Um herói, só
um já nos bastava.
Ele tem que
ser gigante, mas tão gigante que eu não o veja, ele tem que ser onipresente, tanto,
que eu sinta sua proteção todas as vezes que tiver que sair por aí, à noite, à
tarde, sozinha ou acompanhada e não sinta medo de nada, ele tem que ser onipotente,
tanto, que eu não temerei a ninguém, pois terei a sua presença, a sua força e a
sua sabedoria.
Eu necessito
deste herói porque o meu país está enfermo. Ele sofre de inanição. Mas do que
vamos alimentá-lo? Do que você acha que ele precisa, de qual alimento urgente?
Eu digo que
necessitamos de Educação. Essa palavra tão dita, tão divulgada e vulgarmente
impressa, tem em seu significado, um teor tão abrangente, tão sensorial, que se
parássemos para analisa-la, poderíamos dizer que ela se encaixa na categoria de
herói.
Educação. Ao
despertarmos do sossegado abrigo maternal e amniótico, somos inseridos neste
ambiente inóspito, imundo. Ficamos à mercê de anti-heróis. Então quase que por
instinto soltamos o nosso primeiro brado de guerra, choramos. Choramos porque
somos atacados logo em seguida do nascimento, a casa organizada e perfeita do
ambiente anterior ficou para traz como uma longínqua lembrança, quase um sonho.
Sofremos a
falta da educação assim que nascemos. Mas como assim?
A educação como
disse é tão abrangente, que ela casa com organização, disciplina, planejamento,
respeito e principalmente as boas maneiras, ah! Mas essas já nos foram
retiradas da grade escolar há muito tempo, práticas domésticas para quê? Moral e
Civismo, também não são necessários, afinal o nosso governo, não é militar,
então morrem-se todos os símbolos, hinos e datas comemorativas referentes às
fardas. Amor à pátria? Quem sabe cantar o Hino Nacional? Mas voltemos ao
hospital, assim que nascemos, somos postos de cabeça para baixo, não? Levamos uma
palmadinha, não? Ficamos ali nus, expostos, alvos de olhos famintos e está
frio, muito frio, também não? Somos alvo de cliques e beijos e gracejos e
sacode daqui e dali e depois vamos à rua onde os carros buzinam e freiam e
gritam suas músicas e soltam fumaça e gritam com o outro e o carro sacode porque
temos buracos no asfalto e buzinas e mais buzinas por que têm pressa, porque há
carros em demasia nas ruas que não foram alargadas, porque não há dinheiros nos
cofres públicos, não? De onde saem os que são enfiados nas cuecas e castelos? Já
sei. Já sei onde está o dinheiro das coisas que não foram construídas, o
dinheiro que deveria pagar médicos e segurança ao cidadão em todas as
instancias, ele está no feijão indo para o arroz e se ninguém o frear ele pode
parar no ar que respiramos.
Em casa tem
brigas, batidas de portas, na escola há bullying, guerra de papel em sala de
aula na presença da professora, tem muro pichado, sujeira no chão, festival de
meninas dançando até o chão, tem briga fora do portão, que portão? Tem pessoas
assistindo e filmando e rindo, se divertindo, por que duas meninas “saíram na
mão”, isso é legal, e vai virar notícia nas redes sociais. Rede social! Já
parou para pensar sobre o significado da expressão? Não? Acho que entrei em
mundo errado ou não? Mas calma espere um pouco, onde está o nosso herói? O que
irá colocar as coisas no lugar? Que trará um pouco de dignidade às pessoas e
entendimento das palavras e expressões? Onde está o nosso herói Oni?
Ana@Cristina.

0 comentários:
Postar um comentário