Mostrando postagens com marcador Caminhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caminhos. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de junho de 2018

[Súmula de Domingo] Sapiência - Ana Cristina da Costa


Hoje eu poderia falar sobre Pentecostes, mas dada a minha falta de conhecimento profundo preferi não cometer “pecados” (violação de um preceito religioso.) muito menos “blasfêmias”(2.p.ext.Palavra a, expressão ou afirmação que insulta ou ofende o que é considerado digno de respeito ou reverência.) Deixarei para os tarimbados discorrerem sobre o dia, sobre os acontecimentos da época e sobre as religiões que o seguem, assim passo incólume ao menos neste deslize.
Vou falar sobre inteligência e esperteza de uma criança que para driblar os sofrimentos enredaram-se pelo mundo encantado das histórias e pode com isso vencer suas mágoas e seus complexos de inferioridade. Uma criança extremamente inteligente a qual usava palavras difíceis aos ouvidos dos outros. Sua vontade em aprender e seu instinto de sobrevivência estavam nela como o sol para o dia. Os poemas saíam de si como o ar que respiramos entram nos pulmões sem ao menos sentirmos, um ato corriqueiro e involuntário.
Sofre-se neste mundo quem é inteligente, quem se sobressai na turma, quem é tomado por “Nerd”, quem é "estranho", Anne, com E no final, era assim uma menina que não brincava de bonecas, mas tinha como companhia livro e cadernos de anotar. Sua língua era o seu instrumento, falava mais que uma maritaca, mas o que diziam simplesmente encantava de um jeito ou outro. Era moderna para sua época pois, via o mundo de outra forma, a forma descrita nos livros, encantada e cheia de caminhos e saídas.
Muitas vezes há no caminho a ignorância, essa que atravanca o progresso, que afunda como bigorna o avanço de qualquer relação e infelizmente ela está bem próxima de nós, não temos só flores, nem tão-somente vinho, temos muros espinhosos e águas turvas e a única coisa que pode demovê-los é a inteligência, essa que irá ao túmulo e ficará como legado em letras ou em vozes. Portanto, senhoras e senhores eu lhes digo que o conhecimento é arma e baluarte a qualquer destempero, um viva à SAPIÊNCIA.
Tenham todos uma excelente semana.
Por: Ana Cristina da Costa Uma crônica sobre a série Anne With An "E"do NETFLIX, e vai como indicação de filme da semana.
Imagem extraída do Google

