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segunda-feira, 2 de julho de 2018

[O futuro da Literatura] Djamila Ribeiro


Djamila: Um expoente negro!







Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, 
impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.


Djamila Ribeiro

Djamila Taís Ribeiro dos Santos (Santos, 1 de agosto de 1980) é uma feminista e acadêmica brasileira. É pesquisadora e mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Tornou-se conhecida no país por seu ativismo na internet.

Iniciou o contato com a militância ainda na infância. Uma das grandes influências foi o pai, estivador, militante e comunista, um homem que mesmo com pouco estudo formal, era culto. O nome Djamila, de origem africana, foi uma escolha dele. Aos 18 anos se envolveu com a Casa da Cultura da Mulher Negra, uma organização não governamental santista, e passou a estudar temas relacionados a gênero e raça. 

Graduou-se em Filosofia pela Unifesp, em 2012, e tornou-se mestre em Filosofia Política na mesma instituição, em 2015, com ênfase em teoria feminista. Em 2005, interrompeu uma graduação em Jornalismo. Suas principais atuações são nos seguintes temas: relações raciais e de gênero e feminismo. É colunista online da CartaCapital, Blogueiras Negras e Revista Azmina e possui forte presença no ambiente digital, pois acredita que é importante apropriar a internet como uma ferramenta na militância das mulheres negras, já que, segundo Djamila, a "mídia hegemônica" costuma invisibilizá-las.

Em maio de 2016, foi nomeada secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo durante a gestão do prefeito Fernando Haddad.

Escreveu o prefácio do livro "Mulheres, raça e classe" da filósofa negra e feminista Angela Davis, obra inédita no Brasil e que foi traduzida e lançada em setembro de 2015. Participa constantemente de eventos, documentários e outras ações que envolvam debates de raça e gênero.

Obras

  • O que é lugar de fala? (2017): o livro aborda a urgência pela quebra dos silêncios instituídos, trazendo também ao conhecimento do público produções intelectuais de mulheres negras ao longo da história.
  • Quem tem medo do feminismo negro? (2018)

Fonte:Wikipedia

sexta-feira, 22 de junho de 2018

[Biografias Reais] Ruth Guimarães



Ruth Guimarães e todo o seu revoar literário






"...e as palavras que outrora caminhavam pela superfície plana do papel 
voaram junto de Ruth, porém não foram embora;
Ao olharmos para o límpido céu podemos vê-las 
voando e se entrelaçando junto aos pássaros agora.
Toda a doçura do seu ser que antes resplandecia no seu rosto
 agora podemos ver nas flores dos nossos caminhos;
E os sonhos de Ruth paira sobre nós delicadamente como um orvalho 
na Bocaina que agora chora a saudade dos seus versos lindos."
Peter Lote




Nascida em Cachoeira Paulista-SP, em 13 de junho de 1920, Ruth Botelho Guimarães, além de poeta, romancista, contista, cronista, jornalista e teatróloga, notabilizou-se como tradutora e pesquisadora da literatura oral no Brasil.1 Além disso, lecionou Língua Portuguesa por mais de 30 anos em escolas da rede pública de São Paulo. Ainda menina, revelou-se poeta e, aos dez anos de idade, já publicava seus primeiros versos nos jornais A Região e A Notícia, ambos de circulação local. Aos dezoito anos, mudou-se para a capital paulista a fim de prosseguir seus estudos na USP, onde concluiu os cursos de Filosofia e, mais tarde, de Letras Clássicas. Cursou também Folclore e Estética. 



Como jornalista, colaborou na imprensa paulista e carioca, mantendo também por vários anos uma seção permanente de literatura nas páginas da Revista do Globo, de Porto Alegre, em que resenhava livros, mantinha um concurso de contos, e onde publicou seus primeiros textos literários e traduções. Escreveu, também, crônicas e críticas literárias nas páginas de Correio Paulistano, A Gazeta, Diário de São Paulo, Folha de Manhã e Folha de São Paulo.



