grito mais alto

A morte chama mas na árvore de misericórdia deixei minha alma

É hora de voar, se livrar de mentiras e cicatrizes

E agora sei q são parte de mim

É minha história está em volta de mim

Meu herói me salve

Eu grito Eu Horo

Nunca fico de perante a ti

Mas hoje me ajoelho e peço

Me salve

Me de razões pra sonhar.


Jeff Tron

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

{Versos de Vida} Minha história - Mariane Helena

 

#PraTodosVerem Sobre o fundo amarelo, um livro aberto de paginas brancas. Sobre a pagina da esquerda, em letras pretas:"Versos de vida, Minha História, Mariane Helena", e em baixo, uma mão com uma caneta.
(Descrição: Raquel Carissimi Consultoria: Juliana Santos)




Não me prendo ao passado.

Ele não resumi o que sou!

Ele simplesmente forjou minha força,

Caráter e  me deu

habilidades de resiliência.

Minha história é o presente!

É o acordar corajoso 

De mais um amanhecer de guerreira;

Minha história é a vitória,

Da heroína que me tornei.

Minha história, é dia após dia...

Vencendo os mares;

Enfrentando a fúria do vento;

Sendo a marola 

Para o meu próprio barco passar.

Viver se exije Coragem!

E corajosamente sigo

Empunhando a força presente no verso,

Embalando minhas lágrimas,

No vai e vem das estações crisálidas.

E mesmo que num cantar solitário

 Sou perene, bravia, assente.

Hoje sou constância!

Trazendo nas minhas marcas na linha do tempo

Passos firmes da aurora.


Mariane Helena

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

{4ª Poética} Dubiedades - Camila prado




#Pratodosverem. 
Sobre fundo preto, uma imagem circular dividida ao meio, à esquerda o rosto de uma mulher e à direita de um leão, ambos tem olhos amarelos brilhantes.  No canto inferior esquerdo escrito em branco: "É preciso ser fera, sem perder a doçura!".







Dúbia, incompreensível, sei que sou.

Meu esconderijo sou eu:

Esculpida em dores,

Residente no edifício das solidões...

Anfíbio, ambíguo, longe do que se espera.

Meu anonimato é um muro.

Cercada estou pelas mazelas da vida...

Impossível condensar-me!

Sou paz e bonança;

Tenho dias de ventania e tempestade;

Sou essência da terra, fera medrosa, sou pedaço de sonho de alguém...

Comum!

Simplesmente complicada!

Sou esse furacão terrivel, sou esse dia de vento ausente e ar quente...

Profundamente estranha!

Vivaz, mórbida, alucinada...

Menina que sonha, mulher devastada...

Ser humano que exala paixão,

Subjugada à própria escravidão...

Pertenço às linhas que não foram escritas, 

Sou viajante, aspirante, vivente, entregue à sorte.

Sou simples, comum, normal...

Alguém...

As pedras são as dificuldades que me preparam para o extraordinário.

O novo, que chega, o velho que vai...

E as somas que unem e as divisões se desfazem...

Viver é sangrar, viver é sonhar,

Melhor é morrer, do que passear pelos longos dias e nao saber oque é apreciar!




(Camila prado)

terça-feira, 8 de setembro de 2020

{Versos de vida} O revés - Mariane Helena


                            #PraTodosVerem Sobre o fundo amarelo, um livro aberto de paginas
brancas. Sobre a pagina da esquerda, em letras pretas:"Versos de vida o revés. Mariane Helena", e em baixo, uma mão com uma caneta.
             (Descrição: Raquel Carissimi Consultoria: Juliana Santos)    
       





 Nem tudo acontece 

No compasso que nossa vaidade quer.

Há dias escuros;

Há flores que não se abrirão na primavera; mas

São atemporais!

Não há regras para o destino

Nem sazonalidade insuperável.

O mundo segue um caminhar dúbio.

E no silêncio das suas intenções,

E o que fala mais alto

É a força do querer!

A vontade de se superar

E esperançar, independentemente

Das estações;

Do tempo;

Dos dias;

Das condições.

O revés nos faz super.

E superando, transmutamos o caos

Em flores,

As tristezas e dores

Num motivo a mais de recomeçar.


(Mariane Helena)






domingo, 2 de agosto de 2020

{Podcast Faroeste} - Atividades


    Olá, forasteiros! Você acompanhou as ultimas edições do nosso
podcast? Se não, vou deixar o link aqui em baixo.