domingo, 16 de outubro de 2016

[Conto] A dor do abandono - Sarah Drummond


Meus paços eram lentos enquanto eu caminhava pela quadra. Eu estava adiando o momento, eu sabia, mas era impossível para mim não fazê-lo. Meu coração batia fortemente no peito, meu estomago estava apertado e revirado... E ao mesmo tempo que eu queria correr para o mais longe dali o possível, meus instintos diziam que eu deveria correr até o meu destino final.
Fariam 25 anos dêsde a ultima vez... Como ele seria? Sua estatura, compleição, o som da voz...? E a personalidade? Qual seria a sua reação?
Interrompi meus paços, encostando-me a um muro qualquer, tocando a parede fria e áspera com minha testa, os olhos ardendo pelas lágrimas não derramadas, o medo e a insegurança lutando contra a minha vontade. Respirei fundo e de vagar retrocedi meus paços pela calçada, eu não podia enfrentar aquilo, eu não era forte o suficiente...
Ainda me lembro, como se fosse hoje, do dia em que eu o deixei aos cuidados das irmãs do orfanato Sta. Luzia, foi tudo muito rápido.  Eu disse a ela, uma freira que parecia tão velha quanto o tempo, que me olhava com olhos sábios, que não podia, que não conseguiria lidar com aquilo. Eles ficaram com ele, e eu caminhei pela calçada extremamente aliviada, me sentindo a pior pessoa do mundo.
Mais uma vez, parei meus paços, dando-me conta que eu não podia voltar para traz, que eu estaria cometendo o mesmo erro de anos atrás, que tomar o caminho da covardia mais uma vez não me ajudaria. Valeria a pena, mesmo que ele não quisesse nada comigo, valeria por que eu iria conhecê-lo e ele deixaria de existir apenas em fotos para mim. Fotos tiradas pelo mesmo detetive que encontrou o seu endereço, fotos de cinco anos atrás.
Era o número 50 logo a minha frente, e em algum lugar daquele condomínio ele estava existindo, talvez com uma familia, esposa e filhos. -Netos? Seria maravilhoso se eu tivesse netos, seria maravilhoso dar a eles o amor que eu não dei ao seu pai.
Toquei o interfone, apartamento 32. Uma voz masculina atendeu.
-Sim?
Fiquei em silêncio por alguns segundos.
-Oi, eu gostaria de falar com Lucas Maier. Ele se encontra?
-Quem gostaria? - Perguntou.
E ali estava. Se aquele fosse o meu filho e eu lhe dissesse o meu nome e ele não quisesse me ver? Eu não saberia o que fazer. Respirei fundo e respondi com a voz um pouco trêmula.
-Marta, Marta Maier.
Ele ficou em silêncio. Tudo que eu conseguia ouvir era o sangue correndo em meus ouvidos e o som acelerado do meu coração.
-Um minuto. - Pediu.
E eu esperei, mais de um minuto. Todos os meus medos ficavam maiores e mais reais a cada segundo que ele demorava para voltar. Até que finalmente (um finalmente muito demorado) ele voltou.
-Pode subir - Ele disse.
-Entrei no prédio, caminhando entorpecida. Desci do elevador e andei pelo corredor, e ali estava... O apartamento 32... Respirei fundo e apertei a campainha. Não demorou muito e um homem alto e magro abril a porta, ele era bonito, loiro, cabelo enrolado e olhos verdes, mais não era o meu Lucas...
-Olá, sou Matheus. - Disse abrindo espaço para que eu entrasse.
Entrei e esperei que ele fechasse a porta para mostrar o caminho, ele passou por mim no corredor e eu o segui até chegarmos em uma sala grande e bem iluminada.
No chão estavam jogados alguns brinquedos, e no tapete, com um pequeno prato azul na mão, Lucas estava sentado, dando comida a um menino pequeno de mais ou menos 9 meses.
Ele ergueu os olhos quando entramos, os mesmos olhos azuis de seu pai.
-Eu cuido disso. - Matheus disse se aproximando e tomando o prato de suas mãos, estendendo a mão para ajudá-lo a levantar. Exitante, Lucas aceitou a ajuda.
Ele ficou de pé, sem tirar os olhos de mim.
-Olá. - Eu disse fracamente. -Sou Marta Maier.