É como romancista que Guimarães consegue projeção nacional. Em 1946, publica Água Funda, obra aplaudida por Antônio Cândido e Nelson Werneck Sodré. Nas palavras de Oswaldo de Camargo,



Com o romance Água funda, Ruth Guimarães oferece uma intensa e deliciosa viagem pelo universo caipira da fazenda Olhos D'água, localizada em uma cidadezinha do interior mineiro, aos pés da Serra da Mantiqueira. O mundo de atmosfera mágica por onde desfilam senhores e sinhás, contadores de casos, ou causos, e no qual a superstição e o sobrenatural muitas vezes orientam a vida cotidiana. (apresentação da autora durante debate no Museu Afro Brasil, em 2007).



Pode-se dizer que Ruth Guimarães foi uma das primeiras escritoras negras a ocupar espaço nacional no cenário da literatura brasileira. Estudiosa da cultura popular, principalmente do folclore, e autora de diversas obras que valorizam essa vertente da nossa cultura, Ruth teve como mestre ninguém menos que Mário de Andrade. Segundo a escritora e pesquisadora, Mário foi o grande responsável por apresentá-la melhor ao folclore brasileiro. Entre suas dezenas de publicações, destacam-se, além de Água Funda, Calidoscópio - A saga de Pedro Malazarte, Lendas e Fábulas do Brasil, Contos de Cidadezinha e o ensaio Os filhos do Medo. Traduziu Balzac, Dostoievski, Daudet e Apuleio, além de ser autora de um importante dicionário da Mitologia Grega.



Em 2007, Ruth concedeu um depoimento para o seminário “Encontro de Gerações”, promovido pelo Museu Afro Brasil, falando de sua obra e criação.


Em 18 de setembro de 2008, a escritora foi empossada na Academia Paulista de Letras, sendo eleita imortal em 5 de junho do mesmo ano, com 30 dos 34 votos válidos. Às vésperas de completar 89 anos, foi convidada pelo prefeito Fabiano Vieira para assumir a pasta da Cultura, na sua cidade natal. Após aceitar a proposta, afirmou que estava ansiosa para trabalhar de forma efetiva pela sua cidade. Ruth Guimarães também integrou importantes entidades culturais, como o Centro de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade e a Sociedade Paulista de Escritores.

Com a saúde debilitada, faleceu, aos 93 anos, em 21 de maio de 2014.

Fonte: LetrasUFMG


sexta-feira, 15 de junho de 2018

[Biografias Reais] Graça Aranha

Graça Aranha : A elite inspirada e abolicionista


Nenhum preconceito é mais perturbador à concepção da arte que o da beleza.
Graça Aranha


Graça Aranha (1868-1931) foi um escritor brasileiro. Seu romance "Canaã" abriu o período Pré-Modernista, compreendido entre 1902 e 1922. Proferiu o discurso inaugural da Semana de Arte Moderna.
Graça Aranha (1868-1931) nasceu em São Luís, Maranhão, no dia 21 de junho de 1868. Filho de família abastada e culta o que favoreceu e seu desenvolvimento cultural. Estudou na Faculdade de Direito do Recife, numa época agitada pelas ideias de Tobias Barreto. Formou-se em 1886 e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde seguiria a carreira de juiz. No mesmo ano da Proclamação da República, 1889, já era magistrado em Campos, estado do Rio. Em 1890, foi nomeado juiz municipal em Porto Cachoeiro, no Espirito Santo.
A permanência no interior lhe permite recolher material para seu romance "Canaã", publicado em 1902. O romance retrata a vida em uma colônia de imigrantes europeus, no Espirito Santo. Tudo gira em torno de dois personagens imigrantes alemães, com diferentes visões de mundo. Enquanto Milkau acredita na humanidade e pensa encontrar a "terra prometida" (Canaã) no Brasil, Lentz tem dificuldade de se adaptar à realidade brasileira, voltada para a superioridade germânica e para a lei do mais forte.
Em 1897, antes da publicação do romance "Canaã", foi precocemente eleito membro da Academia Brasileira de Letras, no ano de sua fundação. Ocupou a cadeira nº38, cujo patrono foi Tobias Barreto. Em 1914, após uma conferência sobre "O Espírito Moderno", desliga-se da Academia.
Entre 1900 e 1920, como diplomata do Itamarati, desempenhou várias missões diplomáticas na Inglaterra, Itália, Suíça, Noruega, Dinamarca França e Holanda. Em 1920 regressou ao Brasil, convencido de que a literatura brasileira precisava mudar. Passa a integrar o movimento que revolucionou o país, a Semana de Arte Moderna. No dia 13 de fevereiro de 1922, proferiu o discurso inaugural do movimento, "O Espírito Moderno". De personalidade combativa, aderiu em 1930, à Revolução de Outubro, que colocou Getúlio Vargas no poder.
José Pereira de Graça Aranha morreu no Rio de Janeiro, no dia 26 de janeiro de 1931.

