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terça-feira, 6 de agosto de 2019

[Faroeste News] Lançamento do livro "O mar em mim" de Mariane Helena



 


 No último dia 25/07, aconteceu no Centro da Juventude de São José dos Campos, o lançamento do livro "O mar em mim" da escritora Mariane Helena. O lançamento da obra que é o primeiro romance da autora, fez parte  das celebrações do dia da mulher negra, comemorado no dia 27 de julho. Além do lançamento, o evento promovido pela prefeitura de São José dos Campos em parceria com  o grupo Mulheres do Brasil, contou com um bifê e uma roda de conversa com Sônia Guimaraes, Carolina Félix, Janaina da Silva Melo, ShirleiVerissimo e Mirela Alencar.

O lançamento contou com o sorteio de 10 exemplares da obra, e claro, uma emocionante sessão de autógrafos.

"É muito emocionante você poder autografar o seu sonho, e o mais bacana, foi ver a minha tia mais velha Oraida, que sempre foi meu referencial, chegando. Poder autografar o meu sonho para ela foi muito emocionante."

Mariane ressalta o carinho e a emoção de ter sua família ali presente, ajudando e dando todo o suporte.

A autora também fala com carinho da conferênci dos vicentinos Santo Agostinho, que estiveram presente.

"Eles já atendem a minha família a muitos anos e poder ver todos eles presente, comprando meu livro e podendo tirar uma foto com todos reunidos, sem dúvida foi muito emocionante."





Perguntada sobre a importância do evento e sobre ser uma escritora negra, Mariane disse:

"Ser uma escritora negra é um privilégio e um desafio. Um desafio, porque você sempre em que mostrar mais, você sempre tem que batalhar para que o que você escreve seja reconhecido, mas é uma honra, principalmente ser reconhecida como uma personalidade negra da minha região e poder ser um referencial para novas escritoras e mulheres negras".



O que também chamou a atenção, foi o prefácio do livro, feito pelo escritor e poeta Davyd Vinicius, que segundo Mariane traduziu muito bem a essência da história.

"Quando eu terminei o livro, mandei para o Davyd, ele leu e logo me mandou um texto falando sobre ele, eu gostei tanto que tive que colocar como prefácio", completou Mariane.

Leia o prefácio abaixo:

"Amar, sonhar, perder. Procurar no outro calar a solidão que existe em si. Um querer tão frágil que se esvai com as marés, que se distancia com as brisas.
Ninguém aprende a dizer adeus, ainda mais quem acolhe em um abraço tantas vezes, mesmo sabendo que é parte da partida, Quem acumula histórias, memórias e questionamentos, quem ama sem medida.
Compreender a si faz parte do jogo ambicioso do amor, perder-se no outro, chorar de dor. Quebrar o coração e depois brincar de juntar os caquinhos no aguardo de alguém para desmanchar tudo de novo. Balançar com as águas bravias que nos faz estremecer, isso é se apaixonar, isso é sofrer, isso é se encontrar e se fazer maior em meio ao viver. Suturar tantas vezes nos torna experientes, nos dá um novo olhar, como os ciclos da natureza que se renovam e nos fazem acreditar. Amar tantas vezes e descobrir que nasceu para ser só. Só indagações, só despedidas, só ilusões. Como um velho solitário e suas emoções."

""O mar em mim" conta uma história linda e que muitas vezes nos faz parar para refletir sobre nossos sentimentos que muitas vezes são deixados de lado. Seu enredo é envolvente e surpreendente, nos fazendo mergulhar não só na história, mas dentro de nós mesmos." finaliza Davyd.


Para adquirir a obra, basta entrar em contato com a autora através das suas redes sociais:


https://m.facebook.com/profile.php?id=100002269830887








sexta-feira, 19 de julho de 2019

[Convite] Lançamento do livro "O Mar Em Mim" da escritora Mariane Helena



No próximo dia 25 de Julho de 2019, às 18h, acontecerá o lançamento do livro "O mar em mim" da escritora Mariane Helena, no Centro da Juventude de São José dos Campos
Após a publicação de 7 livros de poesia, a autora trás ao público o seu primeiro romance que entrega em uma história rítmica, a interpretação honesta da vivência de amar que pede para ser descoberta a cada capítulo envolvente.

Em "O Mar Em Mim", Mariane Helena introduz o leitor a mergulhar em amores profundos. Experiências únicas que cada ser vivencia à sua maneira. O enredo surpreende pelo seu encanto singelo, e, também desafia a noção de afetos entre dois seres distintos."


