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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS] EVA


Fio Dental. Cigarros e Tragos. Coluna.

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.


EVA.

Eva foi expulsa do Paraíso por comer do fruto proibido. Mas na Erotika Video Awards (EVA) o proibido ganha espaço, admiração e prêmio. Criada pela Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (ABEME), em 2009, contando com 21 categorias, é considerada o prêmio máximo do cinema pornográfico brasileiro. Em seu segundo ano, reuniu fãs, diretores, atores e outros profissionais deste Mercado por dois fins de semana consecutivos nos pavilhões da Expo Mart Center, em São Paulo, não apenas para a entrega dos prêmios, mas para exibições e workshops.


Mas, como tudo o que é bom dura pouco, a premiação foi descontinuada depois da segunda edição. Entretanto isso não impediu que o Mercado Erótico, que, naquela época, apresentava um crescimento de 15%, continuasse em ascensão no decorrer dos anos. Entre filmes e brinquedos vendidos nas mais criativas (sim, porque o vendedor tem que alimentar a criatividade do cliente e mostrar por que vende um peixe melhor) lojas de sex shop, arrecada a partir de um bilhão só no Brasil.
E se naquela época já estávamos nesse pé sem tantas inovações - ainda estavam surgindo os animais como vibradores, uma linha moderna para o público gay - imaginem agora com o crescimento até mesmo da compra de livros com o tema?
As pessoas estão se libertando mais e aceitando melhor até mesmo a Literatura. Ainda que haja o velho e "bom" preconceito. As últimas pesquisas apontam o crescimento na compra e produção de Literatura Erótica. Os escritores estão se sentindo encorajados a liberarem suas obras. E isto, claro, abre espaço para outras áreas, quando as pessoas, que leem, que gostam de inovar, que passam a conhecer o Mercado, buscam brinquedos, casas de swing, vídeos.

A diversão é para todos.
Um pouco de luxúria não faz mal a ninguém.
Experimentem e ousem sempre.

Até a próxima quarta.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS]: Um conto de êxtase


Fio Dental.Cigarros. E. Tragos. Coluna

Por LOPES, Marianna

Carioca, 23.

Escritora.


Um conto de êxtase.
O que você faria se recebesse um convite misterioso no meio da noite por debaixo da porta?

Amelia, uma jovem francesa, não é conhecida por seu lado sentimental. Sempre racional e prática, ela não se nega aos prazeres da vida, mas pensa que já não se fazem mais prazeres como antes. Ainda que tudo seja muito divertido, o que é, de fato novidade? O que é, de fato, diversão? O que é, de fato, prazer? Será que não nos deixamos levar pelo que é bom e nos esquecemos do ótimo, do realmente bom? Será que a monotonia não nos vicia naquilo que gostamos de forma a acharmos que é realmente agradável? Este e outros questionamentos rondam a cabeça de Amelia ao longo do caminho de encontro ao desconhecido. Rumo a um jogo perigoso de sorrisos, olhares e pernas. Sem pudor, sem julgamentos e, principalmente, sem regras. O que você faria pelo desejo? O que é prazer? Até onde iria pelo seu prazer? Será que existe um limite? E se você não soubesse das regras e não conhecesse o pecado? Abandonar o que conhece é a chave para viver esta aventura, mas ao mesmo tempo pode ser um preço alto a se pagar por respostas.

Meu novo conto já está disponível, em versão ebook, na Amazon.
Renda-se, você também, a "Um conto de êxtase".
Na lista dos 100 mais vendidos.

Até a próxima quarta.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS]: Negócio da China


FIO DENTAL.CIGARROS.E.TRAGOS.COLUNA

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23
Escritora


Há alguns anos, o governo da China fez um plano de contenção para controle de crescimento populacional. Os casais podiam ter, no máximo, dois filhos. O país sofria com a superpopulação. Além dos novos, a expectativa de vida no país é demasiado alta. Ou seja, também há boa parte da população na linha entre adultos e idosos. Com isso, foi preciso barrar um dos lados para que não tivessem tantos outros transtornos além do crescimento desenfreado.
Mas a modernidade e o pensamento livre também chegaram ao outro lado mundo, principalmente os ideais femininos para escolherem desde o seu modo de vida ao parceiro com quem querem dividir momentos ou a própria vida. Todo ano, elas vão as ruas com objetos lembrando órgãos sexuais masculinos e femininos, além de outros objetos eróticos, para pedirem por mais liberdade de escolha, para terem mais voz. Concordando que a sexualidade é tão essencial quanto qualquer outro aspecto para a boa vivência, para a formação do indivíduo, para as relações com a sociedade. Estar certo daquilo que quer, poder escolher e ser respeitado pelo outro de acordo com o que cada um deseja para si.
Sendo assim, as meninas decretaram que não querem casar. Sim, foi isso mesmo. Elas querem curtir. Logo, o Mercado entrou nessa onda de renovação e disponibilizou novos produtos e serviços no setor erótico para quem está a procura de diversão, prazer, encontro casuais. Bem como aquela companhia para jantar ou até somente para dormir junto. A maior procura? É a dos homens. Por causa, não chamemos de greve, mas de contra-reforma, das mulheres, nossos companheiros do sexo masculino estão recorrendo aos mais variados e modernos serviços eróticos.
Você pode, por exemplo, como fã de anime e outros desenhos chineses, pedir um acompanhante vestido de seu personagem favorito. Pode ir a um clube de companhia. Só para conversar. É preciso respeitar as regras. Em alguns lugares, é proibido tocar. Você chega, pede um drink, conversa e vai embora. O serviço de acompanhante para dormir também está disponível. Você solicita alguém para lhe fazer companhia na hora de tirar aquele sono. Não há limites para a imaginação. Os chineses não são conhecidos pelas limitações.
Um belo exemplo disso, são coisas mais bizarras de clubes mais selecionados no quesito fetiche. Há clubes em que o convidado é levado a uma sala, amarrado e espancado. Tudo pelo prazer. O prazer da dor. Perturbador. Para quem não curte. Mas para quem está aberto a todos os limites do corpo, da mente e do prazer... é uma sessão orgástica de socos e até pauladas. Há filmes que relatam este tipo de coisa. Um deles, mostra uma competição em que os participantes tem que gozar até o fim da rodada, amarrados a cadeiras, apenas olhando as cenas eróticas mais bizarras. Quem não goza, morre.
Mas o que mais pode te deixar sem tesão (talvez) é o fato de que ele ao final de algumas sessões, depois que já espancaram e fizeram tantas outras coisas, o parceiro defeca no outro e um deles até come as fezes, se lambuza. Bom... confesso que meu estômago também fica embrulhado só de imaginar.
Mas é como diz aquele ditado, né?
"Tem maluco para tudo".