Obras de Graça Aranha

Canaã, romance, 1902
Malazarte, teatro, 1911
A Estética da Vida, ensaio, 1921
O Espírito Moderno, ensaio, 1925
Futurismo, manifesto, 1927,
A Viagem Maravilhosa, romance, 1927
O Meu Próprio Romance, autobiografia, 1931
O Manifesto dos Mundos Sociais, 1935

Fonte: Ebiografia

sexta-feira, 11 de maio de 2018

[Biografias reais] Paulo Coelho

Paulo coelho: O bruxo dos versos




“Não tinha um centavo no bolso, mas tinha fé na vida.” 
Paulo Coelho


Paulo Coelho (1947) é um escritor brasileiro, autor de romances, ficções, investigação policial, temas místicos e autoajuda, é um dos autores mais vendidos no mundo. Ocupa a cadeira nº 21 da Academia Brasileira de Letras.

Paulo Coelho de Souza nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 24 de agosto de 1947, foi um adolescente problemático, chegando a ser internado várias vezes entre os anos de 1965 e 1967. Ingressou na Faculdade de Direito Cândido Mendes, mas abandonou o curso para viver como hippie, época em que fez várias viagens pelo mundo.

Nos anos 70 conheceu o músico Raul Seixas com quem fez uma parceria que rendeu diversas músicas de sucesso do cantor, entre elas, “Gita”, “Eu Nasci há Dez Mil Anos Atrás”, e “Al Capone”.

Antes de se dedicar à literatura, Paulo Coelho foi ator, diretor de teatro e secretário de redação do jornal O Globo. Em 1986, decidiu viajar pela Europa e fez a peregrinação do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, experiência que o despertou para a literatura. No ano seguinte escreveu “O Diário de um Mago”, onde relata os seus três meses de peregrinação, e a partir de então, começou sua carreira bem sucedida como escritor.

Em 1988, Paulo Coelho publicou “O Alquimista” que se tornou best seller no Brasil e se destacou como um dos livros mais vendidos no mundo.

Paulo Coelho entrou para a Academia Brasileira de Letras em 2002, causando certa polêmica entre alguns literatos e críticos, pois, ficaram fora da Instituição autores consagrados como Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes.

Junto com sua esposa, a artista plástica Christina Oiticica, fundou o Instituto Paulo Coelho, instituição sem fins lucrativos, financiada através dos direitos autorais do escritor, dedicada a ajudar jovens e pessoas da terceira idade.

Paulo Coelho já foi considerado o autor brasileiro mais vendido na França. Seus livros são traduzidos em diversas línguas, recebeu diversos prêmios e condecorações, entre eles: Comendador da Ordem do Rio Branco (Brasil, 1998), Chevalier de L’Ordre National de la Legion d’Honneur (França, 2000), Corine Iternationeler Buchpreis (Alemanha, 2002), Nelsen Gold Book Award for tee Alchemist (UK, 2004), Elle – Melhor Escritor Internacional (Espanha, 2008), entre outros.



Mariane Helena
Fonte: Ebiografia

sexta-feira, 4 de maio de 2018

[Biografias reais] Augusto Cury



Augusto Cury: Convertido pelas palavras!





"Apesar dos nossos defeitos, 
precisamos enxergar que somos pérolas únicas no teatro da vida 
e entender que não existem pessoas de sucesso ou pessoas fracassadas. 
O que existe são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles."

Augusto Cury
   


Augusto Cury (1958) é um médico psiquiatra, professor e escritor brasileiro, famoso pelos seus livros na área de psicologia. É o autor da Teoria da Inteligência Multifocal.

Augusto Cury (1958) nasceu em Colina, São Paulo, no dia 2 de outubro de 1958. Formou-se em Medicina pela Faculdade de São José do Rio Preto. Dedicou-se durante 17 anos à pesquisa sobre as dinâmicas da emoção. É o criador da Teoria da inteligência multifocal, que visa explicar o funcionamento da mente humana e as formas de como devemos fazer para exercer maior domínio sobre a nossa vida por meio da inteligência e pensamento.