Ele assentiu.
-Eu sou Lucas.
-Eu sei. - respondi antes que pudesse evitar.
Ele me olhou, um certo desespero em seus olhos.
-Você é a minha mãe, não é?
-Sim. - eu respondi, trêmula.
Ele colocou as mãos juntas em frente a boca, como se fosse rezar, fechou os olhos, respirando fundo.
-Por quê?
-Eu era jovem. - eu disse indo em sua direção.
Ele me deu as costas.
-Não é desculpa... Eu tinha 16 quando tive o meu primeiro filho, sua mãe morreu no parto e eu quem cuidava dele, e ainda tinha que trabalhar, fazer faculdade e mesmo assim eu não o abandonei.
-Eu sei que não é justificativa, mas eu estava assustada Lucas. Seu pai nem podia ouvir falar no assunto, meus pais e meu irmão mais velho haviam acabado de falecer em um acidente de trânsito, eu tinha milhares de dividas, tinha que terminar a faculdade e trabalhar. - Eu disse rapidamente com lagrimas saltando aos meus olhos. - Eu não tinha estrutura física ou emocional para criar você... Hoje eu sei que fiz a coisa errada, mas na época me pareceu a coisa certa a se fazer... Estou aqui, 25 anos depois para te pedir perdão, não sei pelo que você passou, mas quero saber, se é possível eu fazer parte da sua vida, conhecer a sua esposa e dar todo o amor que eu posso dar para você e meus netos. Me dê uma chance Lucas, é a única coisa que te peço, uma chance.
-Por que eu daria a você o que você não me deu? - Perguntou, virando-se para mim com os olhos zangados.
-Porquê eu estou aqui... - eu disse, sabendo que era um argumento fraco. - Comecei a me aproximar de vagar. - Quero saber tudo sobre você, quero te dar o amor que não pude dar, quero ver meus netos crescerem e amá-los também... Nos dê esta chance, Lucas!
Fiquei a poucos paços dele e peguei seu rosto entre as mãos, olhando em seus olhos, vendo a emoção contida ali.
-Me perdoe Lucas, eu imploro.
-Eu apanhei, fui violentado, passei fome e frio, fui humilhado e preso por quê roubei para ter o que comer. E onde você estava? Você deveria ter me protegido! -Agora ele também chorava.
-Eu sinto muito por isso, eu realmente sinto, se eu pudesse voltar atrás, tudo seria diferente, eu te protegeria e amaria e te abraçaria para que nunca sentisse frio, mas eu errei e te abandonei, eu não posso mudar isso, o que eu posso fazer e te dar amor o máximo que eu puder agora e tentar substituir as lembranças ruins por boas... Eu sei que não vai ser fácil me perdoar, mas eu preciso disso, preciso desta chance e você também... Eu não sei mas o que dizer. Me perdoe Lucas, eu imploro.
Nós chorava-nos e eu tinha medo, medo da resposta que ele me daria. Tinha medo de como seria a minha vida se ele me dissesse que não, eu entenderia mas a outra parte de mim, aquela que sobrevivia, na esperança de que um dia nós fôssemos nos entender morreria para sempre, e nada restaria.
Nos seus olhos azuis, As emoções conflitavam, por fim, disse em um sussurro:
-Tudo bem, te dou a chance de estar ao meu lado, dos meus filhos e do meu companheiro. E se não puder aceitá-lo, de meia volta e vá embora, Mas não estou te perdoando, se quer a minha confiança e o meu amor, vai ter que conquistá-los primeiro.
Eu o abracei, chorando aliviada, sentindo o seu cheiro e o tremor de seu corpo, ele abraçou-me também de leve encostando a bochecha em meus cabelos.
Eu passei os últimos 25 anos sofrendo com a decisão de ter o abandonado e o medo de ser rejeitada, mas ele havia me dado uma chance, não só de conquistar seu amor e confiança, mas também de conhecer aquele que ele havia entregue seu coração e a familia que eles haviam construído juntos. E quando eu me abaixei para pegar meu neto entre os braços, Matheus sorrio para mim com lagrimas nos olhos, e eu sabia que nele eu tinha um aliado, mesmo sem saber por que ou como havia conquistado sua confiança.