Até a próxima quarta.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS] Uma dose de whisky e hobby de seda


FIO DENTAL CIGARROS E TRAGOS. COLUNA.

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.

Uma dose de whisky e hobby de seda

Ele chega cansado demais de outro exaustivo de trabalho. Faz o mesmo ritual de sempre mecanicamente. Bate a porta ruidosamente, tira os sapatos e os joga num canto por ali, retira as meias e solta um gemido de alívio exercitando os dedos e o restante dos pés, joga o molho de chaves em cima da mesinha, coloca a pasta de couro marrom e o paletó azul marinho em cima do sofá e vai em direção ao bar.
Quatro pedras de gelo e Ballantine’s. Duas voltinhas e a bebida ainda nem parou de girar, mas já dá o primeiro gole. Olha o vizinho assistindo aos Yankees2, pela janela; ouve latidos ao longe na rua silenciosa e desliga a luz. Hora de finalizar o dia subindo as escadas e escutando as últimas sobre a queda do dólar, enquanto se banha. Mas hoje a rotina lhe parece insuficiente e a vida, muito parada. Um tanto quanto vazia e monótona.
Na sala de jantar, deposita o copo na mesa de madeira sem se importar em queimá-la. Larga-se na cadeira, pernas esticadas, mãos cruzadas atrás da cabeça e fica observando o nada. A claridade entrando pelas brechas da persiana. Sente seus dedos lhe subindo as costas, as unhas roçando em sua nuca e chegando à ponta dos cabelos. Ela abre e fecha as mãos em seus ombros. Ele suspira, relaxando. Segura seus braços e a faz passar para seu lado. Leva o rosto e o alisa em seu hobby de seda vermelha, tira o nó mal feito do cinto e beija sua barriga. Mordisca de um lado a outra na linha acima da borda da calcinha sentindo sua renda roçando no queixo.
Ele tem seu peso em suas pernas. Ela pega o copo e toma o último gole do whisky. Ousada; ninguém toma no mesmo copo que ele. Ainda mais daquela bebida que ele mais gosta… E ela bem sabe. Ele fita sua boca repuxada num largo sorriso cheio de sugestões e retribui com outro preguiçosamente cafajeste. Ela abre sua camisa vagarosamente olhando para baixo; talvez para sua aparente ereção só de estar em sua presença. Ele acaricia suas coxas dando leves apertões próximos às virilhas e os joelhos. Ela envolve seus olhos com uma venda que retira do lado esquerdo da calcinha e se lança em cima dele para amarrar suas mãos atrás da cadeira. De calça aberta, ele sente o calor de seus seios e seu tronco enquanto tem sua língua lhe passando pela orelha. Ela usa as unhas novamente e a boca, arranhado entre os pelos do peito e chupando seus mamilos.
Ele está com garganta e a língua secas. Cheio de uma louca vontade de não apenas beijar os lábios entre as pernas dela. Ouve um tilintar e depois… gelo em seu corpo. A sensação é prazerosa. Uma leve ardência por seu corpo quente em choque com o pedaço congelado e a sua língua lambendo aquela água pela superfície de seu pescoço e ombros. Ela pega outra pedrinha e chupa a ponta de pênis. Agora a sensação é de dormência à medida que água escorre pelo membro até os testículos. Ela repete com as outras duas restantes no copo e começa uma sessão oral que o leva a loucura de mãos atadas querendo se soltar e agarrá-la pelos cabelos. Mas se contentava em sibilar e chamar seu nome, que lhe soou extremamente peculiar no meio daquela sala vazia na casa antes sem sons.
E ela, de repente, para quando ele começa a pulsar e pulsar e pulsar… Fica nua e o deixa ver de novo. Desata suas mãos e ele não se demora na pegada. Agarra-a pela cintura, vira-a de costas e a encosta na mesa. Puxa seus cabelos de maneira a deixá-la com o ouvido encostado em sua boca e então diz: “Minha vez de brincar com você agora”. Ela se vai se abaixando voluntariamente e se apoia nos cotovelos. Ele introduz-lhe o pênis sem cautela e com violência. Ouve-se o som dos músculos de suas coxas batendo contra os das nádegas dela e a madeira rangendo e os pés da mesa arrastando-se no chão. Ela se sente invadida, violada… E como isso lhe agrada. Ela geme quando ele lhe agarra e lhe aperta os seios e investe em fortes estocadas.
Ela, agora deitada, tem suas pernas levantadas e os pés se cruzam em sua nuca. Ele veste o pênis com as carnes de sua vagina que se contraem e se relaxam e vez em quando lhe beija os joelhos e lhe dá uns tapas na coxa, nas nádegas e na cara.
Em sua boca, ele sente o gosto do líquido dela depois que irrompe da vagina e o espalha com a língua pelo clitóris e os lábios. Ele a faz ajoelhar-se e se agarrar a suas pernas e assim permanecer até que ele acabe. Masturba-se com ela mordendo os lábios, esperando ansiosamente.
E finalmente libera a porra por todo seu rosto e ela se lambuza e lambe e lhe chupa a cabeça do membro.
Ele desperta. Em pé no bar. O gelo derretido aguando o whisky. Aquilo lhe irrita um pouco, porém não se detém em voltar seu pensamento para aquela mulher que tinha por costume visitar seus sonhos. Ele a havia visto apenas uma vez, cruzando a rua. As longas madeixas ruivas em camadas pendendo até o meio das costas, os olhos escondidos pelos óculos escuros grandes, pernas e braços muito brancos compridos, os lábios envolvendo a borda do copo da Starbucks3. Bastou parar no sinal e vê-la atravessar no meio do caos do trânsito infernal da velha e boa Nova York e nunca mais se esqueceu daquele rosto. Ele a queria, a desejava. Sua boneca de luxo para que pudesse morrer nos prazeres que ela lhe daria e fazê-la lambuzar-se dos prazeres que ele queria e, com certeza, iria lhe dar.

Mas só o que ele pode fazer é ir de degrau em degrau ao quarto. Relaxar num banho quente, lembrando-se do vislumbre de sua face de porcelana e esperando por sua visita enquanto estivesse de olhos fechados e consciência anestesiada.

Até a próxima quarta.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS] Caprichoso

Fio Dental, Cigarros e Tragos.Coluna
Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.