As tensões e angústias do dia a dia são temas constantes em suas conferência e seus livros. Os problemas derivados do trabalho excessivo e as exigências do mundo moderno também são assuntos constantes nas explanações.

Publicou “Inteligência Multifocal” (1999), onde apresenta mais de 30 elementos essenciais para a formação da inteligência humana, tais como o processo de interpretação, a democracia e o autoritarismo das ideias e o fluxo vital da energia psíquica.

Cury é membro de honra do Instituto da Inteligência, de Portugal, diretor da Academia de Inteligência - instituo que oferece treinamento aos psicólogos e educadores. É Doutor Honoris Causa da UNIFIL- Centro Universitário Filadélfia, em Londrina, no Paraná.

Augusto Cury publicou vários livros, entre eles: “Revolucione Sua Qualidade de Vida“ (2002), “Dez Leis para Ser Feliz” (2003), “Nunca Desista de Seus Sonhos” (2004), Coleção “Análise da Inteligência de Cristo” (2006), “Os Segredos do Pai-Nosso” (2007) e “De Gênio e Louco Todo Mundo Tem um Pouco” (2009).

Augusto Cury foi considerado pelo jornal Folha de São Paulo como o autor brasileiro mais lido da década de 2000.



Mariane Helena
Fonte: Ebiografia

segunda-feira, 23 de abril de 2018

[O futuro da literatura] Diego Sant'ana


Um fantástico possível: Diego Sant’Anna 




"A riqueza está nas ideias dos mundos inspirados."

Diego Sant’Anna 

Nascido em São José dos Campos, interior do estado de São Paulo, Diego Sant’Anna formado em Letras e especializou-se em Filosofia Moderna e Poética pela USP. Atualmente tem 30 anos, e desses, 6 dedicados a literatura. 

Diego tem 3 irmãos vivos, um metalúrgico, um confeiteiro e uma irmã adolescente. Mas também tem um quarto irmão que faleceu aos 4 anos de idade, "no meu Livro: Exórdios: A Origem do Silêncio, faz uma bela homenagem a ele" Diz o autor.

Começou a escrever profissionalmente, enviando obras para concursos literários em 2011, justamente o ano em que começou o curso de Letras. O universo literário sempre o encantou. Quando era criança, se destacava na criação de diversos textos, principalmente poesias, pois gostava de rimar as palavras. 

Quando falou para seu pai que iria cursar Letras ele disse: "Você vai ganhar mal e apanhar de aluno", mas seu sonho era maior do que o medo. Quando ganhou pela segunda vez o Prêmio de Literatura de São Francisco Xavier, no ano de 2014, seu pai entendeu a importância que a Literatura tem na sociedade, e se emocionou com o talento de seu filho.

Diego optou por ter sua formação em Letras para entender melhor o mundo literário, além de buscar a excelência na gramática e ortográfica. Mas foi trabalhando na biblioteca que este universo literalmente se abriu. Foi lá onde teve contato com outros escritores; participou de cursos voltados a literatura e teve muito apoio em publicar a sua primeira obra.

Veja como em pouquíssimos anos, Diego Sant'anna despontou com sua promissora carreira:
  • Em 2011 participou do Mapa Cultural Paulista na categoria poesia. 
  • Em 2013 teve diversas obras publicadas em antologias, ganhou vários concursos literários dentro e fora do Brasil e publicou sua primeira obra solo, titulada: MORTALITAS: Uma História De Amor E De Morte. 
  • Em 2014 foi escolhido para representar o Brasil na Feira Internacional do Livro de Belgrado/Sérvia. 
  • Em 2015  representou o Brasil no maior festival literário do mundo em Edimburgo/Escócia e publicou o livro: A Chave Para O Infinito. 
  • Em 2017 publicou seu segundo livro de poesias chamado: Exórdios: A Origem do Silêncio. Atualmente dirige a revista literária Belas Artes e trabalha na produção de um novo livro do gênero Fantasia.
  • Atualmente também é diretor do grupo editorial "Editorial Belas Artes" formado por jornalistas e escritores.


Mariane Helena

sexta-feira, 13 de abril de 2018

[Biografias Reais] Raul Astolfo Marques

HUMILDEMENTE AUTOR DA PRÓPRIA HISTÓRIA


"Humilde e obscuro, mas infatigável no estudo e no trabalho, Astolfo Marques fez-se de tal modo indispensável aos homens brancos a quem servia, que, na organização da "Oficina dos Novos", eles se viram forçados a dar-lhe um lugar a seu lado".