Quem é Sarah?



Leitora acídua desde pequena, Sarah Drummond começou a escrever muito jovem, mas foi só em 2016 que ela publicou seu primeiro conto intitulado "Caminhos".
Grande fã da autora J. K. Rolling, a curitibana Potter Reader trás para a sua escrita muitos fragmentos de tudo aquilo que já leu ao longo dos seus 20 anos. Apesar de assumir a fantasia como seu estilo de escrita, a autora não gosta de se prender apenas a esse estilo, e é isso que podemos notar nos seus primeiros contos.
Além de escrever, Sarah é colunista e diretora geral do blog Faroeste Literário.


Conheça mais da autora acessando suas redes sociais:

Facebook | Página

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

[Conto] Caminhos - Sarah Drummond

    

Com o vestido de noite em seu devido lugar, fui para a janela, me sentando no beiral. quão rapido seria a minha morte se eu me jogasse dali, esmagando meu corpo no chão, seis andares abaixo? quantas vezes mais teria que enfrentar aquilo?
    Minha beleza, que antes me era motivo de orgulho, agora era considerada uma maudição, por que mesmo depois de três casamentos, e pouco sobrando dela, eu estava ali, no quarto, escovando os cabelos, enquanto esperava o meu quarto marido.
    Depois que meu terceiro morreu, assassinado pelo herdeiro do vizinho de fronteira a norte de nosso feudo, por ter imprudentemente comprado uma briga sem sentido, eu pensei que seria o ultimo, pensei que finalmente iria me estabelecer no castelo de Ribeiro encantado, ajudar minha mãe com as obrigações de uma Castelan e filha da casa, cuidar de meus feridos e doentes, algo que eu tinha certeza de minha competência, e cuidar de meu sobrinho Brian, filho de minha irmã gêmea, que fora morta junto a seu marido, por assaltantes, enquanto iam para ribeiro encantado para o meu primeiro casamento. Aquilo sem duvidas devia ser um aviso do quão amaldiçoada seria a minha vida.
    Mas ele apareceu... Lorde Matew de montes claros, que era o herdeiro de montes claros, o único dos onze feudos do sul que não havia formado uma aliança com o meu pai, que liderava a maior aliança de todo o reino,  embora tivessem um acordo de cooperação, já que anos antes meu pai acolhera lorde Matew e sua comitiva em nosso castelo, a maioria deles feridos, incluindo lorde Matew, pois haviam sofrido uma emboscada de assaltantes enquanto voltava de uma reunião na corte. eu mesma, com minhas mãos habilidosas, com doze anos de idade cuidei de seus ferimentos. As alianças eram firmadas atravez de casamentos, fossem com as filhas do senhor da liança ou com as filhas dos outros lordes, todos os meus casamentos aconteceram para que estas alianças fossem formadas, assim como o ultimo...
    Por que lorde Matew queria uma mulher que já se deitara com três homens diferentes, que trazia no rosto e no corpo marcas de sofrimento, triste, fria e distante como esposa era um mistério para mim, principalmente por que haviam três moças solteiras em idade para casar, lindas e com garantia de virgindade para ele escolher..
    Eu pensava nisso quando olhava para as marcas de chicotadas em meus braços, cortesia de meu segundo marido, aquelas nunca sairiam, pois eu não podia cuidar delas corretamente, já que eram abertas constantemente.
 Baixei a escova parando por alguns segundos de desembaraçar os fiosnegros e compridos de meus cabelos e mechi os pulsos doloridos, machucados por meu terceiro marido que os segurava com força contra a cabeceira da cama enquanto me tomava violentamente. Eles sem duvidas deixaram suas marcas em meu corpo e espirito... Por muitas vezes enquanto em meu primeiro casamento lamentava a falta de interesse de meu marido, que só se lembrava de minha existência quando íamos para cama, mas lamentei o constante interesse dos outros dois.
    Perguntei-me quem era lorde Matew verdadeiramente, pois, fora de seus quartos os homens eram quem queriam, e minha experiência me mostrou que eles só se revelavam no quarto. Por isso anciosamente eu esperava para vêr em quem o alegre e cativante senhor de montes claros se transformaria assim que fechasse a porta atrás de si, trancando o mundo lá fora...
