O negro tão famoso como um branco!
"(...) Assim
são as páginas da vida,
como dizia meu
filho quando fazia versos,
e acrescentava que
as páginas vão
passando umas sobre
as outras,
esquecidas apenas
lidas."
(Machado de Assis)
Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista,
dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta,
Carioca, nasceu em meados do século XIX.
Pobre, negro e epilético. Nessas condições,
completamente adversas, Machado de Assis, ainda em vida, se tornou um dos mais
célebres brasileiros de todos os tempos, tendo sido fundador e o primeiro
presidente da então renomada Academia Brasileira de Letras e sendo reconhecido
como o maior escritor do país.
Crescendo no Morro do Livramento, o pai de Machado era
pintor de paredes e sua mãe lavadeira. Seus avós paternos foram escravos
alforriados. Conseguiu iniciar sua carreira literária graças ao
“apadrinhamento” de Manuel Antônio de Almeida – autor do célebre “Memórias de
um Sargento de Milícias” – quando trabalhava como aprendiz de tipógrafo na
Imprensa Nacional. Fez carreira como funcionário público, em uma época em que a
ascensão se dava por indicação direta da família real: em 1867 foi indicado por
D. Pedro II como diretor-assistente do Diário Oficial, e pouco depois como
assistente de diretor. Em 1888 recebe do Imperador uma condecoração oficial da
Ordem da Rosa. Tendo sido indicado a concorrer ao cargo de deputado pelo
Partido Liberal, Machado prefere retirar sua candidatura para não comprometer
sua carreira.
Com esses pequenos apontamentos biográficos sobre o
autor visualizamos qual era sua a posição social: um burocrata do Estado, que
ascendeu socialmente de forma surpreendente graças ao seu talento e, também,
graças ao apadrinhamento de figuras importantes da classe dominante, constando
entre elas ninguém menos do que D. Pedro II, Imperador do Brasil. Esse fato é
determinante para a ausência da temática da escravidão e do negro da obra de
Machado em sua primeira fase.
Até porque, alguém interessado em galgar degraus de uma
posição social humilde rumo à inclusão entre a intelectualidade da classe
dominante – ainda mais alguém negro – certamente não era conveniente tocar em
um tema tão polêmico. E foi o que Machado fez. Paralelamente, se deu o processo
de “embranquecimento” do autor. Hoje mesmo raramente encontramos alguma
referência à cor de Machado que não o classifique como “mulato”, termo que
deriva da palavra “mula”, designando a mestiçagem, (o próprio, não gostava de
ser classificado assim).
Sua imagem foi
tão destorcida ao longo dos anos, que recentemente, estampando um comercial da
Caixa Econômica Federal, Machado de Assis foi representado por um Ator branco.
Devido a repercussão negativa frente a comunidade Negra, o comercial foi substituído
protagonizando agora um ator negro.
Mariane Helena

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