Humberto de Campos

Nasceu em São Luís, a 11 de abril de 1876, e faleceu na mesma cidade, a 20 de  maio de 1918. De origem humilde, conforme assevera a placa transcrita, não será necessário maior esforço para chegar à conclusão de que enfrentou muitas dificuldades na vida.

Nascido na plena vigência do regime escravocrata, que somente 12 anos depois teria sua abolição nominal, já que as seqüelas sociais da escravidão, graves, profundas e vergonhosas, prolongar-se-iam por anos a fio, qual estigma indelével, facilmente se concluirá com quantos e tão grandes obstáculos Astolfo Marques precisou lutar e, mais que isso, vencê-los e superá-los.

Além de negro e pobre, nasceu numa época e numa sociedade negreira e, portanto, provincianamente amesquinhada pelo preconceito de cor, segundo  registram diversas obras maranhenses, a exemplo, entre outras, de O mulato (1881), romance de Aluísio Azevedo, Vencidos e degenerados (1915), crônica maranhense de Nascimento Moraes, O cativeiro (1941), memórias de Dunshee de Abranches, e, do próprio Astolfo Marques, A nova aurora (1913), novela maranhense.

Por força de sua vocação para as letras e, em conseqüência da premente necessidade de muitas leituras que lhe lastreassem a cultura humanística e literária que não haurira nos bancos escolares, Astolfo Marques postulou e obteve ingresso no quadro funcional da Biblioteca Pública do Estado, onde foi admitido em função compatível com sua condição social: servente, cargo do qual, por sua dedicação e habilitações, ascendeu depois, atuando como amanuense/assistente da Direção da Casa.

A pouco e pouco firmou seu nome nos meios literários da cidade, pela copiosa colaboração que publicou em diversos órgãos da imprensa, a exemplo d´A Revista do Norte, dirigida por Antônio Lobo, do boletim Os Novos, publicação oficial da Oficina dos Novos, do Diário Oficial e do jornal Pacotilha. Nesses e em outros órgãos publicou seus famosos Apuntos Biobibliográficos, novelas, contos, racontos e outros registros interessantes da vida maranhense, seus costumes, suas festas e tradições populares.

Astolfo Marques é, por excelência, uma das mais completas e relevantes figuras do costumbrismo maranhense, timbrando em retratar, com fidelidade, a vida das camadas mais humildes da sociedade local, extrato social de provinha, que conhecia profundamente, e que jamais renegou.

Um dos fundadores pioneiros da Oficina dos Novos, e seu secretário-geral sempre reeleito, não por acaso ocupou, naquela importante entidade da vida literária maranhense, a Cadeira 2, de que era patrono Celso Magalhães, pioneiro dos estudos folclóricos no Brasil.

Também na Academia Maranhense de Letras, ao fundar a Cadeira 10, tomou para patrono o biógrafo Antônio Henriques Leal, consagrado autor do Panteon maranhense, cujo trabalho tem muito a ver com o pesquisador dos Apuntos Biobibliográficos.

Admira e edifica o fato de, na noite de 10 de agosto de 1908, no seleto grupo reunido no Salão de Leitura da Biblioteca Pública do Estado, onde Astolfo Marques servira de servente, achar-se ele, igual entre iguais, para participar da fundação da Academia Maranhense de Letras.

Entre os fundadores, foi Astolfo Marques o primeiro a falecer, após o trágico desaparecimento (1916) de Antônio Lobo.

Fran Paxeco, no trigésimo  dia da morte de Astolfo Marques, aos 42 anos de idade, fez-lhe, no jornal Pacotilha, o elogio fúnebre, texto repetido na Revista da Academia Maranhense(Ano 2, v. 2), p. 77-79, que assim começa:
“Faz hoje trinta dias que Raul Astolfo Marques sucumbiu. Um padre solícito rezou uma segunda missa pela sua alma. Os filhos ficaram na miséria e os seus companheiros de trabalho, a breve trecho, esquecer-se-ão dele e do esforço que representou a sua vida, para subir à restrita nomeada em que a morte o arrematou. O egoísmo humano é feroz. E no entanto o Raul merece mais alguma coisa que missas – e do que o olvido cruel dos colegas.”

