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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Arte: Expressão da Inteligência - Por Ronaldo Henrique Barbosa Junior


É inegável a necessidade de a educação dialogar com diversas tecnologias para ampliar o interesse dos estudantes pelas informações. Porém, mesmo com tantos artifícios pedagógicos, muitas salas de aula têm formado repetidores de ideias, e não verdadeiros pensadores, visto que muitos profissionais possuem a dificuldade de entrar na vida do aluno e não ser apenas professores, mas mestres, educadores.
É uma verdade lastimável a desvalorização dos profissionais de educação e a desmotivação consequente do desrespeito que os professores têm sofrido, mas certamente os troféus são significativos – ainda que insuficientes e mínimos – para aqueles que se debruçam sobre o nobre ofício de lecionar, sendo estes os verdadeiros arquitetos do futuro, aqueles que não perdem a esperança apesar dos ventos contrários.
O fato de o porvir ser construído pela geração que atualmente está nas escolas demonstra o quão delicada é a situação: observa-se a importância de os educadores desenvolverem não apenas o conhecimento de cada estudante, mas também as emoções, ou seja, é necessário entrar na vida do estudante como uma peça fundamental para que este possa desenvolver suas capacidades cognitivas. Afinal, um indivíduo que consegue expressar e administrar o que sente é um indivíduo com maior capacidade de desenvolver ideias e analisar criticamente a realidade.
Por isso, ressalta-se a importância do ensino da arte nas escolas. Não a arte baseada em regras e formas, mas a arte que desenvolve o potencial do aluno e o faz sentir-se satisfeito com o resultado de seus trabalhos, a arte que faz o aluno entender que o conhecimento é uma parte da bela e apaixonante paisagem da vida, por meio de palavras, músicas, desenhos, pinturas, leituras ou dinâmicas – que façam o aluno dialogar consigo. Fazer arte é desenvolver habilidades e capacidades, é consolidar o entendimento sobre o mundo onde se vive. Ao praticar a arte, desenvolvem-se as principais áreas do conhecimento e se evolui no campo dos sentimentos: aprimora-se a inteligência.
Ou seja, é possível ampliar o potencial do estudante em diversas disciplinas e áreas da vida ao fazê-lo descobrir a beleza das coisas com o aprimoramento de sua aptidão artística, o que torna necessário que o educador tenha sensibilidade para despertar nos indivíduos a inteligência e a capacidade de fazer análises, lançando mão da mais pertinente forma de lapidar consciências para formar opiniões: a retórica da perspectiva, por meio da qual podem ser apresentadas as faces de uma mesma verdade, gerando esperança e concedendo autonomia intelectual.
O educador é, portanto, uma figura indispensável no processo de formação de pensadores, pois educar é uma arte que exige amor aos seres humanos e o comprometimento com trabalho emocional para que se alcance o desenvolvimento. Dessa forma, é necessário que os professores saiam de sua área de conforto para se doar completamente à arte que praticam de ano a ano, lecionando diariamente saberes que muitos livros não trazem em suas páginas repletas de conhecimentos mastigados e, às vezes, obsoletos: a vida que está acerca de todos nós, repleta de sensações com as quais muitos não sabem como lidar pelo fato de não tomarem conhecimento de quem são antes de viver.
De nada adianta desenvolver o raso conhecimento horizontal, que não se aprofunda e não se aplica. É necessário mais. É necessário dar a liberdade de criar para que o aluno alcance sua libertação. É necessário – valendo-me da fala de um educador que marcou meu processo de formação na faculdade de Direito, professor Helio de Freitas Coelho – que atentemos para o que está nos livros, mas não tiremos os olhos da vida. É necessário que a tecnologia mais complexa seja a expressão humana.
Destarte, nota-se o quão insuficiente é lecionar frios conceitos, fazer alunos decorarem textos e cumprirem as tarefas sem desenvolver o que o indivíduo sente, pois deve o saber manifestar-se da decodificação de impulsos por meio dos princípios intrínsecos àquele que se deixa guiar pelo autoconhecimento na extensa e resplandecente caminhada do saber.




Carioca de 19 anos, Ronaldo Henrique Barbosa Junior é acadêmico de Direito e escritor, percorrendo inquieto o mundo da arte no anseio de encontrar-se em meio à multidão. Conheça o autor no site: http://RHBJ10.wix.com/RHBJ


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

[4ª Poética] Autor Ronaldo Henrique Barbosa Junior

Jeca Poeta
Um homem parado na calçadaHavia perto daquela fachada.Era difícil de ser confundido,Pois dia a dia ali estava aderido. Mantinha seu olhar reflexivoDe homem decididoQue muito já havia vividoE à vida devia ser agradecido. Ele muito tinha a contarDe tanto em sua vida caminhar.Bastava um breve lembrar,Para de nostalgia se fartar. Parecia inebriado,Talvez absorto em reflexões,Cheio de vida, mas taciturno,Estava ali, mirando o gado, calado. Não tinha esposa,Mas tinha filhosQue há muito não o viamE nem mesmo falta dele sentiam. Ele era o típico poeta.Mas tristeza quase nunca sentia,Pois a solidão ele havia escolhidoPara ser acompanhado pela poesia. Em seus pensamentos, versejava e rimavaCom a sapiência que o tempo lhe deraA qual em nenhuma ciência encontravaE em sua solitude guardava. Assim, ele usava a tristeza que sentiraPara poetizar sem papel, em sua mente,E mostrava que a tristeza era simplesmenteRenascimento daquele que amor à vida sente. Um homem parado na calçadaHavia perto daquela fachada.Ele da vida tudo esperava,Pois a poesia ele namorava. Sua rotina era julgada sofridaPor ser sem luxo e incompreendida,Mas ninguém sabia que sua rotina em nada era sofrida:Resumia-se em apreciar a beleza desmedida Encontrada nas mínimas coisas que o rodeavamE até na felicidade de gente desconhecida,Pois só assim sua vida era colorida:Observando a beleza que vem da natureza. Só o julgavam taciturnoAqueles que não entendiamA filosofia por ele criadaCom a passagem de cada dia: A natureza era a poesia,Seu tempo era a reflexão,A fachada era a nostalgiaE a mente era toda paixão.


Poema vencedor do II Festival de Poesia do Campus Guarus - de Campos dos Goytacazes, RJ -, realizado no Instituto Federal Fluminense Campus Campos-Guarus, no dia 14/03/2013. Foi tido como o melhor texto do Campus Campos-Centro e o melhor da categoria intercampus, na disputa com outros campus do Instituto Federal Fluminense; e publicado na 69ª antologia da Editora Palavra é Arte.




Acabou o café         As migalhas  farináceas  de  pão com rastros         de manteiga são  pedaços de mim pela        toa-         lha  surrada  que   cobre  a  mesa  de              ma-          deira   carcomida   pelos   cupins  do         tem-            po,  mas  com a robustez  de  quando  um             antepassado a fez. O bule ainda                quente   andava   nos  olha-      res que acompanhavam o tempo passar nas xícaras       vazias com o fundo negro. Restou apenas o gosti-             nho da poesia a criar vida no céu da boca
 

 Selecionado para integrar a I Coletânea Viagem pela Escrita 2015, por meio do I Concurso Nacional Viagem pela Escrita – 2014, promovido pela PoeArt Editora de Volta Redonda - RJ; selecionado para integrar a antologia do XII Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus, com apoio da União Baiana de Escritores (UBE); e integrante da 69ª edição da Antologia Poética da Editora Palavra é Arte.
Ronaldo Henrique Barbosa Junior
RHBJ10.wix.com/RHBJ