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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

[4ª Poética] Contra o tempo - Barbara Sanco

Contra o tempo


Aqui os relógios não fazem tique-taque.
Muitos não fazem nenhum barulho.
São contadores mudos,
de línguas arrancadas pela Era digital.
Não há romantismo nesses visores fosforescentes.

Então olho para o tempo pela janela.

Brinco de adivinhar as horas,
olho o caminhar lento do Sol,
e quando a Lua vira protagonista
gosto de ver tudo virar nuance
e observar as faíscas a iluminar os casulos
de dois e três dormitórios.

Amanhã as abelhinhas os abandonarão novamente
para serem as boas operárias da Rainha.

E eu...
Eu sigo sendo Quixote
sem lança,
sem escudo,
sem cavalo,
brigando contra moinhos
de ditas invencíveis pás.

............................

Cordialmente,

Bárbara Sanco

[4ª Poética] Acorde o Sol - Barbara Sanco

Acorde o Sol


Não quero saber
se um dia o tempo
vai me transformar em pó.

Só quero buscar
o perdão, a paz
e deixar de ser só.

Se alguém estiver comigo nesta estrada,
acorde o Sol
para a nossa caminhada.

Vou contar ao vento tudo que retina lembrar,
semeando histórias aonde o futuro for me levar.