CAPRICHOSO


ACENDO OUTRO CIGARRO...
... Solto a fumaça. E ela desaparece na noite quente de outro verão qualquer. Os idiotas soltam fogos e gritam, bêbados, na rua. As buzinas ecoam alto em meus ouvidos, entre os prédios, dobrando a esquina. Outro trago. Olho para o cinzeiro em cima do mármore do cercado da varanda do quarto de hotel caro. Deve ser o décimo. O centésimo. Não importa. O que vai me matar está deitado na cama entre sangue e lençóis brancos de algodão. Tem um perfume gostoso de flor e adora um pau entre as coxas para quicar. As algemas ainda estão no chão junto as roupas rasgadas e amassadas. Meu corpo ainda estremece com sensação daquele amor primitivo, selvagem... doentio.
Que tipo de idiota eu sou? Um tipo ridículo de suicida moderno. Que se vicia em curvas e dedos que se afundam em minhas costas e me sangram. Curvas sinuosas e proibidas. Que deseja o que não pode ter e prova, assim, do velho e bom fruto proibido. Sem pudor, sem vergonha. Ao invés de dar logo um tiro na própria cabeça.
Mas o sangue escorrendo escorrendo pelas feridas que suas unhas me causaram são a única maneira de não deixar que a loucura anule todas aquelas lembranças. Ela era real. Nós éramos reais. Eu não a inventei ou sonhei. Nem toda aquela nossa história. E a dor não me permitia acreditar que tudo não passou de mera invenção. 
Minha loucura não poderia ter chegado a esse ponto antes mesmo que tivesse percebido o quanto sou insano. Tive seus cabelos vermelhos e ferozes entre meus dedos. Vi suas lágrimas escorrendo enquanto fodia sua boca suja e a saliva lhe escorria pelo canto dos lábios. Molhando seios, barriga e coxas. Ela, ali, ajoelhada e presa aos meus caprichos. Bem onde eu queria que ela estivesse... aos meus pés.


Até a próxima quarta.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS]: Entre Lençóis.

Fio Dental, Cigarros e TragosColuna

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.



ENTRE LENÇÓIS.

Não era nada além de um prédio bem simpático de tijolos e trepadeiras secas. Um dos muitos que Seattle tinha neste estilo. Numa rua calma com alguns cafés e lojinhas. Mas a noite estava chegando. O expediente estava acabando e todos voltavam para suas casas. O centro da cidade não era mais tão interessante. A vida noturna tem destino certo. E ainda que tudo parecesse muito animado com tantas luzes reverberando a beleza singular da cidade, era meio sombrio passar por aqui após o anoitecer.
Conferi novamente o endereço para saber se estava no lugar certo. A porta de garagem de metal pintado de preto tinha uma portinha leve e menor no meio. Tropecei na hora de entrar, mas porque ainda não sabia se seguiria pelo corredor mal iluminado ou se sairia correndo.
Bati a porta e tranquei com a chave já deixada na fechadura.
As poucas luzes fluorescentes que piscavam me conduziam através de paredes cinzas e caixas de madeiras meio cobertas por um tecido de algodão fino e branco.
Outra porta.
Agora era mais convidativo. As paredes de vidro nos fundos mostravam um jardim decorado com flores um tanto coloridas, mesinhas e cadeiras de ferro. Um grande salão repleto de mais daquelas caixas, lâmpadas piscando, tubos pretos no alto, ao redor, e uma escada lateral. Com uma gravata pendurada no corre-mão gelado.
Ele estava lá.
Pus os pés degrau a degrau. Contando cautelosamente os passos até o andar de cima. Nada além de um sofá pelo que consegui ver de uma das pequenas salas sem portas. Ainda inacabadas, tijolos a mostra e massa branca. Meus passos me levaram, é claro, até onde tinha luz - ainda que pouquíssima, vinda de umas três ou quatro velas grudadas no chão - e parecia confiável.
De trás do sofá, de repente, surgiu um brilho que me deixou cega por alguns instantes. Mas aos poucos meus olhos conseguiriam distinguir as sombras que se formavam perto das janelas do chão ao teto.
Sentado numa cadeira de madeira de mogno ao lado de uma mesa quadrada, onde estava um projetor, perto de uma das saídas para a varanda, Richard vestia calça social e sapatos pretos. As pernas cruzadas.Os cabelos livres de todo o gel, caindo em ondas brilhosas, que dançavam na luz fraca. As mangas da camisa branca dobradas até os cotovelos pousados num dos braços da cadeira. Os botões abertos até a metade do peito. Os músculos se desenhando embaixo da camada de pelo.
Seus olhos escureceram aos encontrarem os meus. Mas novamente faiscavam dezenas de emoções confusas e avassaladoras.
- Pensei ter dito que não usasse nada. - disse - A menos que esteja nua debaixo desse sobretudo, vai sofrer as consequências.
Engoli em seco. Mas tentei não deixar transparecer que segui suas ordens sem questionar ou hesitar.
Ele apertou um botão num controle remoto, baixando uma tela de projeção na parede atrás de mim. Ligou uma música em algum lugar perto de nós.
- Dance para mim. - pediu.
Eu o encarei. Dei um sorriso meio jeito.
- Não sei dançar. - eu disse.
Ele me deu um daqueles sorrisos tortos que eu adorava.
- Feche os olhos... - ele disse.
Não me movi.
- Feche o olhos, Sugar. - repetiu.
Sua voz era calma, quase parte daquela música.
Fechei os olhos.
- Sinta as batidas. Deixe que tomem conta de você. Deixe que seu corpo responda ao chamado delas. - ele disse.
Lento. Lento. Lento. Rápido. Lento. Lento. Intenso.
O ritmo chega aos meus pés. Sobe como um sopro pelas minhas pernas. Aquece a parte interna das minhas coxas. Desperta as borboletas em minha barriga. Envia um calafrio através de minha espinha, endurece meus mamilos. Eriça meus pelos.
Não me dou conta de quando começo a mexer meus quadris. Mas já estou ali indo de um lado para o outro. Seguindo o que a música me diz. Subo as mãos desde os joelhos até poder sentir o calor em minha nuca. Solto meus cabelos.
Abro os olhos. Richard, agora relaxado no sofá, me encara com aquele olhos negros, dizendo tudo o que seu corpo me revela com a ereção saltando de suas braguilha aberta. Desfaço o nó do sobretudo. Ele se levanta e caminha na minha direção. Passa os dedos pela minha cintura e se coloca atrás de mim. Posso senti-lo duro contra a minha bunda e sua respiração alta em meu ouvido. A barba roça em meu pescoço, me dando arrepios. Seus lábios percorrem minha orelha, enquanto suas mãos afastam o sobretudo. Deixando-o cair no chão.
Vai me girando devagar até que nossos olhos possam se encontrar novamente. Chupa meu queixo, meu lábio e procura minha língua com a sua. Quente e voraz. Seus dedos brincam com as linhas da minha bunda, quadris, ombros.
Abro os botões restantes de sua camisa e tiro sua calça. Mas ele me impede de ir além da barra da cueca com o bordado Calvin Klein. Joga a calça e meu sobretudo para o lado e me convida para dançar com ele, usando as coxas, os braços firmes, o beijo suave e o pau pulsando atrás do tecido.
Me encosta na tela e me olha por um longo instante. Observando meus mamilos duros, os lábios secos procurando por mais, os pelos eriçados. Me coloca entre seus braços e me beija novamente. Apertando minha cintura. Leva os lábios até a parte quente e úmida entre as minhas pernas. Que latejava e doía a espera de sua atenção.
A ponta da língua sobe e desce no meu clitóris inchado. Coloca um, dois, três dedos para dentro de mim e mexe devagar procurando aquele ponto perfeito. Fecha os lábios ao redor da minha boceta e chupa com força. Sem parar. Não consigo mais conter os gritos. Mas só estamos nós, aquela sala cheia de caixas e a vista deslumbrante de Seattle do outro lado dos vidros das janelas. Entre nós não há espaço para pudores. Somos sujos, somos devassos. E, sim, é assim que eu gosto. Oh, sim... Como gosto! Como quero!
- Não pare... - sussurro de repente. Numa frase entrecortada que escapa pela minha garganta seca de desejo.
Ele investe com os dedos. Rápido e mais rápido. Com a boca, com a língua. Meus pensamentos se embaralham na minha cabeça. Mal consigo me lembrar onde estamos, como fomos parar ali e quem somos nós. Quem eu sou. Mas não me importava. Desde que eu fosse para ele. E com ele. E para ele. Assim. Do nosso jeito. Daquele jeito.
Me ergue facilmente em seus braços e me põe deitada no sofá. Aproxima o quadril do meu rosto e eu já sei o que ele quer. Me dar do meu gosto em seu pau tão duro e quente. Ele pulsa algumas vezes em minha língua, mas eu não o deixo ir. Minha boca o segura e o mantém ali. Gemendo, bagunçando meus cabelos. Perdendo o prumo.
Até que assume o controle novamente, afasta minhas pernas e mete de uma vez só bem lá naquele ponto maravilhoso. No fundo. No mais fundo. E não para até que me aperto contra seu pau, seu corpo escorregadio, e ele urra mais vez antes de gozar comigo. Larga seu corpo em cima do meu, ofegando. Planta beijinhos em meu pescoço e meus lábios. Até se deixar cair no chão.
Ficamos ali, suados, em silêncio. Entrelaça os dedos nos meus e eu me pergunto o que estamos fazendo. E pela primeira vez, a pergunta não se vai. Se demora ali e fica pairando no ar junto com nossos perfumes se misturando com o cheiro do sexo.