FONTE: Acadêmia Maranhense de Letras


Mariane Helena

terça-feira, 22 de agosto de 2017

[Biografias - O futuro da literatura] Escritor Braga Barros


Como poeta: Um professor!




A mesa do poeta
Contém o mundo.
(Braga Barros)

José Antônio Braga Barros, mineiro, poeta, notícias, editor, cronista, professor, diretor de escola, pai e avô. Apesar de toda a destreza nessas múltiplas funções e estilos literários, sabe que sua arte é a poesia! Amável, gentil nas palavras e nos gestos... Com seu jeito simples e sempre sorridente marcou (sem sombra de dúvidas) a vida de muitos alunos como eu, que hoje segue os passos do professor que tanto nos encantou. 

Não diferente, os seus filhos como o pai também se tornaram professores. É inegável o poder de atração e influências que suas palavras têm. Pra mim, ainda é algo mágico o que sua sensibilidade é capaz de proporcionar a nós leitores. Com seu dom e habilidade pinta sorrisos e transformações. A matéria era geografia, mas aprendi muito mais sobre as artes, sobre delicadeza, sobre poesia... sobre a vida! Aprendi o que é ser referência, com tanta responsabilidade e humildade, que tratava cada um como uma preciosidade, como um poema.

Natural de Paraisópolis/MG, iniciou sua carreira de professor lá mesmo. Logo, se transferiu para São José dos Campos/SP onde trabalhou até sua aposentadoria. Podemos dizer que foram mais de 30 anos dedicados à educação, logo, dedicados ao outro, dedicados à comunidade!

Veja como o autor defini sua vida: “1955. Prematuro chegou à Paraisópolis, MG. Com três anos de idade começou a usar óculos. Sempre foi ruim de bola, mas treinava com seus amigos. Não era bom de briga, algumas vezes apanhou na rua. Pela ordem queimou a cabeça de seu irmão, quebrou o nariz de sua irmã, jogou a outra pela janela. Aprendeu a ler e a escrever antes de entrar na escola. Depois que entrou na escola nunca mais saiu, até hoje. Foi aluno, professor diretor, facilitador. Mudou poucas vezes de endereço. Ainda conserva seus discos de vinil, seus livros e fotos. Gosta de conhecer lugares diferentes e de sempre voltar para sua terra natal. Gosta de poesia, de jornal, tinta, papel, cola. Sueli, Felipe e Francisco são razões de sua vida. Zé do Jayme e Neuza Regina, os grandes exemplos.” (Braga Barros)

Foi professor, diretor de escola, teve uma passagem pela Secretaria Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Saúde em São José dos Campos. E ainda depois de aposentado, foi Secretário Municipal de Educação em Paraisópolis, por um ano. Mas não parou por ai, formado também em jornalismo foi editor por anos do Jornal O vento. Deixando claro que sua aptidão com as palavras e o amor por elas nunca foi deixado de lado, sempre caminhou passo a passo com sua vida pessoal e sua vida como educador.

Tanto que em 25 anos publicou 10 livros! Construindo assim uma carreira literária bem sucedida e cheia de premiações e honrarias. Conheça as principais:

  • ·         Prêmios: Talento de Paraisópolis, Clube Recreativo por ocasião do lançamento de meu primeiro livro em 1984.
  • ·         Brasão de São José dos Campos. Recebido na Câmara Municipal de São José dos Campos, como reconhecimento pelos bons trabalhos realizados em prol da Educação, ano 2000.
  • ·         Prêmio Aldo Papone - Viagem à Alemanha, no Programa "Aprendiz de Turismo" ´AVT - Brasil onde reptresentou o Brasil na Conferência Internacional de Turismo - GTTP , Bad Homburg, Germany, Novembro  de 2005.
  • ·        Embaixador do Município de São José dos Campos, pelo Decreto Nº 11.922/05, de 11 de Novembro de 2005,
  • ·         É acadêmico da Academia de Letras de São José dos Campos desde a sua reinauguração, ocupando a cadeira nº 10 que tem como patrono o Poeta Manuel de Barros.


