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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

{4ª Poética} Lá Luna - Mariane Helena



#Pratodosverem Foto colorida do céu noturno com algumas nuvens, a lua cheia brilha, se refletindo na  água abaixo.


Na imensidão do céu,
Não sou ar, nem sol.
Também não sou breu!
Apenas faço versos às estrelas
Para alumiar-me minha vastidão só.
Enamorada pelas luzes dalém...
Me transformo em luar!
Para transmutar;
As tristezas em estrelas,
Nem que seja apenas
No azul do teu mar.


(Mariane Helena)

sábado, 1 de abril de 2017

[Orações A Saturno] sereias de plutão - Marina Ventura


sereias de plutão

marina ventura *

viviam então enclausuradas elas, todas elas, até porque o mar é feito de gelo e gases muitos gases entre o desconhecido, o poroso e o certo naquela dimensão.
a órbita do planeta, sim, rasgava pelos anos-luz e todo seu trajeto fazia utópica a primavera naquela astro.
todo o tempo, a quem sabemos, era de inverno. frio, escuro e gelo: sem neve, sem aurora. imagine este habitat em única estação.
mas haviam as sereias. meninas. carecas, pálidas e de olhos pretos inteiriços. peles enregeladas como uma certeza de morte. possível é perseguir todas as suas veias em um sangue violeta e fino. belas até na testa, reluzente, e bustos de prata. caudas familiares a nós, em escamas vitrais e de poucas cores para deslizar sobre oceanos de gás e pedra.
contudo, tínhamos e temos estas sereias prisioneiras em uma bolha estrangeira que há trilhões e quinqualhões de anos penetrou pela espécie de ozônio que lá existe e ainda o mar em tempo de onda se permitiu penetrar esta transeunte hipergalática. sem pele uma bolha é um expiro de ar. em água, uma bolha para que nossos olhos se acostumem.
de curiosidades é que se fez a natureza. com a incomum presença naquele pequeno país de mar plutônico as sereias, um grupo de umas cinco, arriscaram-se a venerar àquela alienígena. suntuosa ela flutuava pelos mares porque a água de lá permite o que as nossas não permitem. em doses de brincadeiras as sereias, elas mesmas, iniciaram investigação. Xcy, a atrevida, com delicadeza a bolha tocou para sentir a sutileza de nosso ar. Bjrr, a destemida, um golpe ousou e para sua surpresa a bolha permaneceu intacta. porém seu braço dentro da bolha estava. Hhhu, a observadora concluiu que era possível vida no interior da bolha. o nome das outras duas não convém saber. indescritíveis.
penetraram todas.
e no interior daquela ilusão hiperbólica as sereias de plutão sequer notaram o tempo que se passava e que o planetoide em pouco ultrapassaria a curva da distância se poria longe do sol; o que faria, conclui-se, o congelamento total de mares, rios e lagos em puros gelos.
quando o mar congela, sereia vive na superfície hibernando até que a curva distante se finde.
salvas pela bolha, como gente.


* Marina Ventura é heterônimo de Edhson J. Brandão quando as ideias alagam.

*  *

Orações A Saturno é o templo da linguagem pragmática sem a moral do mundo que o perturba. É um alento. Algo que eclode. Não sei. Um out de si no tempo da palavra. É sábado, todo sábado. São rezas para deus-palavra. E isso é tudo, quando não há nada. 

sábado, 25 de março de 2017

[Orações A Saturno] 2/5 de coragem que me levam até onde posso - Edhson J. Brandão