Evento: Lançamento do livro "O Mar Em Mim".
Data: 25 de julho de 2019.
Horário: 18h.
Local: Centro da Juventude de São José dos Campos.
Endereço: Rua Aurora Pinto da Cunha, 131, Jardim América.

Lembrando que haverá a venda dos livros autografados no local do evento, mas o pagamento só poderá ser feito em dinheiro à vista.




E pra você que é leitor do nosso blog, a autora disponibilizou 2 livros para serem sorteados, então fiquem atentos em nossas redes sociais que logo logo estaremos disponibilizando as regras para vocês participarem, ok?
Então já marca aí na sua agenda e bora prestigiar esse belíssimo trabalho. ;)

#ParaUmAmanhãComAindaMaisHistórias

segunda-feira, 31 de julho de 2017

[Resenha] Entre a máscara e a revelação no romance Veneza, de Alberto Lins Caldas



            Ao ler o esplendoroso e arrebatador romance de Alberto Lins Caldas, Veneza, recordo-me da imagem da Terra como paraíso, o Éden de Leibniz, com seu dizer de que habitamos o melhor dos mundos possíveis. Alberto Lins Caldas vai além, revelando um mundo tenso, denso, em que convivem a beleza paradisíaca da cidade do coração do narrador-personagem Pierre Bourdon, Veneza, com suas águas, cheiros, alimentos apetitosos, numa revelação sinestésica, em que os sentidos aguçados na narração nos levam ao corpo saboroso desta cidade ímpar, com o inferno da miséria dos seres, os desvalidos, os viciosos, e a melancolia do próprio Pierre que tenta captar a imagem de sonho/pesadelo da realidade. No conto de Voltaire, “Cândido ou o otimismo”, em que o filósofo-escritor francês ironiza Leibniz, o personagem passa por todos os infortúnios e mesmo assim é otimista. O autor deste belo Veneza, mostra-nos um personagem que passa por vários problemas devido à sua paixão por mulheres casadas e, por isto, caminha para a iminência da morte: “Livros e mulheres foram sempre o meu fraco...” Logo no primeiro livro do romance por ora aqui estudado, a narrativa se constrói como uma preparação para a morte, como podemos encontrar na história dos grandes filósofos: “...e nesses extremos se delineia a ironia da minha vida e a razão da minha morte”.
            De um lado temos, no início do livro, a vivacidade de um personagem que busca o prazer a qualquer custo. A poeticidade e lirismo com que o narrador-personagem narra a beleza idílica e a exaltação do local vista do interior do quarto em Veneza se alongando para as imagens vistas pela janela, acrescentando cores, como se estivesse revelando uma bela pintura, reproduzem a máxima horaciana “Ut pictura poesis” (A poesia como pintura). A força descritiva de Caldas, com constantes adjetivações e enumerações, só reforça esta realidade icônica de sua obra. Esta realidade pictórica de sua escrita é uma estratégia narrativa para reter a memória, pois sua escrita é uma rememoração dos momentos paradisíacos e infernais da história de Pierre Bourdon. Se desde a apresentação com o achamento de um Códice onde estaria esta narrativa encontrada no lixo pelo editor-autor, temos a falta de precisão, o romance em questão fruto deste Códice impreciso, revela um paradoxo rico de estética. A constante adjetivação do narrador-personagem, que não sabemos se ele é real, é uma forma de acobertamento também da falta de precisão que a própria memória pode levar, já que ela, segundo Derrida, em seu livro Farmácia de Platão, seria exterior à escrita ao analisar uma passagem de Fedro, de Platão; pois a escrita é pharmakón, tem seu remédio, mas também traz o veneno. O papel do editor-autor foi ordenar, colocar ordem no que é caótico do próprio Códice, num processo de organização composicional, inserindo epígrafes em cada um dos sete livros, que por sua vez, são divididos em três capítulos.