Até a próxima quarta.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS]: Ela é puro êxtase

FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS
Coluna.





Por LOPES, Marianna.
Carioca 23.
Escritora.



Ela é puro êxtase

"... A sua roupa montada

Parece divertir

Os olhos gulosos
De quem quer lhe despir..."


- Barão Vermelho





CRIAR UM VINHO É muito mais do que engarrafar a clássica bebida, que rega sonhos, deleites, refeições e festas. Quando engarrafamos um vinho, colocamos todas as sensações, perspectivas e expectativas que queremos compartilhar com quem degustar tudo aquilo que queremos proporcionar.


SE LUKE DANIELS PUDESSE, engarrafaria o gosto da pele de Frances Donovan ou teria a fragrância de seu sexo quente e úmido. Mas há controvérsias... Será que ele gostaria mesmo que outros a tivessem ou experimentassem de tudo o que ela é capaz de fazer com cada parte de seu corpo? Ele nunca soube lidar muito bem com essa coisa de dividir. Talvez por não ter tido irmãos, sua família viver num local bastante isolada, apesar do público dos turistas no restaurante, na cidade; e seu temperamento forte demais para ter de lidar com as experiências e expectativas frustradas em relação à vida.

QUANDO ABRIU O RESTAURANTE, queria colocar ali não apenas o que mata a fome. Mas todo o afeto que se pode compartilhar com alguém através dos sabores. Podemos provar comidas, experiências, pessoas... Os sabores estão em toda parte. Os sabores estão interligados com aquilo que o você prova, seja num prato ou na vida, fazem com você. O quanto aquilo é capaz de despertar na mente e no corpo.
Luke sempre soube que preparar um prato ia muito além de apenas colocar sal e outros temperos. Fogo alto ou fogo baixo. Morno ou muito quente. Cozinhar é um ato, demonstração de afeto. Vai muito além de escolher o que vai preparar no almoço, no café ou no jantar. Não existe um padrão, uma ordem do que se deve comer. Mas se deve sempre saborear e preparar como se manuseasse algo de extremo valor. Modelar um diamante bruto e torná-lo algo que brilha diante dos olhos de quem o consome. 

FRANCES DONOVAN SEMPRE FOI CHEIA DE VIDA, anseios e ambições. Mudou-se cedo para a França. Para estudar. De família muito tradicional e religiosa. Nunca foi de simplesmente se contentar e se acomodar. Talvez por ter acumulado uma série de experiências um tanto ruins para alguém que sempre tentou enxergar o melhor do mundo. E foi daí que nasceu sua paixão pela cozinhar, especialmente pelos doces. Já que a vida era tão amarga, por que não adocicar o dia e o paladar das pessoas. Grande observadora do comportamento, baseou seus doces, seu modo de cozinhar, no que conseguia capturar da essência das pessoas nas praças, nos restaurantes, no dia-a-dia. Mas foi através do vinho que pensou chegar ao âmago. Ainda que muitos não gostem, o vinho revela muito de uma pessoa. Do seu gosto por comida, de como enxerga a vida. Os motivos que levam uma pessoa a comer certo prato e escolher o que vai beber está muito além da praticidade de matar a fome e a sede. O degustar é um prazer do qual nunca se deve abrir mão.

EM "PURO ÊXTASE", novo livro da autora Marianna Lopes (sim, esta que vos escreve toda quarta), explorar o paladar será a chave para desvendar os segredos e sabores de Luke e Frances. Envolvidos em aventuras deliciosas, os dois vão se deixar levar por algo que vai além daquilo que podem compreender. Então decidem abandonar as razões e apenas viver aquilo que um desperta de forma tão avassaladora no outro.