    E ele chegou... Fechou a porta calmamente, sorrindo levemente para mim, enquanto andava até uma mesa no canto do iluminado quarto e depositava suas armas lá.
    - Esse foi, sem duvidas um longo dia Angela
    - Realmente, meu senhor. - eu disse, minha voz baixa
    - Seu irmão Jorge realmente gosta de falar... - Disse, a voz leve e animada - A minha sorte e que Lady Catarina sabe como fazer o marido se calar...
    Não era um comentário maldoso, eu percebi, era uma brincadeira, uma que alguém faria de um velho amigo... Quanto tempo mais demoraria? que monstro o corpo e as feições bonitas de meu marido escondia? me perguntei, enquanto observava de canto de olho ele se abaixar para tirar as botas...
    Sem que eu quisesse, meu corpo começou a tremer. O que vinha pela frente agora? o quanto ele me mautrataria? Eu sabia que existiam casamentos felizes, o do meu irmão Jorge, por exemplo, ele e minha cunhada viviam um para o outro, mais eu sabia que aquilo não era para mim, minha sina era sofrer, sofrer e nunca encontrar o amor que Catarina e minha mãe encontraram, eu já havia aceitado isso.
    Senti o olhar dele em mim mais não o olhei, fixei meus olhos no céu negro de verão visto da janela. Depois de um tempo senti sua aproximação, seus paços  de pés descalços foram abafados pelo tapete. Ele não me tocou, pelo que eu fiquei grata. Suas mãos se apoiaram no beiral, perto das minhas e também ele olhou para o céu
    - Quando eu era pequeno, em noites como esta, meu pai costumava levar a mim e meus irmãos lá para fora, para aquele monte menor, você vê? - ele disse, apontando uma sombra escura contra a noite, que eu sabia ser um pequeno monte, a uma ou duas horas do castelo. Assenti e ele continuou, - nós acampávamos lá, e ele ensinava-nos o nome das estrelas e contava historias até que o ultimo de nós dormía, muitas vezes fora das tendas... - Ele pareceu pensativo,
    Me perguntei o que ele estava fazendo, nenhum de meus maridos conversava comigo, na minha experiência  naquele momento, todos os três já tinham tomado o que queriam.
    - Também eu vou fazer isso com os nossos filhos, todos com os cabelos negros e os olhos lindos da mãe, - ele disse sorrindo para mim, com um sorriso que eu não queria interpretar
    Baixei o rosto, olhando para nossas mãos proximas e o ouvi suspirar, eu não sabia responder a isso...
    - Olhe para mim Angela, por favor, - ordenou, a voz baixa
    Eu obedeci
    - Sei que já sofreu em demasiado em sua vida, com os outros maridos... por isso seu pai não queria me dar sua mão, mas...
    Isso me pegou de surpresa
    - Ele não queria? - perguntei repentinamente o interrompendo, minhas mãos foram para minha boca pelo susto, eu o enterrompi... Ele ergueu a mão e eu ergui os braços, virando o rosto e fechando os olhos para me proteger da pancada que eu sabia que estava por vir...
    Senti seu toque, suave em meu braço,
    - Olhe para mim Angela...! - pediu, sua voz suave, como se tentasse se aproximar de um animal arisco. de vagar, baixei os braços, sua mão nunca se afastando, e o olhei, seus olhos calmos olhavam-me
    - Eu nunca bateria em você! - ele disse, - Você pode falar comigo, e me interromper também se você quiser...
    Seus dedos se afastaram do meu braço de vagar
    - Respondendo a sua pergunta, é por que eu lhe fiz uma promessa...
    - Que promessa? e por que eu? por que eu entre todas?
    Ele se encostou na parede de frente para mim e cruzou os braços,baixando o rosto para que nossos olhares se encontrassem,
    - A anos atrás, quando meu pai e eu voltávamos de uma reunião na corte, nós fomos emboscados, eu ainda era muito novo, mais como herdeiro, era a minha obrigação acompanhá-lo nesse tipo de reunião, eu lutei, lutei contra os assaltantes mais eles fugiram, não antes de deixar muitos feridos e infelizmente um morto... Meu pai deixou um guarda que quase não tinha se ferido para cuidar dos outros e ele e eu comessamos a caminhar, também machucados para a direção onde sabíamos estar a aldeia onde ficava o castelo do senhor daquele feudo. Mas seus homens nos encontraram na estrada e nos foi mais facil chegar... Quando chegamos, a primeira coisa que notei foi uma garota, ela parecia ser muito mais nova que eu, chegando perto da idade de casar-se e fiquei encantado... Para a minha surpresa, ela era uma curandeira hábil, e assim que ela me tocou, suas mãos mornas e macias, eu soube a quem meu coração pertencia... E na semana que passou, tempo que ficamos hospedados no castelo eu tinha certeza cada vez que me deparava com o olhar lindo, meigo e azul,  ouvia a sua voz suave e alegre e via seu corpo de menina andando ao redor, ajudando a mãe com as tarefas com uma graça sem igual, mostrando que seria para seu marido a mais eficiente das esposas, e a mais competente Castelan