Ao longo do romance, temos um amadurecimento de Pierre Bourdon, em que a bile negra - a melancolia - se manifesta com o passar dos anos, num processo de autoconhecimento e autorreflexão, cujo primeiro motor é o espelho da ilha em que ele se mira. Ao ver aquelas pessoas paradas na ilha, após a viagem de navio com seu fiel criado, o Mouro, compara tudo num amálgama só (pessoas, árvores, animais). É neste espelho da ilha, que Pierre observa o rosto do mundo mais de perto e a falta do espaço interno, o lar, o joga para o mundo, percebendo os contrastes dele, a vida-morte, dor-prazer, miséria-riqueza, revelando a intensa compaixão dele pelas coisas do mundo, levando-o a partir daí a seus delírios e melancolia. O quarto de Pierre é o mundo, em sua miniatura-metonímia, a cidade de Veneza, ao invés do quarto minúsculo do autor francês Xavier de Maistre, com sua Viagem ao redor de meu quarto, com suas constantes digressões, que influenciaram Machado de Assis. O espaço do externo inebria Pierre com suas sensações, desde o mais belo ao mais repugnante. Em Pierre, o amadurecimento no ato da escrita revela um narrador excepcional: “...e que no tempo não entendia em sua extensão, mas hoje ecoa bem fundo e com plena verdade em todo o meu ser...”
O Mouro, o que dizermos do criado fiel amigo de Pierre Bourdon? Ele é o equilíbrio em meio ao desequilíbrio, o silêncio em meio ao discurso e livros do amo, a cura em meio à doença, a realidade em meio ao delírio e loucura de Pierre, Sancho Pança e Dom Quixote. Em meio à melancolia do narrador-personagem, o Mouro traz o riso. Em meio aos unguentos, ervas medicinais, banhos, Pierre vai estendendo sua vida num cobertor de vida e morte. Pierre tem o poder de ironizar-se, é sarcástico consigo mesmo, culpabiliza-se num mundo gestado pelo Mal, como ele chama. Se o universo está longe do bem, com a fome, o abandono, a morte, o sofrimento, a velhice, a humilhação, a espera, como explicar o problema do Mal e Deus, uma questão dos filósofos? Guimarães Rosa mostrou, em Grande sertão: veredas, este poder demoníaco na natureza, nas coisas. E como escapar dele? Pierre num processo de esvaziamento de sentido, de Deus, diz: “Pela primeira vez não senti Deus nem neles nem mais em mim”.
Pierre não entende aquilo que não diz respeito à sua vivência. Por isto, para ele, escrever é rememorar, uma luta contra o esquecimento e a própria morte. Por isto ele fala antes de morrer: “...recordar antes de esquecer”. No seu viés mimético, ele deve deixar algumas coisas na obscuridade, não quer saber tudo, aquilo que não lhe apraz ou condiz com seu elemento. Ele conversa consigo mesmo e com o leitor no seu processo de escrita, revelando seu livro como um grande monólogo narrativo com intensa dose de dramaticidade, beirando ao trágico, sem ter, paradoxalmente, diálogos diretos entre personagens: “Por que? então querer me enfronhar em imprestáveis minúcias, cansando minha cabeça, sem nenhuma utilidade, sequer servindo, como agora, para a revivescência dessa escrita.”