MAS O LIVRO ABORDA QUESTÕES, diria, polêmicas e pertinentes. Tão presentes no dia-a-dia de pessoas, às vezes, tão ausentes. A família, a amizade, as coisas que deixamos pelo caminho, os planos, as frustrações. De como a maneira que vemos as pessoas, às vezes, pode não ser a correta. Ainda que elas nos deem razões para tal coisa. Há aqueles que se escondem através daquilo que se pode ver. Mostra como a Literatura Erótica não se trata apenas de sexo, mas de como o sexo está presente e tem relação com aquilo que somos. Como os gostos e os sabores, na cama, no restaurante, na vida tem relação direta com a nossa essência.

FRANCES VEM AOS EUA a trabalho e aproveita para rever as primas, Adrienne e Haley, com quem não tem contato pessoalmente há muitos anos. Desembarcando em Jacksonville ela tem também, como obrigação, dar inícios aos trabalhos de avaliação do vinho de um famoso chef da cidade, Luke Daniels, que não é conhecido por ter um temperamento fácil e ser um cozinheiro fácil de lidar. Exigente e de gênio forte, mesmo assim Luke acaba por contrariar as expectativas daquilo que se lê nas revistas e se vê nos programas de televisão.

EM BREVE, você vai conferir o desenrolar e o desfecho desta história cheia de surpresas. Enquanto isso, você pode acessar o site, seguir no instagram, snapchat... Todas essas informações, você encontra ao visitar e curtir a fanpage no Facebook (@puroextaselivro: https://www.facebook.com/puroextaselivro/) e ficar por dentro das novidades e de toda construção da obra.

Até a próxima quarta.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS: EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA]: "Desculpem o transtorno, preciso falar de "Doce Veneno"





FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS
COLUNA.

POR Lopes, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.

Quando eu era criança, costumava rasgar revistas e rabiscar os livros. Pensando pelo lado bom, poderiam ser as paredes BRANCAS de casa. “Ufa!”, minhas avós devem ter pensado. Um belo dia, eu vi meu pai usando terno e gravata, sentado na cozinha da minha casa, lendo um bloco de folhas grandes, de um papel duro e cor engraçada, cheio de letrinhas pequenas e títulos grandes. Sim, era o jornal. Eu achava as revistas mais interessantes por serem mais coloridas e sedosas. Achei aquilo muito chic.
Apesar da pouca convivência com meus pais, eu sempre fiquei admirada com o tamanho do meu pai e a postura de magnata. Comecei a imitá-lo com aquele papel engraçado nas mãos, apesar de não entender absolutamente coisa alguma do que estava nele. Até que um dia, eu li. E descobrir o mundo através da leitura, poder olhar o mundo a minha volta de outra forma foi uma das melhores coisas que já me aconteceram nessa vida.
Devorei todos os livros da estante de casa. Até a minigramática. Coitada de mim quanto a isso, né? Mal sabia eu que inventariam no tal do Novo Acordo Ortográfico depois de todo o trabalho que eu tive.
Os livros sempre foram minha companhia. Não tinha muitos amigos, sofria bullying pelas roupas e pelo cabelo. Por andar sempre de braço dado com minhas avós, gostar de viajar, adorar cinema e literatura. Ficava ansiosa pela leitura em sala de aula e pela hora de fazer a redação. Participei de concursos, só tirava dez e não tinha a menor dificuldade em gostar das coisas relacionadas às línguas. Além do português, comecei a aprender inglês e depois espanhol. Até o fim da vida, pretendo falar também alemão, francês, italiano e quantas mais puder aprender.
Descobri que um primo estudou cinema. Um dos primeiros filmes que assisti, depois de todos aqueles clássicos desenhos da Disney, que toda criança tem que assistir, foi “Um drink no inferno” do Quentin Tarantino. E além de acabar me apaixonando por vampiros e outras coisas sobrenaturais, me apaixonei pelo Tarantino e todos os seus filmes. Os filmes também ajudaram a dar asas à imaginação junto com os livros. Eu era um misto de imagens, letras, sons e muita música. Cresci ouvindo Black Music e outros ritmos dançantes. Morrendo de amores por Nova Orleans, Aretha e Etta James. E até hoje, R&B, Jazz, Soul, Blues... embalam as vezes em que começo uma obra nova. Desde um simples testinho até o mais complexo dos romances.
Então comecei a escrever roteiros de cinema. Meu primo leu alguns. Participou de uma mostra de cinema com um documentário e eu já me imaginava ganhando o Oscar, enquanto ele me contava como era o universo do cinema. Um belo dia, em pé na cozinha da casa dela, minha mãe me perguntou por que eu não escrevia um livro. E eu disse a ela que eu não tinha a menor das capacidades de escrever livros.
Mas, “de repente, não mais que de repente”, eu, que tinha o meu mundinho, o meu infinito particular, que eu não dividia nem abria para ninguém, para onde eu fugia quando as luzes se apagavam ou quando eu colocava os fones de ouvido... comecei a esboçar as primeiras linhas de uma história que eu gostaria de viver. Eu, que me sentia um verdadeiro peixe fora d’água, tinha dificuldades de adaptação... Não foi difícil me ver como um vampiro no meio na multidão e falar da vontade de, um dia, viver um grande amor, como as outras pessoas, como nas histórias que lia.
Alden Blackerby surgiu na minha mente, nas linhas das frases de um documento em branco no Word. Junto com Darin Kenrickson e tantos outros personagens de nome difícil. Baseados em pessoas que eu conheci, conhecia e observava quando andava na rua, durante minhas viagens, na escola. A história, ambientada na Inglaterra, o país com o qual sempre sonhei, narrava a busca constante por aceitação de si mesma e do resto do mundo. Contava dos anseios sobre o futuro e sobre um sentimento um tanto forte, ainda desconhecido e complicado de lidar; o amor. Como alguém que parecia nascida para o amor, que havia conquistado tantas coisas, que nutria um carinho imenso pelas pessoas com quem convivia ao longo dos anos, tinha tantos fantasmas, demônios. Falava de alguém bem-sucedido, como eu queria ser. Pensava na grande mulher que eu queria me tornar. De um ser notório. De um ser que despertava curiosidade, inveja e que, na hora mais escura, sempre se deixava levar por seus inúmeros pensamentos e dúvidas.
Alden não foi tão difícil de construir. Adolescentes são sempre muito intensos e cheios de si. Ao mesmo tempo que são dramáticos e cheios de questionamentos. Bom, pelo menos ao jovens da minha época tinham anseios, ambições, sonhos. O mundo mudou muito desde que eu tinha 17 anos.
E naquele mesmo ano... Eu vi as páginas de “Doce Veneno” se unindo, ganhando um rosto e um assinatura depois do ponto final. Aos 17 anos, eu construí uma história que nunca sonhara em escrever. Graças aos conselhos da minha mãe, em pé na cozinha de sua casa, durante uma conversa num dia aleatório. Provando que ouvir conselho de mãe surte bons efeitos.
Agora, em 2016, seis anos depois do lançamento, a Editora Livros Ilimitados relançou a obra. Eu vi tudo de novo, chorei tudo de novo. Vieram todas as lembranças das noites que passei em claro e das horas que dedique, durante seis meses, a escrever Alden e Darin em suas aventuras para viver seu amor. Lembrei-me, também, dos rostos que duvidaram e riram. Dos desafios que cada um de nós enfrenta para realizar seus sonhos. E me sinto um tanto privilegiada por todas as coisas que a escrita me proporcionou. Graças à escrita, eu tive com quem desabafar. Graças aos livros, eu tive companhia.