01 Introdução:
http://www.faroesteliterario.com.br/2020/06/podcast-faroeste-gosta-de-desafios.html

02 Sinestesia auditiva:
http://www.faroesteliterario.com.br/2020/07/podcast-faroeste-01-sinestesia-auditiva.html 

03.  Sinestesia visual:
http://www.faroesteliterario.com.br/2020/07/podcast-faroeste-02-sinestesia-visual.html

    Para quem acompanhou, seguem as atividades propostas pela Mariane
Helena. Se você já fez a sua, mostre para a gente, enviando para o Email
Faroesteliterario@Gmail.com ou deixe aqui em baixo nos comentários para
que outras pessoas possam ver também. Aguardamos ansiosamente :)


Cronograma do curso 


Sinestesia Auditiva


Sinestesia Visual

sábado, 27 de junho de 2020

[Podcast Faroeste] Gosta de desafios? Venha e surpreenda-se




O nosso blog voltou e com todo o vapor!
A nossa equipe está trabalhando muitíssimo para trazer os melhores conteúdos para você escritor(a) que está em modo quarentena. E porque não utilizar esse momento para ser ainda mais criativo(a)?
Confira abaixo o nosso convite que com certeza irá mudar a sua vida!

Aaah, e não deixe de seguir o nosso PODCAST nas principais plataformas digitais, basta procurar por Podcaste Faroeste Literário no seu agregador.

quarta-feira, 21 de março de 2018

[Faroeste News] Livro: Como saber do que seu filho realmente precisa?




Clay e Luciana Brites, especialistas da NeuroSaber, lançam o livro "Como saber o que seu filho realmente precisa? ", que mostra os sete pilares essenciais para a educação.


Especialistas em desenvolvimento infantil falam dos desafios da educação



Muitos pais fazem tudo o que os filhos querem só para agradá-los ou para compensar alguma ausência. Porém, isso pode custar muito caro no futuro das crianças. Para ajudar as famílias a enfrentar os desafios da educação, os especialistas em desenvolvimento infantil Clay e Luciana Brites, do Instituto NeuroSaber, lançam o livro “Como saber do que seu filho realmente precisa?”.

A obra tem como objetivo orientar pais e ajudar os professores. A ideia é que todos possam saber como propiciar um ambiente mentalmente saudável aos pequenos que um dia serão adultos e que farão desse mundo um lugar melhor.

O livro pretende ensinar os sete pilares para educação de crianças: educar para frustração, educar para decisão, educar para a realização, educar para o conflito, educar para a aprender, educar para o diálogo e educar para ser feliz.

Serão discutidos assuntos sobre, por exemplo, como libertar a criança da bolha protetora, até que ponto a educação fica por conta da escola, como a ausência dos pais influência no desenvolvimento e como ter preparo emocional para educar.

Educação na modernidade
Segundo o neuropediatra Clay Brites, a criação moderna tem deixado os pais literalmente de “cabelos em pé”. Isso acontece pelo fato das crianças de hoje se desenvolverem com extrema rapidez e com exigências cada vez mais surpreendentes. “Isso coloca em xeque o futuro dessa geração”.

- Por isso queremos mostrar aos pais e responsáveis sobre o que podemos e devemos fazer para que os nossos filhos tenham um futuro extraordinário – ressalta.

Motivação
Segundo a psicopedagoga Luciana Brites, muitos filhos se perdem quando chegam na adolescência e diversas crianças sem limites deixam os pais sem dormir, pensando em onde falharam. “Esses dilemas que nos motivaram a desenvolver o livro”.

Luciana diz que esses resultados ruins acontecem devido aos erros que muitos pais cometem sem saber. Segundo ela, as boas intenções, ou as compensações equivocadas, podem custar caro no futuro das crianças. “Os pais precisam sempre ter em mente a necessidade de preparar os filhos para enfrentar os dias atuais”.

- É comum o pai ou mãe querer compensar a sua ausência na vida das crianças com alguma coisa. Então, por conta disso fazem tudo para agradá-las e esquecem a responsabilidade de educar e de disciplinar - rebate.

Sobre os autores:
Luciana Brites é especialista em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UniFil Londrina e em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação Ispe - Cae São Paulo. Além disso, é coordenadora do Núcleo Abenepi em Londrina.

Dr. Clay Brites é formado em Pediatria e Neuropediatria pela Santa Casa de São Paulo, é membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Doutorando em Ciências Médicas pela UNICAMP e vice-presidente da ABENEPI-PR.