Saiba mais através dos cantos abaixo:



Mariane Helena

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

[Biografias Reais] Poetisa Maria Manuela Margarido



Da luta à diplomacia: Te apresento Manuela Margarido



Sempre tive consciência de que os valores portugueses 
nos tinham formado as raízes do pensamento, 
até no modo como reagimos à colonização. (...) 
Fez-se a descolonização e o meu país sentiu-se livre. 
Mas independência não foi nem é tudo. 
Há muito para fazer em toda a África,
é necessário e urgente cuidar da língua portuguesa,
 para que se mantenha.
(Maria Manuela Margarido)



Maria Manuela da Conceição Carvalho Margarido (escritora, diplomata e lutadora contra a ditadura fascista e o colonialismo) nasceu na Roça Olímpia, na ilha do Príncipe, a 11 de Setembro de 1925. O pai, David Guedes de Carvalho, era de uma família judia do Porto, de nome Pinto de Carvalho. A mãe era mestiça, filha de angolana e indiano. O avô materno era descendente de uma família Moniz, de Goa -


 «Trago bem marcada a fusão das minhas origens. Sinto-me como a última geração do que se convencionou ser o império português. Há no meu sangue uma mistura de continentes, nos meus afectos uma mistura de gentes, na minha formação a cultura portuguesa, na minha poesia o resumo do pulsar da minha ilha.»


Começou a viajar para Portugal muito nova. A primeira vez, apenas com três anos. A mãe morreu cedo. Um dos irmãos foi juiz na Madeira, Moçambique e Angola e da família restam alguns familiares nas Ilhas do Príncipe e em S. Tomé.

Apesar de ter passado grande parte da infância em S. Tomé e Príncipe, não falava fluentemente o crioulo. Filha de professora e de juiz, havia na sua casa a pretensão de que os filhos fossem um exemplo no modo de se expressar em português.

Manuela Margarido cedo abraçou a causa do combate anti-colonialista, que a partir da década de 1950 se afirmou em África, e da independência do arquipélago. Em 1953, levanta a voz contra o massacre de Batepá, perpetrado pela repressão colonial portuguesa.

Denunciou com a sua poesia a repressão colonialista e a miséria em que viviam os são-tomenses nas roças do café e do cacau.

Estudou ciências religiosas, sociologia, etnologia e cinema na Sorbonne de Paris, onde esteve exilada. Foi embaixadora do seu país em Bruxelas e junto de várias organizações internacionais.

Em Lisboa, onde viveu, Manuela Margarido empenhou-se na divulgação da cultura do seu país, sendo considerada, a par de Alda Espírito Santo, Caetano da Costa Alegre e Francisco José Tenreiro, um dos principais nomes da poesia de São Tomé e Príncipe.

Da sua vivência como embaixadora, destacou sempre com particular emoção os anos em que ocupou o lugar em Paris, por ter sido a cidade onde, no passado, adquirira a sua maior bagagem cultural e onde tinha deixado importantes relações de amizade.

Quando Mário Soares foi Presidente da República Portuguesa, ela ocupou o lugar de consultora para os assuntos africanos. Desempenhou ainda outras funções, entre as quais, como membro do Conselho Consultivo da revista Atalaia, do Centro Interdisciplinar de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade de Lisboa (CICTSUL).

Uma vez terminada a sua militância de ativa cidadania, pensou voltar à ilha do Príncipe onde continuava a ser proprietária da Roça Olímpia (uma grande extensão de coqueiros, cacaueiros e cafézeiros), mas não tinha nem meios econômicos, nem saúde para a explorar.

Morreu aos 82 anos, a 10 de Março de 2007, em Lisboa, onde vivia.


Mariane Helena

terça-feira, 8 de agosto de 2017

[Biografias - O futuro da literatura] Escritor Davyd Vinicius


A visão do poeta




Sua visão se tornará clara somente quando 
você olhar para dentro do seu coração. 
Quem olha para fora, sonha. 
Quem olha para dentro, acorda.
(Carl Jung)



Ele é poeta, blogueiro e ator! Curitibano das letras, é extremamente visionário e criativo. Até onde sua visão o possibilitou ir ele foi, e quando a sua visão o impossibilitou, ele voou! Conta com a ajuda das tecnologias para permanecer escrevendo e formentando a literatura e principalmente novos escritores.