A imagem de Pierre é como a própria Veneza, um abismo, um mistério, um segredo, como as águas, o mar. Ele é sem chão, sem firmeza, desconhecido para ele mesmo. A água seria este batismo de esquecimento? O caos em meio ao ordenamento da escrita? Na viagem no mar, no navio, Pierre alcança este vazio. O vazio do quadro branco e das cores carregadas do início do livro. Este vazio é o riso do Mouro. Se Pierre é carregado de linguagem, livros, o Mouro é a não-linguagem, o esquecimento, o vazio, o silêncio, as duas faces, paradoxalmente de Pierre Bourdon e da sua escrita: “Todo mundo é um ator” (Mundus universus exercet histrioniam). O prazer da vida leva o narrador-personagem ao prazer e gosto amargo da tinta. Enquanto o Mouro tem medo do mar, das águas profundas, Pierre é todo água, flutuante e conflitante. Ele se adensa na água. Pierre é caracterizado como vírgulas, pontos e interrogações. O Mouro é reticente. No mar, Pierre poderia morrer, mas o Mouro não teria o corpo da mulher. O Mouro vê a fatalidade iminente e Pierre provoca a Desdita por nada, brinca com a Sorte, o Destino. Isto demonstra no romance de Caldas uma dramaticidade plástica, icônica. Ele cria no mundo uma intimidade de sentidos. Ele utiliza uma linguagem visual, dos olhos, mas que não deixa de ter um processo analítico para as mentes.
Se Pierre faz do externo um lar, o interior; o Mouro faz do lar um mundo como vemos na banheira no final da narrativa. O narrador-personagem faz questão de mostrar as diferenciações dos ambientes, dá destaque a cada parte, enfatizando marcas em cada descrição de sua narrativa como num caleidoscópio colorido e multifacetado, como podemos ver no contraste entre o branco e o negro no estábulo dos escravos e das múltiplas cores na fazenda, revelando no ambiente a tensão que ocorreria depois entre ele e o estranho desconhecido. Há uma grande tensão na linguagem, no romance de Caldas. Aqui de novo, no duelo, há a iminência da morte. Esta é o fim da memória e do tempo, da escrita, portanto. O esquecimento é o processo de rasura, de descascamento do ser. Pierre é um ser que hesita, se tensiona. As impressões do narrador se misturam aos delírios e o leitor se pergunta – isto é real ou delirante?
O Mouro é a consciência de Pierre. Ele sempre o está advertindo. É um dique em meio ao transbordamento de Pierre, que vê Veneza como um ser vivo, pronta a ser devorada, num verdadeiro devaneio-degustação da cidade – o corpo de Veneza – como uma mulher, numa verdadeira relação entre amante e amada. A sua real amada, por assim dizer. Numa topografia corporal, Pierre diz: “As tão drásticas mudanças no meu corpo e na minha alma são reflexos dessa cidade...” E o mouro o tira de seus devaneios. No final da vida, em meio à chuva, paradoxalmente, Pierre ri, dá uma “gargalhada sem fim”. Neste sentido, ele incorpora o Mouro. A luz e a sombra, os opostos convivem no final. Após ver a putrefação do irmão mais velho, Pierre se depara com a estátua de um anjo, mostrando a convivência entre o belo e o feio, o nobre e o asco, o alto e o baixo.
Portanto, temos em Alberto Lins Caldas, um estilo lírico e ácido ao mesmo tempo. E o grande mistério, no final, a grande questão é a própria vida nas muitas faces do ser. Pierre é um ser flutuante, como as águas de Veneza, que transmite admiração e maravilhamento, mas que reflete também a dura realidade, como as pistas que o narrador nos dá no início do livro, quando descreve suas águas cheias de peixes mortos e fezes, distante do lirismo dos poetas. Se o narrador revela a ótica da perversidade, da crueldade, também temos a cura, pois pensar sobre este estágio de desequilíbrio, de doença, é uma forma de equilíbrio, mostrando a forte dramaticidade desta relação. Assim, fica a questão de Alberto Lins Caldas, a linguagem é máscara ou revelação? A resposta cabe ao leitor inteligente como o narrador assim o quer.