Fazer Literatura é vencer preconceitos, superar os próprios limites, construir pontes ao invés de muros. Levar a palavra, dizer as palavras por quem ainda não pode. A Literatura liberta, revela, conforta, alegra, entristece. A Literatura está em cada um e todos de todas as formas. Ainda que alguns ainda não a tenham descoberto. A Literatura também faz parte dessa não descoberta e da eterna busca. Do eterno aprendizado. Isto é Literatura.

Até a próxima quarta.


PS: Se você ficou curioso e quer saber mais sobre “Doce Veneno”, curta a fanpage (@doceveneno) no Facebook e adquira já o seu.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

[COLUNA: FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS]: Um bar, uma caneta, meia dúzia de folhas, cem doses de whisky, um par de pernas e uma boca entre as coxas





Fio Dental, Cigarros e Tragos
Coluna.

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.

Um bar

    Uma caneta

         Meia dúzia de folhas

                Cem doses de whisky

                        Um par de pernas

                                                ...Uma boca entre as coxas


"Dizem às más línguas que eu não tenho coração... Bem, as más.
Porque as boas estão ocupadas com coisa muito mais interessante que o meu coração"

- TRAMELL, Richard



Já dizia Woody Allen: "As pessoas boas dormem melhor à noite. Claro, as más se divertem muito mais durante o dia". Um bar, uma caneta - que, na verdade, é um cotoco de lápis velho revestido com uma pasta dourada - meia dúzia de folhas de papel que vão ao chão porque a vista turva, depois de umas cem doses de whisky, não lhe deixa acertá-las na lixeira que parece estar tão distante. Só mesmo um par de pernas e um lugar quente e úmido entre as coxas para beber do líquido do deleite. E se arrepender amargamente de ser quem é, o que é e como é quando avista a luz de mais um dia e as máscaras se repõem. As pernas se vão e as bocetas também. Os cabelos sedosos, os perfumes doces, o cheiro de sabonete na pele.
Ninguém aceita um bêbado como CEO, mas, nessa vida, você descobre que ganha muito mais sendo um bom ator. Se esgueirando no baile máscaras, no meio da multidão dançando conforme a música num eterno carnaval em que os sonhos e desejos, o gozo pela vida, são jogados ao vento como confete e serpentina.
E no vaivém de rostos aleatórios, de risadas estridentes, olhares, sabores e segredos; a vida passa como água entre os dedos de quem só se importa com o agora. O agora que passa, do amanhã que vem. Qual é a graça de viver um dia de cada vez e se poupar dos excessos? Evitar a fadiga virou se acomodar com o estilo de vida mais adequado, que não fere, só fere, não chora, só chora, mas não ama, não trepa e não goza.
Desacreditar na verdade dita entre lençóis e dois ou mais corpos suados. Gozar por gozar. Transar por transar. Transar porque é legal sem saber o que é legal. Por que é legal? Você sente ou só finge que sente? Você sabe o que é sentir? Sexo não cura? Quem foi que disse tamanha sandice? Convenhamos, não há nada que uma boa trepada não resolva? Nem que seja por dez segundos. Afinal, você tem o resto da vida para se arrepender. Se você acha que não é cura, o arrependimento, está saindo com a pessoa certamente errada.
O errado cura mais que o certo. O errado ensina mais que o certo. Ainda que você não concorde, pare para pesar na balança quantas vezes você caiu e aprendeu a fazer a coisa certa. Amargurar-se dos tropeços é o seu grande erro. Se a pedra te fez cair, pegue-a e arremesse na cabeça de alguém.
A série "Fio Dental, Cigarros e Tragos" traz para você a histórias de Sugar Thiel e Richard Tramell dividida em três livros - Sugar, Salt e Pepper - e promete temperar sua leitura com o reencontro explosivo de duas pessoas com um passado marcado por escolhas erradas, arrependimentos, amarguras. Um presente repleto de cicatrizes, mudanças, responsabilidades e contas a serem acertadas. O que o futuro reserva é o segredo a ser revelado pelas páginas de um enredo do erótico ao pornográfico. Do certo ao duvidoso. Do amoroso ao que espuma de ódio.
Sugar é uma advogada de vinte e sete anos que volta a morar em Seattle após dez anos na Europa. Richard é o CEO do Tramell Residential Group, uma importante construtura de condomínios, casas e prédios residenciais - que herdou de seu pai. Os dois tem um passado sórdido e segredos que estão muito mais escondidos do que se pode imaginar. Os verdadeiros segredos podem não ser aqueles que se conhece. E se você descobrisse que a verdade não é a sua verdade, a verdade que você conhece? Dar uma chance a si mesmo pode ser a chave para desvendar os verdadeiros mistérios escondidos por trás de histórias desconhecidas e barreiras construídas ao longo de uma vida repleta de altos, baixos e consequências atrozes.
Richard Tramell tem uma vida um tanto... digamos, alternativa. De bar em bar, de copo em copo, de corpo em corpo, ele tenta ser aquilo que acha que realmente é. Alguém que perdeu as esperanças de ser alguém. Ele escreve algumas de suas experiências em algumas páginas, não para perpetuá-las. Mas para dizer a si mesmo que foram reais e tiveram algum significado. Ainda que ele não acredite. Enquanto Sugar agora segue em carreira solo depois de um longo tempo trabalhando para uma famosa firma de advogados da Inglaterra. Mas ela também deixa suas máscaras de lado em busca de um pouco de emoção. Em busca de algo que lhe foi arrancado, que lhe assusta ao mesmo tempo que a possui e a faz querer mais.
"Fio Dental, Cigarros e Tragos" é a nova forma de fazer Literatura Erótica. É a nova forma de ver a Literatura Erótica. Não apenas como uma porta para novidades no sexo, mas também para assuntos pertinentes, como traumas psicológicos, relacionamentos abusivos, descoberta da sexualidade, estar bem-resolvido consigo, conflitos de interesses, jogos de intrigas, relações familiares, amizade, amor, ambição. É o realismo chocante e despudorado de: por que devemos nos esconder?
O sexo pode não resolver tudo, pode não curar tudo. Mas será que não é o sexo, a intimidade, o toque, o olhar, o vaivém dos quadris que pode ser uma das chaves para nos encontrarmos conosco e com o que deixamos pelos caminho? Será que não é a hora de pararmos de tratar Literatura como apenas Literatura e sexo como apenas um ato para suprir as necessidades. Ou será que devemos encarar o sexo com uma necessidade normal do ser humano e parar de tratá-lo como tabu? Como algo que deve ser mantido entre quatro paredes e nada mais?
Ter a liberdade de assumir o que gosta e quem gosta, como e quando gosta está longe de ser contar a vida em detalhes, mas ser astuto para observar, entender, interpretar, compreender, saber tocar, saber até onde vai, quando parar. Esse é o sexo bom. Sexo só é bom quando é sujo. Quando se troca fluidos oral, fisicamente, através de olhares, palavras, sorrisos e pernas. Telefonemas, frases de duplo sentido, aquela passada básica pelo objeto de desejo como quem não quer nada. Parar de objetificar as pessoas e começar a usar os verdadeiros objetos nas pessoas. Um vibrador, um consolo, um plug... Tudo que possa estimular a boca, o paladar, o tato, os sentidos, os sentimentos, o prazer do outro. Entender que o prazer se completa e a diversão é sempre mútua.
Ler e deixar dogmas, dilemas, preconceitos e receios de lado. Olhar para os lados e deixar o título a mostra. Se alguém lhe perguntar do que se trata, diga "sexo" em alto e bom tom. De como o sexo une, separa, transforma e modifica as pessoas. De como alguém com quem nunca pensou se envolver pode lhe trazer lições que vão entre e além dos lençóis.