2/5 de coragem que me levam até onde posso
José Ausente

ele é de libra com ascendente em leão, lua em virgem e eu não sei porra nenhuma do que isso significa mas o importante de tudo fica seguro no brilho de vela que o olhar dele se ascende quando o vejo.
é meio confuso, pra não dizer desnecessário, essa minha atração pelo cara mas a possibilidade de contar com o impossível e a certeza da ausência de horas entre a minha pele a dele excitam meu pau rubro que se estala em veias.
a gente se conhece de ônibus.
eu o conheço de ônibus; ele tira de mim um pouco do trajeto que compartilhamos – meu e de mais um milhão de batateiros e nordestinos do brasil todo – nesta lataria que sacode a rua da vida. ele é cafuçu: termo pejorativo que rola na rede social para caracterizar esses meninos héteros, fortinhos e com estilo bem periférico.
mas sabe,
percebo nele um quê de sensível porque já o vi pedir pra carregar a bolsa de uma loira de meia-idade e a voz dele soou tão, tão limpa.
eu sei onde mora e até quem namora.
vez e outra, quando nos cruzamos na linha durante o fim de semana, ele aparece abraçado a ela e eu fico enrijecido invejando o braço dele sobre aquele ombro vermelho dela. há uns tribais em seu braço, pega até o ombro e eu já medi aquela tattoo em mim, pelado, depois do banho. aquele desenho eu percorreria na língua. será que ela faz isso?
bonita também são suas axilas. ele apara os pelos então são pequenas penugens delicadas que despertam uma atração juvenil. tem também o caminho da felicidade, porquê não falar disto a esta altura já que estou me abrindo tanto; pelinhos finos e alinhados do umbigo e que penetram convidativamente pela cintura da calça que eu vejo quando segura nas barras do ônibus. segunda de manhã.
quando faz calor, vou dizer, é deleite para minhas mãos horas depois. ele desce, tira a camiseta e seu caminhar é felino; um molejo realçado pelas cochas grossas e aquele corpo parrudo de quem malha na vida.
não faço ideia do que sou pra ele, mas veja, ele está escrito e nem sabe.
eu não nasci ousado e isso deve ser por causa do meu signo ou da posição da minha vênus e me falta muito a coragem que outros tem para arriscar qualquer flerte. não arrisco, me fecho. sou pouco ou vazio para aqueles ombros.
não há dois quintos de coragem que me levam até onde posso.
vou vivendo.

*  *

Orações A Saturno é o templo da linguagem pragmática sem a moral do mundo que o perturba. É um alento. Algo que eclode. Não sei. Um out de si no tempo da palavra. É sábado, todo sábado. São rezas para deus-palavra. E isso é tudo, quando não há nada. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS] Caprichoso

Fio Dental, Cigarros e Tragos.Coluna
Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.

CAPRICHOSO


ACENDO OUTRO CIGARRO...
... Solto a fumaça. E ela desaparece na noite quente de outro verão qualquer. Os idiotas soltam fogos e gritam, bêbados, na rua. As buzinas ecoam alto em meus ouvidos, entre os prédios, dobrando a esquina. Outro trago. Olho para o cinzeiro em cima do mármore do cercado da varanda do quarto de hotel caro. Deve ser o décimo. O centésimo. Não importa. O que vai me matar está deitado na cama entre sangue e lençóis brancos de algodão. Tem um perfume gostoso de flor e adora um pau entre as coxas para quicar. As algemas ainda estão no chão junto as roupas rasgadas e amassadas. Meu corpo ainda estremece com sensação daquele amor primitivo, selvagem... doentio.
Que tipo de idiota eu sou? Um tipo ridículo de suicida moderno. Que se vicia em curvas e dedos que se afundam em minhas costas e me sangram. Curvas sinuosas e proibidas. Que deseja o que não pode ter e prova, assim, do velho e bom fruto proibido. Sem pudor, sem vergonha. Ao invés de dar logo um tiro na própria cabeça.
Mas o sangue escorrendo escorrendo pelas feridas que suas unhas me causaram são a única maneira de não deixar que a loucura anule todas aquelas lembranças. Ela era real. Nós éramos reais. Eu não a inventei ou sonhei. Nem toda aquela nossa história. E a dor não me permitia acreditar que tudo não passou de mera invenção. 
Minha loucura não poderia ter chegado a esse ponto antes mesmo que tivesse percebido o quanto sou insano. Tive seus cabelos vermelhos e ferozes entre meus dedos. Vi suas lágrimas escorrendo enquanto fodia sua boca suja e a saliva lhe escorria pelo canto dos lábios. Molhando seios, barriga e coxas. Ela, ali, ajoelhada e presa aos meus caprichos. Bem onde eu queria que ela estivesse... aos meus pés.


