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domingo, 7 de maio de 2017

[Súmula de Domingo] Silêncio – Ana Cristina da Costa


Se o dia pede SILÊNCIO, então eu lhe darei, porque hoje é o Dia do Silêncio em prol da conscientização de todos males relacionados à poluição ao planeta. 

Hoje, eu me farei muda, ninguém ouvirá da minha boca um esbravejamento sequer, porque todos os meus gritos estarão vibrando em meu peito.

Estarei chorando de culpa por todos os papéis que joguei no chão, por todas as latas de refrigerantes que atirei pela janela do meu carro, por todos as guimbas de cigarro jogadas por peteleco por aí, por todos os sacos plásticos trazidos do supermercado, por todas as águas desperdiçadas no uso diário de casa, por todos os desodorantes e spray’s que usei contendo CFC (clorofluorcarbono), por não ter querido saber de que maneira tratavam todas as hortaliças trazidas para casa, tão lindas e brilhando diante dos meus olhos, por que não quis saber o motivo do sumiço das abelhas e vaga-lumes, e pelo aumento dos mosquitos em nossas vidas. Pode ser que eu tenha arrancado árvores em demasia, devastado florestas inteiras com incêndio e ganância e provavelmente eu deva ter feito barulho em demasia.

Por tudo que fiz ao meu mundo, darei a ele, a parcimônia de um monge no auge de sua compenetração, estarei serena tanto quanto o sono tranquilizador de um recém-nascido, me farei de paisagem em sua lenta atividade como a um sol no horizonte que se locomove imperceptivelmente.

O dia pede silêncio porque já fizemos muitos barulhos, muitas sujeiras e causamos a ele todos os tipos de bagunça.

Se ele clama uma pausa é porque já o fizemos dançar tantos sons desconhecidos, que sua esfera anda côncava.

Hoje façamos silêncio.

Emudeçamos ante uma provocação, respiremos.

Corram, movam-se, mas não gritem, não esbravejem, aproveitem o silêncio para principalmente gritar com vocês mesmos, façam acontecer seus protestos aí dentro, briguem, reflitam para que não maculem ainda mais a nossa casa, o nosso planeta.

Cuidemos, pois, de casa, façamos hoje uma grande faxina. Penduremos o manual de reciclagem e ao comprar algo tenhamos consciência de que somos responsáveis por nossas embalagens, infelizmente não por sua criação, mas por seu descarte. Claro que nossas ações não se fazem sozinhas, são necessárias conscientizações de tantos segmentos, mas que isso não nos congele, somos um, mas o mundo anda cheio de unidades aguardando para que unidos formemos a grandeza.

“O exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra”. William James

domingo, 9 de abril de 2017

[Súmula de Domingo] Guerra e Flores!!! – Ana Cristina da Costa

Hoje não falarei de guerra, direi das flores que enfeitam a vida e a morte. 
De certa forma falo sim de guerra, mas de propriamente de batalhas travadas ao longo da existência humana.
As travamos constantemente sejam internas, com nossos fantasmas ou com o outro, nosso par, nosso irmão, nosso vizinho. Brigamos e queremos nossas vontades explícitas e aceitas. Porque somos vaidosos, intransigentes e orgulhosos.
Nada mais define a guerra, senão uma vontade.
Hoje é o Dia Nacional do Aço, então falarei de delicadeza e a falta que ela faz em nossas vidas. Falarei sobre a mudança de comportamento pós acesso à internet e suas redes sociais, sobre as conversas fáceis e corriqueiras que dispensam as meras formalidades de cumprimentos. Sobre a indignação daqueles que de uma maneira ou outra não conseguem acostumar-se com os modos modernos. E sobre os que estão familiarizados trazendo para a realidade tal comportamento.
É uma pena que o aço seja um peso maior nas relações ou diria que é o ferro que confere o contrapeso “à ferro e fogo”, mas eu prefiro as flores e suas nuances em cores e fragrâncias, só elas podem transmitir aos olhos o belo.

A guerra e as flores vivem uma relação de batalha, o que uma destrói a outra constrói na alma.

E o que tem o aço nisso tudo, nada. É só uma alusão ao que pesa e ao que é o avesso da delicadeza, ao que é uma vontade, não um acontecimento natural, afinal flores são flores, não existe uma única fábrica delas.
Não falarei de guerra que mata crianças sejam por fome, por bactérias, por projéteis nunca perdidos, seja pela ignorância, falarei da esperança que cada uma delas tem em sair da miséria que assola sua família, sua cidade ou seu país.
Falarei para elas que nunca desistam de sonhar, de acreditar que podemos melhorar, que podemos evoluir. Direi que assim como meu pai dizia, “um dia quando o touro descobrir a força que tem...” Que elas tomem como ponto de partida essa máxima e trabalhem para um futuro melhor, no delas e no de seus filhos, netos e todas as gerações vindouras.
Que elas façam diferente e respeitem a casa onde vivem, o nosso planeta, que o tornem sagrado em todas as instancias.
Talvez eu fale de guerra uma outra hora porque já me encontro tão embriagada de negatividade e desesperança que talvez seja por isso mesmo que eu esteja me dirigindo às crianças, pois são elas os seres mais frágeis.
Falo porque isso nunca mudará, são elas o futuro, a não ser que haja mesmo a tão dita e falada, terceira guerra mundial e não sobre nem mesmo estas palavras e talvez sejam as baratas as detentoras de toda a esfera.

“Pra não dizer que não falei das flores” Geraldo Vandré - Então falarei, porque elas enfeitam a vida e a morte.

Ana Cristina da Costa
Imagem extraída do Google.