    Eu ouvia suas palavras sem acreditar, meu cérebro se esforsando para processar o que ele contava
    - Então, antes de ir embora, eu me reuni com o senhor do castelo e a pedi em casamento
    Senti meu rosto úmido e percebi que estava chorando, pois eu sabia o que tinha acontecido, e entendi por que eu, por que eu entre todas as outras... Mesmo que fosse dificil de acreditar, suas palavras não mentiam. Sua mão se ergueu de vagar, indo para seu bolso, onde pegou um lenço, com o qual suavemente enxugou minhas lágrimas, enquanto continuava contando, sua voz cheia de emoção
    - Mas ela já tinha sido prometida a outro homem, um que havia crescido comigo e que eu sabia que não cuidaria dela como ela merecia...
Ah, eu me senti tão decepcionado... tão desesperado... mais o que eu podia fazer? Fui embora com o coração partido e seis meses depois voltei para o casamento e a vi, linda em seu vestido de noiva se casar com
outro homem.
    Um ano depois, mesmo que o que eu vou dizer pareça horrível, a mais feliz das noticias chegou para mim, o marido havia morrido, ela estava viuva, falei para o meu pai sobre minhas intenções e ele achou prudente que esperássemos passar o período de luto, mais esperamos tempo demais, quando informei minhas intenções a seu pai, mais uma vez ele me disse que tinha a prometido a outro. Eu voltei para casa e no segundo casamento eu não compareci, eu sabia que não teria forças para isso,.
    Ele fez uma pausa para respirar profundamente, e  esfregou seu rosto com uma das mãos, depois fixou-me novamente com seus lindos olhos verdes
    - Ele batia nela... Eu não me orgulho do que vou dizer Angela...Mas foi eu quem o matou... Como eu poderia deixar que ele torturasse aquela que eu mais amava? Rei Willian descobriu e me puniu, me mandou para outro país para trabalhar como cavalheiro em um feudo, fiquei lá durante cinco anos, Willian não contou a ninguém, os únicos que sabiam eram meu pai, meu melhor amigo, um outro amigo e a pessoa que contou a Willian o que eu havia feito... Quando eu voltei, mais uma vez, cheio de esperanças ela estava casada novamente... Então eu cheguei a conclusão de que não era para ser, aquela mulher nunca seria minha, não eram estes os planos que Deus tinha para mim... Naquele mesmo verão comessei a procurar uma noiva, mais sempre achava um defeito ou outro em cada uma e o noivado nunca se realizava, quando fui em visita ao feudo vizinho ao de seu pai, para conhecer a filha mais velha da casa eu descobri que mais uma vez ela ficara viúva... Tinha acontecido uma semana antes, peguei meu cavalo e um dia depois eu estava as portas do castelo. Seu pai já sabia por que eu estava alí, e depois de muita conversa aconteceu... Ela finalmente, finalmente era minha, minha prometida.
    A mão que antes secava minhas lagrimas agora tocava minha bochecha carinhosamente, a testura da pele áspera e calosa, aquela era a mão de um guerreiro, o meu herói, que me salvou de meu carrasco, e atempo, pois eu sabia que não resistiria muito tempo.
    - Eu estou quebrada... - sussurrei, - pouco sobrou da menina de doze anos que você conheceu
    Ele colocou a outra mão em meu rosto, se aproximando de mim, aproximando nossos rostos e acenou com a cabeça negativamente
    - Ela ainda vive Angela! escondida em algum lugar, mais existe... E nós dois, juntos, vamos encontrá-la
    Com o meu rosto entre as mãos ele nos aproximou lentamente, eu senti a distancia entre os nossos lábios diminuindo pouco a pouco...
Queria não ter que me deitar com ele, por que? por quê os homens desejavam fazer aquilo? por que nós mulheres tinhamos que passar por aquela tortura?