Até a próxima quarta.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS]: Ela é puro êxtase

FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS
Coluna.





Por LOPES, Marianna.
Carioca 23.
Escritora.



Ela é puro êxtase

"... A sua roupa montada

Parece divertir

Os olhos gulosos
De quem quer lhe despir..."


- Barão Vermelho





CRIAR UM VINHO É muito mais do que engarrafar a clássica bebida, que rega sonhos, deleites, refeições e festas. Quando engarrafamos um vinho, colocamos todas as sensações, perspectivas e expectativas que queremos compartilhar com quem degustar tudo aquilo que queremos proporcionar.


SE LUKE DANIELS PUDESSE, engarrafaria o gosto da pele de Frances Donovan ou teria a fragrância de seu sexo quente e úmido. Mas há controvérsias... Será que ele gostaria mesmo que outros a tivessem ou experimentassem de tudo o que ela é capaz de fazer com cada parte de seu corpo? Ele nunca soube lidar muito bem com essa coisa de dividir. Talvez por não ter tido irmãos, sua família viver num local bastante isolada, apesar do público dos turistas no restaurante, na cidade; e seu temperamento forte demais para ter de lidar com as experiências e expectativas frustradas em relação à vida.

QUANDO ABRIU O RESTAURANTE, queria colocar ali não apenas o que mata a fome. Mas todo o afeto que se pode compartilhar com alguém através dos sabores. Podemos provar comidas, experiências, pessoas... Os sabores estão em toda parte. Os sabores estão interligados com aquilo que o você prova, seja num prato ou na vida, fazem com você. O quanto aquilo é capaz de despertar na mente e no corpo.
Luke sempre soube que preparar um prato ia muito além de apenas colocar sal e outros temperos. Fogo alto ou fogo baixo. Morno ou muito quente. Cozinhar é um ato, demonstração de afeto. Vai muito além de escolher o que vai preparar no almoço, no café ou no jantar. Não existe um padrão, uma ordem do que se deve comer. Mas se deve sempre saborear e preparar como se manuseasse algo de extremo valor. Modelar um diamante bruto e torná-lo algo que brilha diante dos olhos de quem o consome. 

FRANCES DONOVAN SEMPRE FOI CHEIA DE VIDA, anseios e ambições. Mudou-se cedo para a França. Para estudar. De família muito tradicional e religiosa. Nunca foi de simplesmente se contentar e se acomodar. Talvez por ter acumulado uma série de experiências um tanto ruins para alguém que sempre tentou enxergar o melhor do mundo. E foi daí que nasceu sua paixão pela cozinhar, especialmente pelos doces. Já que a vida era tão amarga, por que não adocicar o dia e o paladar das pessoas. Grande observadora do comportamento, baseou seus doces, seu modo de cozinhar, no que conseguia capturar da essência das pessoas nas praças, nos restaurantes, no dia-a-dia. Mas foi através do vinho que pensou chegar ao âmago. Ainda que muitos não gostem, o vinho revela muito de uma pessoa. Do seu gosto por comida, de como enxerga a vida. Os motivos que levam uma pessoa a comer certo prato e escolher o que vai beber está muito além da praticidade de matar a fome e a sede. O degustar é um prazer do qual nunca se deve abrir mão.

EM "PURO ÊXTASE", novo livro da autora Marianna Lopes (sim, esta que vos escreve toda quarta), explorar o paladar será a chave para desvendar os segredos e sabores de Luke e Frances. Envolvidos em aventuras deliciosas, os dois vão se deixar levar por algo que vai além daquilo que podem compreender. Então decidem abandonar as razões e apenas viver aquilo que um desperta de forma tão avassaladora no outro.