“Veneza”, romance. Autor: Alberto Lins Caldas. Editora Penalux, 184 págs., R$ 40,00, 2017.
Disponível em:
E-mail: vendas@editorapenalux.com.br


A resenhista
Alexandra Vieira de Almeida é Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. Também é poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil. Em 2016 publicou o livro “Dormindo no Verbo”, pela Editora Penalux.
Contato: alealmeida76@gmail.com

O autor

Alberto Lins Caldas é pernambucano de Gravatá, onde nasceu em 1957. Colabora em jornais do Recife (Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio e Diário da Manhã) com artigos de critica literária e poesia. Fundador do grupo informal Poetas da Rua do Imperador. Cursou Historia e Arqueologia na UFPE. Ensaísta proustiano e poeta. Autor dos contos de Babel (2001), dos romances Senhor Krauze (2009) e Veneza (2017), e dos livros de poemas Minos (2011), De corpo presente (2013), A perversa migração das baleias azuis (2016) e A pequena metafísica dos babuinos de Gibraltar (2017).

sábado, 15 de abril de 2017

[Orações A Saturno] Claridão - Edhson J. Brandão



Neusa Maria Fagundes Peres
61, viúva, pensionista.

Claridão. O primeiro sintoma de vida pós-uterina, a certeza do início. Claridão e luz e o tempo já pode ser contado.
Acenderam a luz daquele quarto branco. Dez e meia da manhã. Quisera ser um parto, mas era gestação. Novamente. Dona Neusa vivia aqueles duros meses como uma segunda gestação. Não estava sendo fácil. Mas não podia reclamar, pois tudo poderia ser pior. Ainda que naquele ambiente de cama hospitalar, visitas a partir das catorze, enfermeiras, veias, cadeira dura para acompanhante, terços, bandejas sujas, oxímetro de pulso, livros, chave de carros, eletrocardiográfico, tudo ali –  era bonitinho – nas contas do convênio. O quarto quinze da ala sete no corredor três tem sido seu principal destino naquelas últimas estações. Não era necessário tanto tempo com acompanhante, já lhe disseram, nesses casos o próprio serviço do hospital cuida de colocar alguém para constante observação. Mas mesmo assim, sentia-se melhor indo religiosamente lá. Gastar horas de dias e noites ali, sentada. Vez e outra lia alguma coisa, rezava mais um pouco, conversava e ligava a TV. A solidão foi um presente dado sem nada para ser recompensado. Quando fazer não tinha, parava os olhos em cima da filha. Ali. Repouso eterno. Chorar já chorou demais. Convenceu-se de que lágrimas não regam esperanças e sim dores. Olhava. Em cada traço percebido pelos seus velhos olhos, já gastos pela vida, recordava um pedaço de história. Ou um dilema. Ou uma briga. Um abraço. Um beijo. Cortesias. Hoje eram só memórias.
 Dona Neusa costumava sair de sua casa as dez da manhã porque dava tempo de rezar uma ave-maria, pegar o pão e recolher as roupas do varal dormidas na lavanderia. Depois das dez era bom porque se precisasse passaria no banco, já pagava alguma conta ou sacaria dinheiro. Pensão do marido. Então seguia pela Hortências até o ponto. Lá pegava o cento e nove, São Lourenço, que parava na porta do hospital. Então dava bom-dia para as meninas do hospital, comentava algo sobre o turno do dia, tomava o elevador, cumprimentava os enfermeiros, se desse falava com o doutor Jair, se não seguia até o quarto e entrava na porta quinze. Todo dia ali era lugar de se consumir esperanças. Mas, até o então, frustradas. Porém sempre agradecia pois houve dias em que não pôde entrar naquele quarto e nem em qualquer outro da ala sete. Houve dias em que teve que subir um andar a mais, esperar pelo horário espremido da visita e pode ficar com a filha por poucos minutos porque na UTI funcionava assim. Com o coma estável foi possível descê-la para este quarto, de agora. E por menos que seja encontra-la no ali e no agora era confortável. Jamais deixaria a filha. Era mãe. E todo mundo sabe que prova máxima de amor na mulher é o ser mãe. O elo nu existente ente uma criatura, geradora, e outra, gerada, é a aliança mais forte do ser humano. Ninguém separa o que as horas colocaram juntas. E por mais descrenças que já quiseram impor a Dona Neusa, ela sempre esteve firme. Um dia acorda porque Deus é justo. Alguns já contavam dias, deram anos contados de vida à Joaquina. Que absurdo. Vegetava, morta-viva, se desligassem os aparelhos, adeus e tudo mais. Chegaram a discutir sobre eutanásia. Dona Neusa nunca ficava quieta, persistia na sua fé. Porque Deus ministrava as coisas com perfeição e se era pra ela, Neusa, gerar a mesma filha duas vezes ela o faria. Mas a verdade é que esta gravidez tinha sabor de angústia. As olheiras que o digam. Tantas noites sem dormir, remédio para a pressão, taquicardias, formigações, mas choros não. Bastavam.
[...]

Trecho do romance interrompido "As horas da vida".

*  *

Orações A Saturno é o templo da linguagem pragmática sem a moral do mundo que o perturba. É um alento. Algo que eclode. Não sei. Um out de si no tempo da palavra. É sábado, todo sábado. São rezas para deus-palavra. E isso é tudo, quando não há nada. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

[ Crônicas do Cotidiano ] - Você não escolhe apaixonar-se... A paixão escolhe você! - Alessandra Benete