O primeiro livro, "Sugar", tem lançamento previsto para 2017. Depois que os leitores conferirem a história de "Puro Êxtase". Seguido de "Salt" e "Pepper". Richard Tramell já caiu no gosto, nos braços e encantos das leitoras com as partes da história disponibilizadas na internet na página da série no Facebook e no site. A série também tem espaço no instagram. Em cada uma dessas redes sociais, você encontra mais informações sobre a série, tem acesso ao link com a playlist do Spotify, fica por dentro de data de lançamento e conteúdos exclusivos. "Fio Dental, Cigarros e Tragos" é a minha primeira trilogia erótica. Nasceu de uma coletânea de contos eróticos, que pensava em lançar, até ler "23 noites de prazer", da Julianna Costa, autora brasileira já mencionada aqui na coluna, e ter a ideia de escrever um romance. Dentro daquilo que eu acredito que seja Literatura Erótica, Literatura e escrita, penso que será de grande impacto aos que me conhecem. Espero cativar os demais leitores. Que esta série seja tão significante para todos tanto quanto é significante para mim. Representa um grande amadurecimento literário, como escritora e como leitora.

Visitem e curtam a página da série no Facebook.
Deem uma olhada, também, no site.
Continuem acompanhando a coluna.

Até a próxima quarta.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

[FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS: COLUNA] O masculino e o feminino na Literatura Erótica





Fio dental, Cigarros e Tragos
Coluna.

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23
Escritora

O masculino e o feminino na Literatura Erótica


Depois de algum tempo longe, mas longe mesmo do Brasil... Estou de volta com a coluna. Os livros exigem que eu me ausente algumas vezes, mas prometo sempre voltar para vocês.

Com tantos assuntos sendo debatidos no mundo atualmente, não dá para negar que o mais forte é o da igualdade entre os sexos. Feminismo vs Machismo estão em constante conflito nas redes sociais, na tv, nos jornais e revistas. É certo que com tantas facilidades possibilitadas pela tecnologia há também um grande conflito de informações entre as duas correntes. Vemos muita vontade de discutir, debater, defender... e pouca gente sabendo realmente falar sobre o assunto. Há quem caia em constante contradição com aquilo que diz/defende. Há quem saiba o que quer e o que é. Sabemos que a grande verdade é que grande parte das pessoas não mais se informa de verdade acerca de um assunto. A internet é uma ferramenta poderosa, mas que pouquíssimas pessoas sabem como usar e/ou usam de forma correta/apropriada.
A Literatura é grande aliada na defesa de pensamentos e ideologias, principalmente em questões de gênero, políticas. As primeiras obras que surgiram na história, libertando as vontades, os pensamentos e a voz das mulheres causaram uma grande polêmica num período em que adultério era crime gravíssimo e divórcio era um forte divisor de águas entre quem era boa companhia ou não.
Há também quem ache que o autor, quando cria determinados tipos de personagens, concorda piamente com o comportamento dele. Então acabam por ignorar autor e obra. Na verdade, muito do que acontece com o personagem é apenas o retrato da vida real. O autor não foge disso. Mas o bom é poder manipular a história e dar o fim desejado ao bom e ao ruim.
Claro que não iremos concordar com todos os autores. Gostar de todos. Gostar de todas as obras daquele autor que gostamos. Porém, vale ressaltar que o popular e altamente tóxico se tornou muito cobiçado entre os fãs de literatura. Quero dizer, cada um vive e é feliz à sua maneira, mas até que ponto isso é realmente saudável? Usando "50 tons de cinza" como exemplo. Sim, por ser a obra mais recente e agora ganhando as versões para o cinema. Ana não apenas se apaixona por Christian e seu universo BDSM de "Uma linda mulher", mas abdica daquilo que é para viver em prol de seu amor. Desde que o mundo é mundo, os relacionamentos, as adaptações ao relacionamento geram grandes discussões entre as pessoas. Um pouco de abdicação, aprender a ceder, aprender a hora de parar, ser gentil, bondoso e compreensivo são os principais gestos para um bom relacionamento de acordo com todos, mas a variação desses gestos ainda causa grande polêmica.
Até que ponto ceder, abrir mão, ser submisso ao parceiro é bom. Será que é realmente bom? É realmente bom viver em anulação e se sentir feliz assim? Abdicar de sua vida para viver só para o outro?
Onde estão os complementos? Relacionamento é a soma de dois. É para completar aquilo que você é. A felicidade plena pode até ser impossível, pois isso requer uma perfeição que o ser humano não tem ou é capaz de desenvolver, mas conhecer a si e ser ciente do que quer e não quer já é um bom prato de entrada para um relacionamento saudável e, quiçá, feliz.
Talvez seja difícil pelas experiências já vividas e pelo sentimento pelo outro. Estar num relacionamento e continuar enxergando as coisas pelo lado de fora não é tarefa fácil. Não parece existir um campo neutro quando se vive a dois. Até mesmo porque não se pensa, na maioria das vezes, sozinho. Porém, ainda existe individualidade. E por isso a Literatura é tão polêmica, pois possibilita essa visão. Temos uma geração de leitores e autores que propõe este tipo de questão que antes era abafada pela rejeição a este tipo de assunto até pela situação em que vivia a sociedade.
Também a luta entre o masculino e o feminino para defender suas visões acerca de assuntos não apenas ligados ao relacionamento homem x mulher na vida amorosa contribui fortemente para o crescimento e o surgimento de histórias que propõe uma reflexão mais forte e profunda sobre o futuro dos gêneros e do que está ou não relacionado a ser homem e/ou mulher.