Clay e Luciana Brites são fundadores do Instituto NeuroSaber (www.neurosaber.com.br). A inciativa tem como objetivo compartilhar conhecimentos sobre aprendizagem, desenvolvimento e comportamento da infância e adolescência.

Livro Como saber do que seu filho realmente precisa?
Autores: Luciana e Clay Brites
Editora: Gente Editora
Formato: 16 x 23 cm
Páginas: 160 páginas
Gênero: Desenvolvimento / Educação
Preço de capa: R$ 29,90
Link para comprar: 






quinta-feira, 13 de julho de 2017

[Biografias Reais] Julia Lopes de Almeida

Uma mulher que a pátria desconhece!




"Por isto: o que não quero é escrever meramente; não penso em deliciar o leitor escorrendo-lhe n’alma o mel do sentimento, nem em dar-lhe comoções de espanto e de imprevisto. Pouco me importo de florir a frase, fazê-la cantante ou rude, recortá-la a buril ou golpeá-la a machado; o que quero é achar um engaste novo onde encrave as minhas idéias, seguras e claras como diamantes: o que quero é criar todo meu livro, pensamento e forma, fazê-lo fora desta arte de escrever já tão banalizada, onde me embaraço com raiva de não saber nada de melhor. (...) Quero escrever um livro novo, arrancado do meu sangue e do meu sonho, vivo, palpitante, com todos os retalhos de céu e de inferno que sinto dentro de mim; livro rebelde sem adulações, digno de um homem."

( Júlia Lopes de Almeida)

Há muitos escritores esquecidos na nossa literatura. Com a história de Júlia quero iniciar uma série de biografias reais de escritores e nunca ouvimos falar, mas que construíram com muita dificuldade a nossa literatura,e tiveram um papel primordial na literatura que conhecemos hoje.

E porque começar pela Julia. Por ser um mulher! Podemos até pensar que foi porque não eram comum escritores mulheres naquela época, afinal, quais escritoras do séc. XVIII e XIX que nós conhecemos? Se não conhecemos é mais provável que seja porque a História se esqueceu de contar do que por uma carência de talento e nomes entre as mulheres. Júlia, por exemplo, escreveu romances e peças de teatro além de livros infantis, fazendo muito sucesso na sua própria época.

Mas o que pouca gente sabe é que no grupo de escritores e intelectuais que se mobilizaram para criar a ABL, uma outra grande figura da Literatura Nacional daquele tempo ficou de fora por um pequeno detalhe, e não foi a língua, foi a saia.

Julia ficou de fora desse “panteão” por causa desse pequeno detalhe, era mulher.Ou seja o preconceito da época calou por décadas o talento dessa grande mulher! Júlia teve uma carreira de escritora e jornalista de mais de 40 anos. Ela defendia a educação feminina, o divórcio e a abolição da escravatura. Já preocupada com a questão do cuidado, ela defendia também a instalação de creches, naquela época. É, Júlia, ainda estamos  tentando... Se é difícil hoje imagina no século XIX? 

Vamos falar um pouco mais sobre ela: Júlia Valentina da Silveira Lopes de Almeida (Rio de Janeiro RJ 1862 - idem 1934). Contista, romancista, cronista, teatróloga. Ainda na infância, transfere-se com a família para Campinas, São Paulo. Inicia seu trabalho na imprensa aos 19 anos, em A Gazeta de Campinas, numa época em que a participação da mulher na vida intelectual é rara e incomum. Três anos depois, em 1884, começa a escrever também para o jornal carioca O País, numa colaboração que dura mais de três décadas. Mas é em Lisboa, para onde se muda em 1886, que se lança como escritora. Com sua irmã Adelina, publica Contos Infantis, em 1887. No ano seguinte, casa-se com o poeta e jornalista português Filinto de Almeida (1857 - 1945) e publica os contos de Traços e Iluminuras. 

De volta ao Brasil, em 1888, logo publica seu primeiro romance, Memórias de Marta, que sai em folhetins em O País. Sua atividade em jornais e revistas - Jornal do Commercio, A Semana, Ilustração Brasileira, Tribuna Liberal - é incessante, escrevendo sobre temas candentes, apoiando a abolição e a república. Uma das primeiras romancistas brasileiras, sua produção literária é prolífica e abrange vários gêneros: conto, peça teatral, crônica e literatura infanto-juvenil. Seu estilo é marcado pela influência do realismo e do naturalismo francês, especialmente pelos contos de Guy de Maupassant (1850 - 1893) e romances de Émile Zola (1840 - 1902). 

