Um dia sentindo
saudades de mim, de casa, de família, de filha, de um milhão de coisas que
trouxeram ao meu espírito um sentimento de acolhimento, de ninho, de proteção, de
infância e desprendimento, neste dia, pus tanto sentimento nas palavras, que
elas acabaram se deitando sozinhas na folha solitária de papel. Porque saudade
é gostosa de sentir. Porque saudade é aquele doce que guardamos para comer
depois, naquela hora em que não tem ninguém olhando, porque queremos comer
sozinhos. Porque este momentinho nos dá tanto prazer. Porque saudades são
pedacinhos de coisinhas tão bobinhas, às vezes tão insignificantes hoje, que
rimos e choramos pela importância dada, por termos sido tão inocentes, por
termos sido tão felizes. Posso dizer que saudade é um remédio, um
medicamentozinho da alma, como se ela não soubesse viver nem ao menos
sobreviver sem este ingrediente tão doce.
O “Sinto
Saudades”, mexeu comigo, mexeu com tantas pessoas, mexeu em bauzinhos, remexeu
nos seus coraçõezinhos.
Parte da
minha felicidade é essa, é saber que alguns se regozijam, assim como eu, com
coisinhas tão inhas, que riem à toa, às vezes e depois também, lembrando do
episódio.
Hoje eu lhe
dou saudades. É o que tenho para hoje, saudades.
Recordemos que
ao abrir as janelas das casas, ouvíamos gritos e risadas de crianças disputando
o domínio de uma bola de futebol, muitas vezes era uma bola de supermercado,
dessas que se vendem em gôndolas abarrotadas de multicoloridas redondas, mas
que vinham recheadinhas de felicidades. Recordemos que o Natal era uma data tão
importante, como era importante, por ene e vários motivos, os religiosos, os
comerciais e o principal deles para uma criança, era o motivo de ganhar
presentes, com muitos esses e que Deus nos olhasse lá de cima, mas que o nosso
interesse era esse, lá isso era. Recordemos que nas escolas aprendíamos sobre a
pátria, sobre nossa casa mãe e a louvávamos e a adorávamos, mas que
infelizmente a bandeira foi deslizando no mastro até rastejar-se e nadar em
correntezas de lama, devastando cidades inteiras.
Eu tenho
saudades.
Às vezes
elas doem, pois sei que ficarão apenas nos anais do meu pensamento.
Se você
tiver saudades de alguma coisa gostosa, está vendo aquela arvorezinha lá longe,
está vendo aquela pedra lá em cima, está vendo aquele gramado, ali naquela
curva, está vendo aquele edifício bem alto com vistas para o horizonte? Faça isso,
faça qualquer coisa, vá para qualquer lugar, mas vá, vá viver sua lembrança,
ela será o alento da sua alma.
Ana@Cristina.
Para
descontrair, “ Chega de Saudades”

0 comentários:
Postar um comentário