Fonte da imagem: Google Imagens
Há quem confunda paixão com desespero, pressa de casar, um estado demasiado carente pode provocar na mulher algumas “emoções” enganadoras e paliativas. Tem mulher que se apaixona todo santo dia, mal sai de uma paixão logo cai de paraquedas em outra. Um dia desses uma amiga estava apaixonada novamente, nem estamos no meio do ano e lá vem ela pela oitava vez radiante por estar apaixona e por “desta vez” ter encontrado o homem da sua vida. Fácil traduzir esse sentimento, ela está louca para se casar com o primeiro que lhe der atenção, amor e carinho, necessariamente nesta ordem. Se o cara der atenção, pronto está apaixonada novamente. Isso não é paixão, o nome disso para umas é “relógio biológico” e para outras, medo da solidão.
A paixão não acontece fácil. Existem pessoas que se apaixonam pela convivência, por ver a outra diariamente no ônibus, no trem, na loja, no curso, no trabalho, na escola... Quando a paixão acontece é fácil perceber. Você perde a sua personalidade e se vê fazendo coisas que jamais se imaginaria fazendo. A Paixão é vendaval e tempestade de emoções. Paixão vem bem antes do amor, com aquela loucura e ansiedade de encontrar com a pessoa em qualquer hora e lugar. Você acaba deixando de lado suas dúvidas, medos e preconceitos.  Antes você não tinha tempo para nada, agora você desmarca compromissos e arruma dias na agenda para se encontrar com ele.  Apaixonar-se é inevitável, ninguém planeja se apaixonar, a coisa não é tão simples de acontecer, e , quando acontece sempre te pega de surpresa revirando os pensamentos com aquele desejo incontrolável de estar ao lado da pessoa. Se você não tinha tempo passa a ter. Se você é tímida vira a pessoa mais comunicativa do mundo. Paixão tem lá seus mistérios. Apaixonar-se é preciso!
Seus interesses pessoais passam a não ter tamanha importância diante do que você começa a sentir por ele. Paixão é pressa. Paixão é cura para a alma!
A paixão desenvolve no âmago uma força indescritível, levando você a crer no inimaginável. Você passa a ter mais coragem, mais brilho na pele e nos cabelos. Uma mulher apaixonada perde peso sem perder a elegância, sem parecer doente. Nada mais importa, apenas viver aquele sentimento tão mágico, tão único...
Nem sempre a paixão será uma ponte que levará ao amor. A paixão é livre, já o amor é um elo, uma união que virá com a convivência.  O amor não é a primeira vista, a paixão sim.
Às vezes a sensação que dá é que você não sentirá com ninguém o que ele provoca em você. Uma mulher apaixonada traz na pele o cheiro do seu homem. Na boca guarda o sabor dos beijos.
Os pretendentes somem diante dos seus olhos, não existe outro homem na face da Terra que desperte em você o que ele desperta, o que somente ele sabe despertar.
A paixão não é singela e não é discreta... É sempre escandalosa. As pessoas ao redor conseguem notar um casal apaixonado, eles se entregam no olhar sempre faminto e sedento.
Apaixonar-se é inevitável...
Uma vez apaixonada você rejuvenescerá, fará uma mudança radical no guarda-roupas e na sua imagem. A paixão não vem dosada, não existe medida certa. Ou ela é intensa ou não é.
A sua agenda vasta de compromissos perderá para a pessoa mais importante da sua vida. Você adia compromissos, só tem um número para ligar e um lugar para ir. Como todo sentimento a paixão tem seus prós e contras, com a diferença de que é devastadora e não lhe dá chances de pensar ou recuar, quando você percebe está completamente domada.
Para algumas mulheres apaixonar-se não é bom... Desleixam da casa, descuidam da família, abandonam o trabalho, mas para outras tem lá o seu lado bom de sentirem-se tão envolvidas com alguém.
Os apaixonados não se importam com quem está a volta, se são solteiros ou casados, se estão errados reconhecem, mas não se deixam.
Apaixonar-se é para os fortes, para quem não tem medo de mergulhar de cabeça em outro alguém, para quem não tem medo de dar rasantes mesmo sabendo que poderá quebrar a cara.
A paixão uma vez rejuvenescedora, quando termina causa envelhecimento precoce.
A paixão é egoísta e não mede esforços.
Há quem deseje viver uma paixão e há quem morra de medo.
Você se sentirá curada de dores passadas, das mágoas e dos seus medos bobos.
A primeira vez de vocês será melhor do que todas as palavras românticas que desejou ouvir antes. Apaixonados não costumam usar palavras, vivem dos gestos.
Uma mulher apaixonada encontra sua existência perfeita no mundo quando está nos braços do homem da sua vida.
Às vezes você só precisa ter alguém que te faça bem, que faça saltar o seu melhor. Que te reinvente e te dê colo de vez em quando. Algumas pessoas possuem a habilidade de tornar pequenos instantes em momentos indescritíveis que ficarão para sempre na memória, no gosto que fica na boca e no cheiro que entranha na pele. Algumas pessoas têm o dom de ficar na nossa vida para sempre.

Não posso dizer se para você a paixão será sorte ou azar, mas não custa nada permitir que aconteça. Afinal, que graça tem uma vida morna?





Alessandra Benete é carioca, sagitariana, tem 37 anos, mora atualmente em Xerém 4º distrito de Duque de Caxias - RJ, é mãe do Alecsander e do Alexandre e muito apaixonada pela vida. É autora dos livros: Papo Cabeça - O Manual da Mulher Poderosa (Autoajuda) que você pode comprar AQUI , Desenvolvento a Inteligência Emocional (Autoajuda) que você pode comprar AQUI e Doce Novembro (Romance) que você pode comprar AQUI . 
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