A cidade do Rio de Janeiro, capital federal, em período de turbulência política e econômica, é o cenário mais amplo de suas ficções assim como o ambiente privado das famílias burguesas serve às tramas e à construção de seus personagens, é o caso do romance A Falência, lançado em 1901 - para muitos a sua obra mais importante. Júlia ainda obtém destaque no Brasil e no exterior em conferências e palestras sobre temas nacionais e sobre a mulher brasileira; participa ativamente de sociedades femininas no Rio de Janeiro. 

Reconhecida em sua atividade literária por seus pares contemporâneos, escreve também obras mais esperadas por uma mulher de sua época, como O Livro das Noivas e Maternidade, que alcançam grande sucesso de público, tanto quanto seus romances. Está entre os intelectuais que participam do planejamento e da criação da Academia Brasileira de Letras - ABL, da qual seu marido é fundador e ocupante da cadeira número 3 - no entanto, por ser mulher, é impedida de ingressar na instituição. Entre 1913 e 1918 volta a viver em Portugal, e publica suas primeiras peças teatrais e um livro infantil com seu filho Afonso Lopes de Almeida. Na década seguinte, muda-se para Paris, onde alguns de seus textos são traduzidos e publicados.



Mariane Helena

segunda-feira, 3 de julho de 2017

[Resposta 42] RG, por favor - Bruno Leal

  Suas características aos olhos de quem vê, aos seus e de quem rotula são definidas por você, por suas convivências e pelas influências que
somos submetidos todos os dias. Mas o que é mais intrigante é como nossa visão para as coisas podem ser completamente diferentes de absolutamente
todos a nossa volta. Vou dar o meu exemplo:
    Eu gosto de futebol e muitos outros esportes, heavy metal, ciências e história. Mas meu jeito de gostar de futebol é diferente da maioria
dos brasileiros. Sou um cara que merece ser excluído porque torço pela Argentina em vez do Brasil, por razões diversas que nem sei quais são.
Eu nunca, nunca torci pelo Brasil. Uma vez, gritei como louco numa vitória patética do Brasil contra a Coreia do norte por 2x1 (no jogo
seguinte dos norte-coreanos, eles tomariam um sonoro 7x0 de Portugal, seleção mais fraca que o Brasil) porque resolvi tentar negar minha
teimosia, meu jeito de querer ser diferente, e a injustiça que via em saber que todos estavam torcendo para a seleção canarinho enquanto os
outros países não tinham nenhuma torcida (como eles poderiam ser tão maus? Não acredito que simplesmente ignoravam as outras seleções como se
não fossem nada). Bom, eu tentei, e meus delírios aos gritos de gol jamais tinham sido tão falsos. Dois minutos de garganta limpa
desperdiçados. Desde aquele dia, prometi a mim mesmo que nunca mais faria aquilo. E segui a minha vida, abandonando a música pop para o funk
e eletrônica, depois sendo influenciado por um primo nerd e inteligente (logo, deveria ouvir o mesmo tipo de música que ele) passei para o rock
e o heavy metal, onde permaneço até hoje, mas sem o medo de ser descoberto ouvindo "o grave bater", "Construção", "roda viva" e
"malandramente".
Fui me alterando, graças a maturidade e a outras influências. Hoje, torço pelo Barcelona, gosto de assistir a NBA, curto
muito mais a cultura norte-americana, mas também acho legal as competições dos carnavais Brasil a fora, as composições de Chico Buarque
(nada de Vinicius de Moraes. Chato demais!!!) e comer arroz, feijão e carne no almoço e o básico pão francês (que na verdade é português) com
mortadela (embutido dos deuses!).
    Além de tudo isso, porém, construo coisas só minhas como o desejo de salvar o mundo, esse negócio de "gostar de ciências e história" e me
interessar por política fora das redes sociais, uma maluquice sem tamanho. Mas é o
que vou levar pra sempre, junto com a teimosia que irrita minha melhor amiga. Agora: por quê? Não faço ideia. É só minha identidade. Foi
influenciada por algo ou alguém? Com certeza. Mas a visão é minha, e só minha. O que isso tem haver com a resposta fundamental? As diferentes
interpretações fazem experimentos diferentes. Logo, a resposta fica mais
acessível.
E você, qual sua identidade própria fora do nacionalismo, dos amigos e
influências familiares?
Por falar em nacionalismo: HAPPY birthday UNITED STATES OF
AMÉRICA! E até a próxima!