MAS O LIVRO ABORDA QUESTÕES, diria, polêmicas e pertinentes. Tão presentes no dia-a-dia de pessoas, às vezes, tão ausentes. A família, a amizade, as coisas que deixamos pelo caminho, os planos, as frustrações. De como a maneira que vemos as pessoas, às vezes, pode não ser a correta. Ainda que elas nos deem razões para tal coisa. Há aqueles que se escondem através daquilo que se pode ver. Mostra como a Literatura Erótica não se trata apenas de sexo, mas de como o sexo está presente e tem relação com aquilo que somos. Como os gostos e os sabores, na cama, no restaurante, na vida tem relação direta com a nossa essência.

FRANCES VEM AOS EUA a trabalho e aproveita para rever as primas, Adrienne e Haley, com quem não tem contato pessoalmente há muitos anos. Desembarcando em Jacksonville ela tem também, como obrigação, dar inícios aos trabalhos de avaliação do vinho de um famoso chef da cidade, Luke Daniels, que não é conhecido por ter um temperamento fácil e ser um cozinheiro fácil de lidar. Exigente e de gênio forte, mesmo assim Luke acaba por contrariar as expectativas daquilo que se lê nas revistas e se vê nos programas de televisão.

EM BREVE, você vai conferir o desenrolar e o desfecho desta história cheia de surpresas. Enquanto isso, você pode acessar o site, seguir no instagram, snapchat... Todas essas informações, você encontra ao visitar e curtir a fanpage no Facebook (@puroextaselivro: https://www.facebook.com/puroextaselivro/) e ficar por dentro das novidades e de toda construção da obra.

Até a próxima quarta.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

[Enflorar Literário] E estamos de volta!



Voltar, segundo o dicionário, significa: REtornar, REgressar, REaparecer, REtomar, REconquista, REaquisição. Nossa coluna (Enflorar Literário) está de volta! ^^
E não só por isso, mas também por isso, iremos falar como a nossa escrita, é tão influenciada pelo o que já foi escrito por alguém.
Na literatura é algo gritante! Mesmo estando (e principalmente estando) na fase contemporânea da nossa literatura, somos muito "parecidos" ou idênticos as fases de outrora. O lado bom de tudo isso é que temos a possibilidade permear o realismo, romantismo, o purismo, naturismo, arcadismo, barroco... Tudo isso... Tudo junto... ou nada disso! O nosso replay hoje, é o que ostenta a nossa LIBERDADE POÉTICA dizendo que podemos tudo isso.  A verdade é que somos resultância de tudo o que já lemos em algum momento, seguimento do que é falado nas ruas, nas redes sociais, nas mídias. E isso é ótimo! É um sinal de que conseguimos absorver tudo o que de bom nos foi oferecido LITERALMENTE falando. Agregar, transformar, dar uma cara nova, reutilizar, repaginar. Todas essas palavras tão comuns a nossa geração, nada mais é que dizer: Bora apertar o replay!É o que proponho para hoje...                                             O nosso prato do dia!
Mariane Helena

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Enflorar Literário - #SomosTodosContemporâneos

O conceito de literatura contemporânea é muito amplo, e pouco especifico. Na verdade tudo que foi publicado após o período do modernismo (década de 60) é considerado literatura contemporânea.Imagine que nossa literatura atual é um barco e seus tripulantes sejam,  romancistas, realistas, modernistas e vanguardistas, tudo isso ajudou a compor o vivenciamos hoje. Ao pé da letra a literatura contemporânea é focada na vida urbana e em todos as suas características: a solidão, a violência, as questões políticas, controle da mídia, etc. Mas acredito, que nós, contemporâneos podemos navegar por todos os "mares" dantes já descobertos. Viver todos os movimentos, fazer um mix e criar, ré-criar, inventar um novo jeito, apresentar um novo olhar, o diferente é o atual!Desejo que todos nós tenhamos o mesmo espírito inovador de Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Adélia Prado, Ferreira Gullar, Manoel de Barros, e tantos outros que no seu tempo fizeram a diferença.


Mariane Helena