a vida inda toca
edhson j. brandão (conhecido
pelo suicídio desistido)
o homem do conserto não vem para deixar
Jurema em alaridos e convulsões histéricas por conta dos panos de prato que não
estarão brancos e reluzentes de cândida nos seus varais até o dia de sábado.
o homem do conserto não vem para
ocasionar um intermitente quebra-pau na Casa dos Pereira uma vez que Jurema se
recusará a fazer suas vezes de mulher naquela noite como troco para o marido
que não pagara os serviços do ausente.
o homem do conserto, sabemos, não vem e
como todo o transtorno será pouco ainda
teremos Laryssah urrando pelos corredores que suas calças e calcinhas ainda não
estariam lavadas e como ela se apresentaria para Walter Emanoel no final de
semana?
tanto escândalo resultando na pressão
psicológica que o Pereira iria sofrer até comprar roupa nova pra filha de
dezessete que só usava moda de boutique.
(não
comprar seria para Pereira a tragédia já muito adiada do seu bom casamento cristão, uma vez que Laryssah,
sua filha, entregaria para a mãe as inúmeras cantadas em torpedos e sms’s que o
pai já dera em todas as suas amigas pedindo para lamber suas vaginas.)
o homem do conserto não vem para abençoar
a Casa dos Pereira em incêndios e dramalhões.
uma máquina quebrada, a sua falta e eu
com um resto de prosa.
se o homem do conserto não vem, pouco me
interessa.
a vida inda toca.
ding, dong.
esperem aí.
não é ele na porta?
* *
Orações A Saturno é o templo da linguagem pragmática sem a moral do mundo que o perturba. É um alento. Algo que eclode. Não sei. Um out de si no tempo da palavra. É sábado, todo sábado. São rezas para deus-palavra. E isso é tudo apenas quando há - nada.

0 comentários:
Postar um comentário