    Seus labios tocaram os meus levemente, indo e voltando varias vezes e sua respiração quente que batia em meu rosto, seu cheiro que era surpreendentemente bom e os labios macios me fizeram sentir algo diferente, sua língua passou pela custura de meus labios e eu suspirei com o contato, ele envadio minha boca e mil sensações passaram por meu corpo.
    O que era aquilo? algo em minha mente gritava, mais surpreendentemente não era em negação, era em confusão. Eu queria desesperadamente que ele não parasse de me beijar, pois era a primeira vez que aquilo acontecia acompanhado por aquela sensação. Mas eu tinha medo...
    Sem saber direito como, comessei a corresponder o beijo, ele pareceu gostar... Eu queria poder dizer que apartir dali tudo foi lindo, mais em três momentos os meus medos falaram mais alto que eu, penetrando nas sensações maravilhosas que Matew estava me proporcionando com suas mãos e lábios, fazendo com que eu sentisse como se em minhas veias corresse fogo líquido. O primeiro foi quando ele tirou meu vestido... Eu me cobri de vergonha, deslizando meu olhar para longe dele, abraçando a mim mesma, graças a vergonha que me tomava, pois todas as minhas cicatrizes estavam a mostra. Eu tinha medo de ver a fome, que me  proporcionavam medo e ecitação em medidas iguais  sumir de seus olhos quando visse o meu corpo disfigurado.
    Mas, como eu descobri mais tarde aquele homem era sem igual, ele tocou meu rosto, me fazendo olhá-lo
    - você é uma mulher linda! essas marcas mostram o quão linda... Elas são a prova do quão forte e guerreira você é, esse momento prova... Eu amo seu corpo Angela, por que ele faz parte de quem você é... e eu amo você!
    Voltamos a nos beijar e ele me levou para a cama, eu tirei suas roupas, e vi o quão lindo seu corpo de guerreiro era... O segundo momento veio em seguida, quando ele estava prestes a nos unir eu paralizei, tença demais para dizer qualquer coisa, mais seus lábios estavam ali, tão perto e tão macios, ele me beijou, e quando mais uma vez eu me soltei ele fez... Nos movemos juntos, eu descobrindo em seus braços sensações novas e maravilhosas... Quando tudo estava acabando senti levemente, entorpecida por minhas sensações, seus dedos deslisando por meus braços, então ele segurou meus pulços... Eu soei frio, e atento a todas as minhas reações ele percebeu, levemente deslisou os dedos pelos meus e os entrelaçou, mais uma vez, sua boca estava alí para me fazer esquecer... E finalmente eu descobri o que era o prazer extremo junto a ele, o homem que me esperou por dez anos e nunca desistiu de mim, que mesmo sabendo que eu estava quebrada me quis para cuidar, amar e proteger...
    Hoje, dez anos depois estou sentada na mesma janela, a mesma que um dia quis me jogar. Mais agora, olho longe para o monte, o monte onde meu marido e meus três filhos, Gabriel o primogênito, que é uma copia fiel do pai, com grandes olhos verdes, cabelos castanhos e estatura alta, e os gêmeos travessos Nicolas e Eduardo, que são tão parecidos comigo quanto Gabriel é com o pai, estão.  É a primeira vez que fico tanto tempo longe dos gêmeos pois essa é a primeira vez que animados, com os olhos brilhantes eles foram junto a seu pai e seu irmão mais velho, que já era aos seus olhos um herói, para uma aventura.
    Meu coração de mãe e esposa sentia a falta deles, pois se eles estivessem ali, eu colocaria todos os três na cama, depois de juntos termos tomado um copo de leite quente com mel e canela... Depois viria para o quarto, para junto do meu homem e nós falaríamos sobre o nosso dia, e depois de nos entregar um ao outro, eu dormiria nos braços daquele que era meu marido, amigo, amor e amante aquele que era, sem duvidas o meu porto seguro. Mais também vibrava de alegria, pois eles estavam juntos e a melhor companhia para um eram os outros.  Agradeço a Deus por não ter tido a coragem de me jogar daquela janela, pois apartir daquele dia, eu me tornei a pessoa mais feliz do mundo e descobri que apesar de tudo, desistir da dádiva da vida, não é o melhor caminho. 


“Quando o passado se repete
a esperança caminha para traz
e é no alto da janela
 que seu coração se refaz”.