                Dizem que 42 é a resposta para tudo, porém isso é difícil de assimilar. Mas como a Terra é o único planeta capaz de entender as perguntas e respostas, vamos cumprir nosso dever.
                Por que 42? Vamos tentar descobrir todas as primeiras segundas-feiras de cada Mês.
                Até a próxima questão fundamental!

domingo, 2 de julho de 2017

[Resenha] Atlas do Impossível de Edmar Monteiro Filho



            Os 15 contos do livro Atlas do impossível (Penalux, 2017), de Edmar Monteiro Filho, conduzem o leitor não a um caminho retilíneo e plano, mas por ruas curvilíneas e íngremes, perfazendo uma geometria de dificuldades, com figuras que se desdobram num virtuosismo profundo em que o leitor não tem possibilidade de escolha, uma vez que a narrativa revela múltiplos enfoques, mostrando o plurivocalismo e as camadas de um livro em expansão até o infinito. Para tal intento, o autor utilizou como referência 15 gravuras do formidável Escher, iniciando cada conto com uma ilustração do artista holandês. O título de cada conto é homônimo a cada gravura de Escher, já revelando uma estratégia temática de Edmar Monteiro Filho, a simulação e seu estranhamento a partir de cada narrativa. Outra homenagem prestada por Edmar no seu livro excepcional é a referência ao escritor argentino Borges que num dos contos deste livro é personagem da narrativa, valendo-se o autor brasileiro da temática borgeana também para estruturar a espinha dorsal de seus textos juntamente com Escher, demonstrando a riqueza que se bifurca neste livro, unindo as influências das artes plásticas e da literatura, nos revelando os diálogos entre Escher e Borges.
            No catálogo do CCBB “O mundo mágico de Escher”, do curador Pieter Tjabbes, este já vislumbrava o paralelo entre os dois célebres artistas:  “...ambos abordam temáticas com filosofia (e seus desdobramentos matemáticos), infinidade e metafísica, em narrativas fantásticas onde figuram os “delírios do racional” expressos em labirintos lógicos e jogos de espelhos”. Edmar capta esta íntima relação entre ambos e produz um livro fantástico, trabalhando com a exploração dos efeitos do jogo de espelhos, como o papel do que se intenciona ou deseja com o que se afasta ou repele, que podemos ver no conto “Dia e noite”: “Observo o espelho prestes a quebrar-se...” A fragilidade do espelho aqui que pode se espatifar desnuda este espelhamento fragmentado que acaba levando ao oposto da imagem que se quer construir, ou seja, aquilo que reluz pode mostrar o seu lado mais sombrio. O paradoxo doença/cura nos leva à imagem do pharmakós que traz a cura mais também um veneno, que é a serpente enroscada em cada beleza. Como escapar de um caminho que pode levar à libertação, mas que traz inserida a ruína para estes personagens doentes que vivem nas ruas neste conto emblemático?
            Há espelhos cortados, partes de um espelho formando o todo. O narrador joga com a inteligência do leitor o tempo todo, como se a própria narrativa fosse um espelho a ser refletido pelo leitor inteligente que deve juntar as peças deste puzzle enigmático. O livro de Edmar não percorre as linhas de uma narrativa fácil, é denso em seu poder de autorreflexão que se espelha no conhecimento de um receptor perspicaz. No conto “Predestinação”, temos esta urdidura máxima em que o narrador não poupa sua rica e admirável imaginação nos labirintos em múltiplos caminhos e ângulos. O conto nos faz recordar da origem da palavra “texto” que vem do latim textus, que significa “tecido”. Como não perceber que este conto é uma trama em que as várias linhas se chocam e se unem para formar um todo em seu sentido lógico e coerente? O conto nos dá a chave que tem que ser aberta pelos olhos iluminados do leitor atento. O narrador desafia a todo tempo o leitor como vemos em Machado de Assis.
            Em “Convexo e côncavo”, a mensagem encontrada num origami do bonsai nos direciona para esta fragilidade tênue que se encontra na vida de nosso dia a dia: “A vida é frágil”, fazendo-nos lembrar da notável frase de Guimarães Rosa “Viver é muito perigoso”. Entre a fragilidade e o perigo, a vida carrega o peso desta medida que as personagens complexas e profundas deste maravilhoso contista nos revelam. A camada lisa do espelho é propensa ao arranhão, à rasura, à fratura. Os contos deste livro são intensos em demonstrar as peripécias da vida com suas realidades e irrealidades, com sua nudez e sonho. As personagens destes contos são andarilhos de um labirinto frágil que não lhes dá uma resposta satisfatória. O autor se pauta nas questões, nas interrogações que se encontram no lado ainda não visto do espelho, como em “Espelho mágico”, em que a foto deixada na mesinha da sala é o motivo para a narrativa e para as digressões do narrador/personagem, que se confundem.