Em 1995 nasceu. E o seu impeto de cooperar, seu instinto de comunidade se revelou desde a tenra idade. Já foi voluntário mirim no hospital Pequeno Príncipe e atualmente faz parte de dois projetos de grande relevância: o projeto "Ver Com As Mãos" e projeto “Cães Guias (IFC/Camboriu)”. Com apenas 22 anos já é membro da Acadêmia Virtual de Letras, como confrade ocupa a cadeira número 01.

Seu encontro com os versos começou em 2012. Veja o que ele fala sobre o inicio de sua carreira:

"Comecei a escrever aos 17 anos quando o destino me deu uma nova forma de enxergar a vida. Foi através das palavras que encontrei uma forma de manter-me em contato com o mundo e comigo mesmo, desvendando os mistérios de meu coração e descobrindo o meu verdadeiro eu."

Não fazia ideia de como esse seu encontro abriria portas para tantos outros .

Em 2014, sentindo a carência de sites e blogs que divulgassem o trabalho de novos escritores de forma gratuita, o escritor criou o blog "Faroeste Literário" que a princípio apenas abrigaria textos autorais e de amigos mais próximos, porém o blog começou a crescer e a ser procurado por outros escritores. Em 3 anos de existência já foi visualizado por mais de 80 mil pessoas! Um sucesso nacional que repercuti por vários outros países, o blog já divulgou milhares de iniciantes literários.

Também idealizou o projeto "Tinteiro de Pixels" e começou em 2015. Que consisti basicamente em criar conexões entre blogs, sites e outras mídias que fizessem a divulgação gratuita do trabalho desses escritores iniciantes. Com o apoio de diversos sites, blogs e revistas nacionais e internacionais que fizeram a divulgação de livros e poemas, trazendo assim visibilidade para o trabalho de escritores pouco vistos.

Mesmo empreendendo inúmeros esforços para promover seus pares, no seu 5º ano de carreira, já coleciona participações em Antologias. Sendo elas: "Antologia - Entre Contos"; "Antologia - Poetas no Divã"; "Antologias - Dedos que Leem” e  "Antologia - Mãos aos Versos". Porém projeta publicar o seu primeiro livro de poesias, intitulado "Sobre Fragmentos". 


Saiba mais sobre vida e obra desse escritor através dos contatos abaixo:

Mariane Helena

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[Biografias Reais] Escritor Guimarães Rosa

Um mineiro Luminoso!




"Porque a cabeça da gente é uma só, 
e as coisas que há e que estão para haver são demais de muitas, 
muito maiores diferentes, 
e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, 
para o total.“
(Guimarães Rosa)

Guimarães Rosa é um grande escritor brasileiro, que deixou seu estilo e sua marca em todos aqueles que leram algumas de suas histórias.


Foi um homem memorável...


João Guimarães Rosa percorreu a zona rural de Minas Gerais,, Goiás, Mato Grosso e Bahia com um pequeno caderno pendurado no pescoço. Nesse bloco, anotava as expressões do povo e os nomes cultos de plantas e animais da região.

Em 1929, ainda como estudante, João Guimarães Rosa estreou nas letras. Escreveu quatro contos: Caçador de camurças, Chronos Kai Anagke (título grego, significando Tempo e Destino), O mistério de Highmore Hall e Makiné para um concurso promovido pela revista O Cruzeiro. Visava mais os prêmios (cem mil réis o conto) do que propriamente a experiência literária; todos os contos foram premiados e publicados com ilustrações em 1929-1930.

Como diplomata, ele protegeu e facilitou a fuga de judeus perseguidos pelo Nazismo. Pelo feito, Guimarães Rosa e sua mulher foram homenageados em Israel, em abril de 1985, com a mais alta distinção que os judeus prestam a estrangeiros: o nome do casal foi dado a um bosque que fica ao longo das encostas que dão acesso a Jerusalém.

Em 1963, foi eleito para a ABL (Academia Brasileira de Letras). Durante quatro anos, adiou a posse. Achava que iria morrer logo depois. Assumiu em 1967, e morreu três dias após tomar posse.

Foi internado como prisioneiro na Alemanha durante a segunda guerra mundial.

Com os personagens Joãozinho Bem-Bem, Riobaldo, Dindorim, Medeiro Voz, Joça Ramiro surgem os primeiros heróis da literatura brasileira.

O amigo e ministro Artur Portela o chamou de "Relógio do Sol", "porque só marcava as horas luminosas".


Mariane Helena
Fonte:Coleção Folha