Eu escrevo a
minha história e ela não é igual a sua.
Talvez a
descrição do meu creme dental Oral B com flúor 1.2.3, se assemelhe à sua, mas
ele nunca terá como companhia um frasco de enxaguante bucal Listerine Cool Mint
com um dedo apenas por terminar, e com certeza o seu desespero não seja o mesmo
que o meu em vê–lo na penúria e eminência de morte salivar, porque é muito cedo
e o comércio não abriu ainda, mesmo porque o tempo é contado e precioso, tenho
menos de uma hora para me arrumar e dar ração para os cachorros, verificar se
estão com água suficiente, passar o cajal nos olhos e o corretivo está na bolsa
que se fixou embaixo deles, passar o rímel e ou a máscara que é como chamam
agora, no meu tempo era rímel, meu batom habitual cor de vinho, eu gosto,
decidir dentre os vários perfumes, uma mania que ainda não consegui conter, amo
perfumes, os frascos e as fragrâncias diversas me encantam de uma forma
hipnotizante, escolher a roupa que quase sempre enchem a superfície da cama,
saem do guarda–roupa e se deitam na cama depois de uma incessante sessão de
experimentos, juntamente com os sapatos.
Essa é a
figuração matinal de uma pessoa que precisa melhorar sua aparência pois nem
todas as mulheres nasceram Giseles.
Você nem mesmo
terá a pia branca pequena fixada na parede sem armário embaixo dela e um pedaço
de sabonete conjugado rosa com azul, numa tentativa de reutilização, geralmente
dá certo, você também não verá a mim no espelho escovando os dentes e sorrindo
e pensando justamente em todas essas descrições e nem como os cabelos deverão
ficar a esta manhã.
Habitualmente as
coisas se apresentam à minha frente como páginas de um livro, causam comichão e
inquietação, então elas precisam ser lapidadas e acomodadas nestas folhas
brancas, talvez alguém se interesse em ler e ou publicar n’algum jornal. A
caneta? Esta deve possuir uma escrita muito fina, do contrário, ofuscará toda a
inspiração e por fim toda a descritiva deverá ir para o mundo virtual do Word.
Então de posse
das minhas ações corriqueiras, depois de desligar todos os aparelhos das
tomadas, verificar se as janelas estão fechadas, ponho a chave na porta, dou as
voltas necessárias, faço o mesmo no portão, olho para os dois lados da rua e
vou a pé, mochila nas costas, arrumada o suficiente para um dia inteiro de
trabalho, dinheiro da passagem na mão, facilitando a entrada no ônibus, óculos
escuros e olhar no céu que é azul, poderia ser amarelo, vermelho, preto ou
branco, mas é azul.
Este pensamento
da cor do céu me ocorreu ontem quando o olhei e ele se apresentou sorrindo a
mim, se insinuando como uma joia gratuita a qual todo o ser vivente tem
direito, sem pagar imposto algum e hoje por conta dele é que estou aqui
descrevendo o meu dia calmo e suave, por causa dele. E por causa dele e todas as nuances naturais
deste planeta que me pertence, que me contém é que escrevo e dou o passo a
passo.
Toda esta crônica foi escrita em 2017 para um jornal, ele está fora do
ar, achei interessante compartilhar aqui no espaço do Blog, desejando que você
procure pelo seu céu azul e sinta na mesma proporção emoções de libertação da
alma. Viva, apenas viva.
Tenham todos vocês um início de semana memorável!
Imagem extraída do Pixabay
Indicação de filme: O Mistério do Relógio na Parede
Por: Anna Costa.

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