            São constantes as interferências do narrador, revelando a intensa maestria no próprio ato da narrativa e da leitura, que equaciona o conto como produto de um acontecimento, de uma presentificação, de um aqui-agora. Clarice Lispector era mestra em nos mostrar a partir de suas narrativas o “instante-já”, o tempo do agora, como proposto pela professora Carina Lessa. O conto “Três mundos”, de Edmar é impactante e revela a outra face do espelho literário, a meta-narrativa, com a autorreflexão sobre seu próprio processo de escrita. O narrador que é personagem, que busca afirmar uma verdade ficcional, onde realidade e ficção se mesclam, a memória e esquecimento se alternam, produzindo um conto de fôlego em que o contista mostra seu pleno domínio sobre esta arte difícil do conto que para muitos é o texto em prosa da literatura mais complexo de se elaborar, pois é necessária a medida certa, o ponto essencial.
            Deleuze já apontava em Diferença e repetição que “...a mais exata repetição, a mais rigorosa repetição, tem, como correlato, o máximo de diferença”. Podemos perceber esta afirmação principalmente em dois contos de Edmar, “Fita de möbius” e “Mãos desenhando”. No primeiro, temos o “déja vu” da personagem e partes da narrativa são repetidas em espiral, revelando a dobra deleuziana que através da repetição produz uma diferença. O espelho mais uma vez aparece aqui, sendo uma metáfora recorrente nos contos de Edmar: “...esse tempo de onde meu rosto olhou-me do espelho, em que cada passo e cada gesto é a repetição de um enredo do qual conheço apenas o terrível desfecho.” No outro conto em que temos Borges como personagem, temos o estudante da faculdade de Buenos Aires Barros que faz uma entrevista com o célebre escritor argentino e na bela narrativa, temos um conto do universitário Barros dentro deste conto, aproximando ainda mais Escher e Borges, pois aquele aproveitava o espelhamento das formas geométricas, utilizando uma mesma imagem de forma diferenciada. Aqui o conto “Pierre Menard, autor de Quixote” de Borges do livro Ficções (1944) é também aproveitado a partir deste espelhamento. O uso dos nomes Borges e Barros não é gratuito para se falar do tema do simulacro. Assim, admiravelmente, temos um duplo jogo de espelhos. Edmar se utiliza do conto de Borges para fundamentar seu próprio e autêntico processo de escrita, pois apesar de se valer do artista plástico holandês e do escritor argentino, o contista brasileiro por ora aqui estudado é de uma originalidade surpreendente. Dialoga com grandes gênios, mas revela também sua intensa genialidade em construir contos tão elaborados e complexos em sua tessitura literária. Temos uma obra ricamente ficcional que conhece todo o processo da confecção de um verdadeiro conto sem deixar nada a dever aos grandes nomes da literatura.
            Edmar Monteiro Filho produziu um belíssimo livro de contos em que ele monta um jogo de puzzle enigmático com os grandes artistas, com sua própria narrativa, com as personagens, com a escrita, com as artes plásticas, com o leitor; produzindo um tapete imaginário e real em que os desenhos geométricos se multiplicam em caminhos da escrita, fazendo de sua obra um mosaico de experiências variadas em que a autenticidade ganha voos altíssimos, costurando as linhas tênues entre a vida e a morte, entre o que se consagra, se realiza ou se fracassa na vida de personagens que deixarão o seu canto mais profundo em várias partes do mundo. O domínio do verbo em Edmar é complexo, profundo e infinito como nos espelhos de Escher e na biblioteca de Borges.

Alexandra Vieira de Almeida

“Atlas do impossível”, contos. Autor: Edmar Monteiro Filho. Editora Penalux, 264 págs., R$ 45,00, 2017.
E-mail: vendas@editorapenalux.com.br
Site: www.editorapenalux.com.br

Alexandra Vieira de Almeida é Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. Também é poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil. Em 2016 publicou o livro “Dormindo no Verbo”, pela Editora Penalux.