Até a próxima quarta.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

[coluna] FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS: Liberdade, Liberdade

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23
Escritora


FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS
Coluna.



Liberdade, Liberdade.




Leda e o cisne
Leonardo Da Vincci
A obra ao lado é do famoso pintor Leonardo Da Vincci. "Leda e o cisne" retrata a mulher como ela é. Sem todo aquele esteriótipo da mulher perfeita. Sem nenhuma dobrinha ou qualquer outra imperfeição. O encontro do imperfeito com olhos de cada um trouxe uma releitura dos conceitos que se tinha sobre as obras de arte. O que era conhecido como algo que exaltava o perfeito, o inalcançável foi convertido ao que os olhos cruzam todos os dias nas esquinas, nos campos, nas cidades, nos bares, nas lojas, nas ruas... mas se esquecem de perceber o quão belo é cada detalhe imperfeito do ser humano. Não apenas as mulheres, mas os homens, as construções, as formas. Tal perfeição está nos olhos de quem vê, de quem admira, de quem vê com ternura, de quem tem apreço, de quem sabe enxergar cada detalhe da vida transbordando ao redor. Não fomos modelados para sermos perfeitos. Somos perfeitos com cada imperfeição, porque não estamos neste mundo a passeio, mas para evoluirmos. É por isso que cada um foi moldado à sua maneira. E arte é principal forma de enxergarmos essas peculiaridades da vida e a singularidade de cada ser, cada lugar.
Madame Bovary
(livro)
Gustave Flaubert
Aproximar tal público desta realidade na Literatura talvez tenha sido o passo mais complicado. Dizer as palavras de forma clara, descrevendo lugares, personagens, ações gerou um choque ainda maior. Principalmente numa sociedade que julgava valores morais de acordo com o modo de vida de uma pessoa. O que se fazia entre quatro paredes e até o modo de pensar de uma pessoa poderia condená-la a anos de solidão ou até a cadeia. Principalmente as mulheres, que não tinham voz e viviam presas ao bel prazer dos maridos e dos olhares opressores dos demais. Adultério era crime, mas não fazia mal um homem ir a um puteiro e se deitar com outra que não fosse sua devotada e recatada esposa. A esposa não podia fazer o que as putas faziam: "isso era coisa de puta". Posições sexuais, orgasmos, gemidos? Coisa de puta. Foi preciso um pontapé na porta para que os valores fossem revistos. Ainda que nem todo mundo tenha evoluído tanto assim a ponto de entender que o que se faz no particular é problema único e exclusivo de quem faz. Enquanto os outros podem concordar ou não e apenas não fazerem igual, mas respeitar o direito do outro de querer sair e aloprar por aí. E vice-versa. A liberdade teve seu preço, uma vez que as pessoas não souberam aproveitar bem. Porém, ainda há uma forte luta para que os atrasados de plantão finalmente se libertem das correntes que os fazem SE atrapalhar, querendo atravancar e mandar na vida alheia. O outro não é obrigado a ser e a fazer o que você quer. A puta tem vontade própria. Mesmo que você esteja pagando, existem regras. O cara que sai com muitas mulheres pode não ser o galinha que você está pensando. Ele pode ser uma ótima companhia, uma cara que as mulheres gostam de ter por perto, mas que não quer se comprometer. O fato é que julgar ainda é o esporte preferido das pessoas. Por mais chato que o mundo esteja, as pessoas tem prazer em ficar apontado o dedo e censurando a vida alheia.
Especialmente no que diz respeito ao corpo. Em cada lugar do mundo, existe um tipo de corpo. Um tipo de cabelo, gosto, formato de pé, mão... Não se pode querer que as pessoas sejam exatamente como você espera que elas sejam. O corpo é modelado de acordo com o que é pra ser. Algumas pessoas jamais vestirão 38. Algumas pessoas que vestem 38 lutam para vestirem pelo menos um 40. Essa cobrança constante de perfeição atrapalha o melhor das relações. A pessoa perde tanto tempo tentando ser perfeita que se esquece de curtir os momentos que lhe são dados, as oportunidades. E, claro, perdem o melhor de uma liberdade que se demorou séculos para se conseguir.
Talvez por isso a evolução da Literatura, especialmente a erótica, nos últimos tempos. A popularização dos olhos castanhos. Já estávamos saturados daquele biotipo perfeito do loiro de olhos claros. Acabaram-se as mulheres magras e lisinhas. Agora o cheiro dos pelos pubianos é encantador as narinas. As curvas, as dobrinhas. Houve uma forte aproximação entre público e personagens. Personagens com problemas reais, que lembram muito os melodramas chatíssimos que temos no dia-a-dia. Nos mostram como é normal ter momentos de fraqueza mesmo quando se é forte o tempo todo. Fizeram com que as pessoas percebessem que não estavam sozinhas no mundo. Parece que finalmente os próprios autores se aceitaram e se enxergaram como mais que figura pública. Temos o resgate dos bons autores, que nos mostram o lado bom e ruim da rotina. Problemas banais, como matar barata e comer feijão de lata de validade vencida para não passar fome. Tomar banho de caneca, tirando água do balde, porque o hotel não era o que se esperava.
Já não se veem mais tantos problemas e soluções farônicas, mas dramas reais,relações reais. Gente de carne e osso. Claro que é permitido inventar e fantasiar. Claro que é permitido fazer com que se esqueça da realidade. Porém, até a fantasia ensina a lidar com o real. E isso se deve, também, aos livros. A maneira de se escrever. Cada autor é responsável por uma mudança interior ou exterior de um leitor.

Até a próxima quarta.